Canto da Coruja Comunidade: informação pela justiça social

Programa de áudio leva informações relacionadas à pandemia da Covid-19 a povos e comunidades tradicionais e agricultores familiares de todo Brasil.
Por Méle Dornelas – Assessoria de Comunicação do ISPN
Uma experiência que conta como agricultores familiares no interior de Minas Gerais conseguiram continuar gerando renda e, ao mesmo tempo, garantir alimentação de qualidade para famílias em situações de maior vulnerabilidade durante a pandemia da Covid-19 é uma das histórias que podem ser escutadas no Canto da Coruja Comunidade.
Dia dos Direitos Humanos: como a filantropia pode ajudar a superar desafios nesse campo

Por Allyne Andrade[1] e Ana Valéria Araújo[2]
Na primeira semana de dezembro, o Fundo Brasil de Direitos Humanos realizou um encontro virtual entre representantes de todos os projetos apoiados atualmente pela fundação. Participaram mais de 75 iniciativas, de 21 estados brasileiros, que somaram mais de 100 ativistas presentes. Foram dois dias inteiros de reflexões e análises da conjuntura do Brasil atual, feitas por defensoras e defensores de direitos que atuam em diversas pautas, e que discutem o país a partir de diferentes perspectivas e lugares.
“Comunicação Positiva”: uma experiência exitosa no campo da comunicação em um Brasil impactado pela pandemia da Covid-19

Por Élida Miranda e Harley Henriques
O Fundo Positivo sempre investiu na Comunicação como eixo estratégico em sua política institucional, por entender que este tema demonstrou eficácia em diminuir ou estabilizar o crescimento da epidemia de HIV/AIDS desde a década de 90 no Brasil.
Filantropia de justiça social: É possível falar em filantropia colaborativa e em participatory grantmaking sem considerar questões relacionadas aos direitos humanos e a justiça social?

Por Graciela Hopstein – Coordenadora executiva da Rede de Filantropia para a Justiça Social
No ano de 2018 quando foi lançado o livro “Filantropia de justiça social, sociedade civil e movimentos sociais no Brasil” [1], uma das questões fundamentais que motivaram a produção da publicação foi colocar os conceitos de filantropia e grantmaking [2] de justiça social no cerne do debate. De fato, umas das teses principais levantadas ao longo da coletânea foi a de que no Brasil o conceito de filantropia carrega historicamente conotações pejorativas e está normalmente associado a ações de caridade. Para superar esta tendência, foi instalado o conceito de investimento social privado (ISP, substituindo de forma frequente a noção de filantropia) por ser comumente “mais aceito” pela sociedade civil e pelo setor cidadão.
Aspectos comunitários: abordagem do financiador em relação a contrapartida do donatário

Por Marcy Kelley, Gabriela Boyer e Rebecca Nelson
A valorização e a contabilização da contrapartida de grupos comunitários pode render dividendos em termos de impacto e sustentabilidade
O Haiti comprovou ser um terreno difícil para os financiadores internacionais, com muitos projetos de desenvolvimento fracassados. No entanto, em 2018, mulheres de uma organização comunitária em Fanm Konba, no sudoeste do Haiti, demonstraram uma notável engenhosidade em levantar seus próprios recursos. Elas solicitaram um financiamento de um donatário da Fundação Interamericana (IAF) para comprar gado. Seguindo as orientações da IAF, as mulheres incluíram sua ‘contrapartida’ – um item de orçamento que leva em conta o trabalho e outros ativos materiais com que os grupos comunitários contribuem para as atividades propostas. Mais tarde, os funcionários da IAF descobriram que elas realmente estavam contribuindo com um acréscimo de US$35 advindos de seus próprios bolsos para adquirir porcas e cabras prenhas para ampliar seus rebanhos e maximizar seus lucros.
FunBEA é o mais novo membro da Rede de Filantropia para a Justiça Social

