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Negligência ambiental e climática afetam majoritariamente grupos vulneráveis

Por Fernanda Lopes

É notório que a crise climática representa riscos substanciais para a saúde, produção de alimentos, abastecimento de água, ecossistemas, energia, segurança e infraestrutura. Embora as mudanças climáticas afetem todo o planeta, uma parte da sociedade é desproporcionalmente afetada por questões sociais, econômicas, políticas, ambientais e socioculturais. Tanto a crise quanto as mudanças exacerbam as desigualdades existentes e as exclusões resultantes de histórias cruzadas de colonialismo, racismo, opressão e discriminação.

No Brasil, 82,5% da população, estimada em 212,7 milhões de pessoas pelo IBGE em 2021, reside em áreas urbanas. O espaço urbano é segregado, e nas zonas caracterizadas por moradias em condições inadequadas para habitação e escassez de serviços fundamentais de infraestrutura, a maioria da população residente é negra.

LAB Jovens: Programa da Embaixada da França apoia projetos na luta pela justiça climática

Por Regilon Matos

Com a finalidade de sensibilizar e capacitar a juventude para questões ambientais, para reduzir os efeitos do aquecimento global e garantir o equilíbrio climático, a Embaixada da França em parceria com o Fundo Casa Socioambiental e uma rede de organizações, realiza no ano de 2023 a terceira edição do LAB Jovens (Laboratório Ambiental Brasil Jovens), um programa que mobiliza jovens entre 18 e 26 anos para apoio e formação, com suporte de ferramentas, mentorias e todo acompanhamento necessário para desenvolver projetos-ações em seus territórios, e ao final a oportunidade de receber um apoio de um fundo semente. A jornada é 100% online e gratuita, e eu, Regilon Matos, tive a oportunidade de participar da primeira edição em 2021.

O Fundo Casa dedica-se ao campo da filantropia socioambiental fazendo o recurso chegar diretamente nas mãos dos reais guardiões dos ecossistemas, a fim de promover o desenvolvimento sustentável, dando mais autonomia e protagonismo aos grupos. Sendo assim apoiar projetos de jovens é potencializar a ação do projeto pois conseguem agregar uma enorme diversidade de ideias e mobilizando um maior número de pessoas engajadas, além de uma aposta em ações inovadoras e conectadas com outras formas mais contemporâneas proporcionadas pelo protagonismo juvenil. E o apoio do Fundo Casa ao Fundo Semente do programa vai de encontro à nossa missão de apoiar iniciativas coletivas e de incentivar que o ativismo dos jovens possa ser despertado trazendo outras formas de atuação na pauta da justiça socioambiental.

Fundo Brasil discute inclusão produtiva e trabalho digno no Congresso Gife 2023

Para Ana Valéria Araújo, superintendente da instituição, filantropia deve apoiar organizações que defendem direitos trabalhistas e o cumprimento de garantias constitucionais

Por Rafael Cistati

Quase metade dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiros vivem, hoje, na informalidade. São pessoas que não contribuem para a previdência social e que, por isso, não têm acesso a direitos como o seguro desemprego ou auxílio doença. Os informais representam mais de 40% da força de trabalho: uma parcela que cresceu nos últimos anos, especialmente depois de 2017, quando foi aprovada a reforma trabalhista. “O argumento era de que a reforma geraria empregos. Não gerou”, diz Ana Valéria Araújo, superintendente do Fundo Brasil de Direitos Humanos. “Hoje, 40% dos trabalhadores brasileiros vendem sua força de trabalho sem ter acesso a direitos”.

Apoio institucional para grupos de base fortalece autonomia e relações de confiança

No Congresso GIFE 2023, Allyne Andrade, superintendente adjunta do Fundo Brasil, participou de debate sobre desafios regulatórios da sociedade civil

Por Rafael Ciscati

A pandemia de covid-19 impactou de forma significativa a maneira como o Fundo Brasil de Direitos Humanos trabalha. Tradicionalmente, a fundação apoia projetos desenvolvidos por organizações de base. As propostas, vindas do país inteiro, são selecionadas via edital. A emergência sanitária forçou uma mudança na lógica de trabalho. “Começamos a pensar em como atuar para manter a sociedade civil viva e atuante naquele contexto”, diz Allyne Andrade e Silva, superintendente adjunta da instituição. “A solução que encontramos foi a de oferecer apoios flexíveis”. Nessa modalidade, o recurso recebido pelo grupo não precisa ser integralmente utilizado no custeio de um projeto: pode ter também o o objetivo de fortalecimento institucional, destinado ao pagamento de salários ou outras despesas da organização.

