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 O papel estratégico do investimento social privado diante da crise climática

Imagem destaque de Ana Cláudia Leocádio/CENARIUM

* Vanessa Prata

A dois meses da COP 30, em Belém (PA), é urgente discutirmos não apenas as mudanças climáticas em si, mas como seus efeitos atingem de forma desigual populações que já vivem vulnerabilidades históricas, como povos indígenas, quilombolas, comunidades ribeirinhas e moradores de periferias urbanas. Quando enchentes destroem casas precárias, quando a seca compromete a produção de alimentos de subsistência, ou quando ondas de calor ou de frio agravam problemas de saúde em territórios vulneráveis, o que está em jogo é a garantia de direitos fundamentais como moradia, saúde e alimentação.

Assim, não poderia ser mais simbólico que o Mês da Filantropia que Transforma 2025 tenha como foco “Clima e Direitos”.  Realizado anualmente em setembro por nossos parceiros da Rede Comuá, a iniciativa surge para dar visibilidade a iniciativas de filantropia comunitária e justiça socioambiental, promovendo o debate sobre como essas práticas contribuem para a transformação social e o acesso a direitos. Com o tema deste ano, a proposta é conectar o financiamento de soluções locais para mudanças climáticas com a proteção de grupos vulneráveis.

Para isso, o papel do investimento social privado (ISP) e da filantropia é essencial, ao alocar recursos e construir estratégias que respondam a um dos maiores desafios contemporâneos. Apesar do crescente interesse em questões ESG, o financiamento voltado a clima ainda é incipiente no campo da filantropia. Segundo a ClimateWorks Foundation (2023), apenas 2% da filantropia global se direciona especificamente para mudanças climáticas. No Brasil, o último Censo GIFE (2022-2023) mostra que menos de 5% dos institutos e fundações priorizam meio ambiente como área de atuação principal.

Diante desse cenário, algumas provocações são necessárias: 

  • Como o ISP e a filantropia podem superar a lógica de projetos pontuais ou apoio somente a ações emergenciais e investir em soluções estruturantes? 
  • Como ampliar a escala de impacto sem perder o vínculo com os territórios? 
  • Como transformar a abordagem de “mitigação de riscos” em “investimento em transformação”?

Para avançarmos, muitas soluções já são conhecidas. Em primeiro lugar, é essencial o financiamento direto a organizações comunitárias, que já desenvolvem soluções inovadoras e adaptadas à realidade local, com investimento de média a longo prazo e recursos livres. Um segundo caminho são as parcerias multissetoriais, articulando empresas, governos locais e redes da sociedade civil para construir respostas integradas. Além disso, o campo pode avançar em inovação nos modelos de financiamento, com mecanismos colaborativos e de blended finance, ampliando a escala de recursos para ações de justiça climática.

A crise climática é também uma crise de direitos humanos. O ISP e a filantropia têm, portanto, não apenas uma oportunidade estratégica, mas uma responsabilidade ética de alinhar suas agendas a esse desafio global, fortalecendo organizações, influenciando políticas e financiando soluções de impacto.

* Sócia-fundadora da ponteAponte, atualmente é codiretora executiva e diretora de comunicação. É mestre em Letras (USP), graduada em Jornalismo (Faculdade Cásper Líbero) e tem MBA em Gestão com Ênfase em Liderança e Inovação (FGV). Linkedin: https://www.linkedin.com/in/vanessaprata/

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