Por Mica Peres – Assistente de Dados e Tecnologia da Rede de Filantropia para a Justiça Social
O Fundo Brasileiro de Educação Ambiental – FunBEA-, se tornou a décima terceira organização membro da Rede de Filantropia para a Justiça Social. O Fundo, que desde 2012 atua no fortalecimento de coletivos e processos educadores ambientalistas permanentes, trabalha com a concepção crítica dos modos de viver das sociedades atuais. Como missão, o Fundo, tem buscado a captação e o repasse de recursos para fortalecer a capilaridade de projetos, além de identificar e articular iniciativas de Educação Ambiental para apoios em todo o território nacional.
Trabalho Home Office & Cuidado e Atenção com a equipe

Por Cristina Orpheo – Diretora Executiva do Fundo Casa Socioambiental
Nunca se falou tanto em trabalho home office como em 2020. A sensação de quem começou agora a trabalhar dessa forma é de que nunca trabalhou tanto! Enquanto uma fatia da população sofre os efeitos da pandemia sem trabalho, com perda de seus empregos, uma outra parte tem trabalhado de 12 a 14 horas por dia. O home office, que parecia ser um sonho de trabalho para muitos, se transformou numa carga pesada, com longas jornadas diárias e um grande acúmulo de tarefas.
Há quase 10 anos coordeno uma equipe em sistema home office. O que aprendi nesse tempo me ajudou a enfrentar a pandemia e fazer os ajustes adequados rapidamente para cuidar de nossa equipe. Coordenar uma equipe a distância exige algumas mudanças de paradigmas. Novos arranjos e acordos precisam ser criados, entre eles: estabelecer um sistema de controle de tempo e resultados, entender a flexibilidade nos horários, definir os trabalhos por entregas e prazos, criar formas inovadoras de engajar a equipe, cuidar dos vínculos entre todos, estar atenta à comunicação interna, estabelecer processos e políticas claras e, finalmente estar muito alerta a todos os sinais e nuances nas relações para evitar qualquer tipo de ruído entre a equipe.
Trabalhar à distância exige outro tipo de liderança. Se você é um chefe controlador você está perdido para liderar uma equipe a distância, pois o trabalho home office exige confiança e desapego. É necessário criar um ambiente em equipe toda se sinta conectada entre si, desenvolva um companheirismo diário, se apoie mutuamente nas necessidades individuais, é isso que vai criando os vínculos que fazem a diferença no resultado esperado e na eficiência institucional mesmo sem estar todos no mesmo espaço.
Reuniões, oficinas e seminários no formato online vieram pra ficar e já fazem parte da rotina diária. Foto: Claudia Gibeli
O Fundo Casa foi desenhado desde sua origem para o trabalho em home office. Nunca conhecemos outra forma. Sempre acreditando que esse sistema não estava somente à frente do seu tempo, mas era a forma mais eficiente de oferecer qualidade de vida à equipe enquanto mantinha os custos operacionais aceitáveis e seu maior orçamento fosse para doação aos grupos. Nossa missão institucional é apoiar grupos de base comunitária em toda a América do Sul a proteger os importantes territórios que contém a grande biodiversidade dessa região. Então a decisão de minimizar custos institucionais, evitando grandes gastos com a operação (e todo o desgaste físico e psíquico que isso implica para uma equipe de se locomover nas grandes cidades), foi tomada desde a sua fundação. Trazendo ainda a vantagem de compor uma equipe a partir de seu conhecimento e dedicação, independente de em que parte do país ela vive.
Mas nada é assim tão simples e conceitual. Mesmo estando há tanto tempo coordenando uma equipe nesse sistema de trabalho, este momento de pandemia tem trazido novos desafios. O volume de trabalho mais que dobrou, e a vida se resumiu a somente trabalhar — todos os dias ficaram iguais. Uma sensação emocional de prisão se intensificou.
Expectativa x Realidade. Jani Aparecida e sua filha e companheira de home office, Anna Laura.
Nossa equipe, formada majoritariamente por mulheres, várias delas mães com crianças pequenas, teve um aumento de stress. Comecei a perceber que e-mails estavam sendo enviados às 5h da manhã ou às 11h da noite. Sem escola, e sem ajuda em casa, o cansaço se tornou visível. Ao mesmo tempo, a situação que foi se agravando no país, a cada dia demandava mais dedicação da equipe. Foram 16 chamadas de projetos em 10 meses, em torno de 500 apoios, mais de 900 pagamentos, reuniões intermináveis online, e uma quantidade absurda de outras pequenas demandas que foram se acumulando, que vão desde atender às dúvidas dos grupos, entender a situação em constante mudança nos territórios, até a orientar e mobilizar mais e mais parceiros e apoiadores. Após alguns meses nesse processo a luz vermelha acendeu: eu precisava cuidar da minha equipe! Tanto a saúde física como emocional estavam comprometidas.
Compramos cadeiras novas e confortáveis, cada colaborador pode escolher a mais adequada para o seu corpo. Combinamos um período do dia em que todos estaríamos conectados, deixando as mamães com mais liberdade para escolherem seus horários. Fizemos um recesso por escala da equipe e todos puderam tirar 5 dias de folga após o período mais crítico de trabalho. Por fim, oferecemos aulas de Yoga e de pilates para toda a equipe, 2 vezes por semana.
Nosso grupo se fortaleceu, estamos mais unidos e comprometidos do que nunca. Apesar dos desafios, este está sendo o ano em que o Fundo Casa mais doou e ninguém da equipe atrasou um dia com suas entregas. Todo mundo se ajudou, dividimos tarefas e colaboramos uns com os outros.
Nossos 13 colaboradores, espalhados entre Cunha, São Paulo, Juquitiba, Santos, Brasília, Porto Alegre e Santiago (Chile) nunca estiveram tão próximos e unidos. Junto com a gente, consultores em Salvador, Rio de Janeiro e Colômbia fizeram com que 2020 fosse um ano marcante, mostrando que enfrentar uma pandemia juntos é bem mais fácil. Não sabemos quando isso tudo vai terminar, esperamos que seja logo! Mas ter tido a sensibilidade para cuidar da equipe enquanto desenvolvíamos estratégias para ampliar nossas doações me confortou o coração. Independente de como for o próximo ano, vamos seguir acolhendo os desafios e apoiando soluções, independente do que vier.
Originalmente publicado em: https://casa.org.br/trabalho-home-office-cuidado-e-atencao-com-a-equipe/
Construindo um banco de dados global sobre filantropia comunitária: Centenas de planilhas e muito apoio dos/as nossos/as amigos/as