Allyne compartilhou essa experiência durante a mesa “Desafios regulatórios e da participação da sociedade civil”, realizada no último dia 14 de abril durante o 12º Congresso do Grupo de Instituições, Fundações e Empresas – Gife. Na edição desse ano, o evento discutiu qual o papel do investimento social privado no combate às desigualdades que afetam a sociedade brasileira.

Entrevista: Gelson Henrique, da Iniciativa PIPA, fala sobre a pesquisa Periferias e Filantropia

Por Mônica Ribeiro

A Iniciativa PIPA lançou, em março deste ano, a pesquisa Periferias e Filantropia – as barreiras de acesso aos recursos no Brasil. Realizado com apoio do Instituto Nu, o trabalho tem por objetivo analisar a descentralização dos recursos privados para viabilizar ações e projetos daqueles que estão na ponta.

O material é parte também do projeto desenvolvido por Marcelle Decothé, cofundadora e conselheira da Iniciativa PIPA, como bolsista do Programa Saberes, da Rede Comuá.

Os dados são representativos de um universo de 607 respostas de gestores e gestores que atuam na linha de frente nas periferias brasileiras para garantir direitos básicos, qualidade de vida e oportunidades nas comunidades.

A pesquisa revela que quase metade das iniciativas pesquisadas, 46%, não obtiveram recursos para realizar suas atividades nos últimos dois anos. E 31% delas trabalhavam com menos de R$ 5 mil ao ano.

Rede Comuá participa de mesas no 12º Congresso GIFE

Por Mônica C. Ribeiro

De 12 a 14 de abril, a Rede Comuá participou do 12º Congresso GIFE (Grupos, Institutos, Fundações e Empresas), que teve como tema Desafiando estruturas de desigualdades.

No primeiro dia, a diretora executiva da Comuá, Graciela Hopstein, mediou a mesa Filantropia comunitária: mobilização de atores diversos para a transformação. Integraram a mesa Larissa Amorim, da Casa Fluminense; Harley Henriques, do Fundo Positivo – ambos integrantes da Rede Comuá -; Jair Resende, da Fundação FEAC; e Vinicius Ahmar, do Instituto Arapyaú.

Collaborative philanthropy is rooted in african communal practice. Let’s reclaim it.

By Samra Ghermay, associate director of client engagement, Wingo NYC Fundraising Studio
 
Anyone who knows me, knows I love a good African proverb. I grew up hearing these sayings as commentary on my actions — the not-so-silent judgements on the quality of my chores, the are-you-sure-about-that questions about my decisions, the life lessons waiting to be discovered from a respected elder waiting to impart them on me. Proverbs are built into our stories and were how my elders communicated messages to my sisters and me, how we were implicitly told to do certain things. Proverbs were essentially a coded game. And we happily accepted the challenge and grew all the better for it.

In philanthropy, we have all heard and have possibly even used the African proverb: “It takes a village to raise a child.”

A Filantropia Colaborativa tem origem na prática comunitária africana: precisamos reivindicá-la

Por Samra Ghermay

Quem me conhece sabe que eu adoro um bom provérbio africano. Cresci ouvindo esses ditados como comentários sobre as minhas ações – os julgamentos não tão silenciosos sobre a qualidade das minhas tarefas, as perguntas do tipo “você tem certeza disso” relacionadas às minhas decisões, as lições de vida a serem reveladas por um respeitado ancião, que aguardava a oportunidade de transmiti-las a mim. Os provérbios estão embutidos nas nossas histórias e é como os meus anciãos comunicavam mensagens a mim e às minhas irmãs, e como éramos tacitamente instruídas a fazer certas coisas. Os provérbios eram essencialmente um jogo em código. E nós aceitamos o desafio com alegria e com isso amadurecemos ainda mais.

Na filantropia, todos nós já ouvimos e muito provavelmente já usamos o provérbio africano: “É preciso uma aldeia inteira para se educar uma criança”.

Rede Comuá promove Mês da Filantropia que Transforma em setembro

Por Mônica C. Ribeiro

Durante o mês de setembro, a Rede Comuá, juntamente com organizações membro e parceiros, promove o evento Filantropia que Transforma: mês da filantropia comunitária e de justiça socioambiental.

A iniciativa busca dar continuidade aos debates e reflexões que têm sido travados no campo da filantropia, envolvendo e reconhecendo uma multiplicidade de atores, comunidades e territórios nas discussões e atividades, principalmente em torno de temas vinculados à transformação de práticas filantrópicas para o fortalecimento da sociedade civil como um setor chave para a manutenção e ampliação da democracia brasileira.