Por Inga Ingulfsen – Gerente de Pesquisa de Parcerias Globais, Candid
Como podemos direcionar a atenção para organizações que trabalham para que o poder esteja com as comunidades locais? Como podemos oferecer informações atualizadas sobre quem está fazendo o quê, e como, no campo da filantropia comunitária? Como podemos ajudar a aprender com essas organizações e entre elas? Essas foram as questões que um grupo de financiadores, pesquisadores e praticantes da filantropia comunitária discutiu em Nova York no começo de 2018. Agora, passados quase três– depois de revisar centenas de planilhas e receber muito apoio de colegas do mundo todo –, a Candid lançou o Diretório da Filantropia Comunitária (Community Philanthropy Directory, em inglês), um banco de dados global e gratuito que reúne organizações que atuam no campo da filantropia comunitária.
Building a global community philanthropy database: hundreds of spreadsheets and lots of help from our friends

How can we call attention to organizations working to shift power to local communities? How can we provide up-to-date information on who’s doing what, where, in community philanthropy? How can we facilitate learning from and among community philanthropy organizations? Those were some of the questions a group of funders, researchers, and community philanthropy practitioners discussed in New York in early 2018. Today, almost three years later—after meticulous review of hundreds of spreadsheets and lots of help from colleagues from all over the world—Candid has launched the Community Philanthropy Directory, a free global database of community philanthropy organizations.
Medindo o que importa – Próximos passos da jornada

Por Barry Knight – consultor para a Global Fund for Community Foundations (GFCF)
Onde estamos
Estamos no meio de um processo com diversas linhas de ação da iniciativa “Medindo o que importa”. Sob a liderança do Global Fund for Community Foundations (GFCF), do Candid e do Philanthropy for Social Justice and Peace (PSJP), cerca de 130 pessoas que atuam na sociedade civil em todo o mundo vêm contribuindo para esse trabalho nos últimos dois anos.