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Por Reparação e Bem Viver: Rede Comuá marcha ao lado de 300 mil mulheres negras em Brasília

Créditos: Ana Carolina Mata | Marcha das Mulheres Negras 2025

Dez anos após o primeiro encontro histórico, Brasília voltou a ser ocupada pela força ancestral e política das mulheres negras. No dia 25 de novembro de 2025, a Rede Comuá marcou presença na 2ª Marcha das Mulheres Negras, somando-se às mais de 300 mil vozes que tomaram a Esplanada dos Ministérios para exigir reparação, democracia e o direito ao Bem Viver. Jonathas Azevedo, diretor-executivo da Rede Comuá, esteve presente e destacou a urgência de apoiar quem está na linha de frente da transformação social.

“Para a gente da Comuá, estar aqui hoje é falar principalmente sobre fortalecer o trabalho e a luta dos movimentos de mulheres negras de todo o país. O que a gente precisa é fazer o recurso chegar na mão dessas mulheres que estão pensando outro projeto político de país possível para a gente”, afirmou Jonathas.

Foto: Gabriel Albernás | Marcha das Mulheres Negras

Diversas organizações-membro da Rede Comuá também estiveram presentes em Brasília, refletindo a força e a diversidade de sua atuação nos territórios. Fortaleceram a mobilização organizações como Baobá – Fundo para Equidade Racial, Fundo Brasil de Direitos Humanos, Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE), ELAS+ Doar para Transformar, Redes da Maré, Fundo Agbara e Casa Fluminense, reafirmando não haver filantropia de justiça social sem o protagonismo das mulheres negras.

Entre as atuações estratégicas que viabilizaram esse momento, o Baobá Fundo para Equidade Racial teve papel fundamental. Com um aporte de mais de R$ 1,3 milhão, a organização garantiu logística e mobilização, focando especialmente em mulheres quilombolas. “As mulheres negras movem o mundo, mas ainda lutam arduamente por políticas reparatórias que sejam de fato eficientes”, destacou Fernanda Lopes, Diretora de Programas do Baobá, reforçando o compromisso da instituição com a dignidade dessas lideranças. O Fundo Brasil de Direitos Humanos também destinou pouco mais de R$ 900 mil para mobilização nacional, com foco em 50 coletivos e organizações de mulheres negras de todo o país com projetos ativos nos editais da fundação. 

Quem também levou para a avenida a urgência das pautas econômica e climática foi o Fundo Agbara. Presente com toda a sua equipe e uma delegação de 20 mulheres de sua rede, a organização reforçou que ‘somos nós que seguramos o Brasil de pé’. Sem pedir licença, o fundo reiterou nas redes e nas ruas que a reparação não é um favor, mas o mínimo necessário, e que o Bem Viver é garantia de futuro. A mensagem foi evidente: a justiça econômica, racial e climática não nasce de discursos, mas ‘das nossas mãos, dos nossos passos, da nossa organização’, radicalmente vivo e movido pela potência das mulheres negras.

Encontros durante a Marcha das Mulheres Negras 2025 | Reprodução

O encerramento deste dia histórico reforça o compromisso da Rede Comuá com a defesa da garantia de direitos e democracia. Como completou Jonathas Azevedo: “Um projeto político de país que realmente coloque o Bem-viver, o cuidado, a nossa democracia e os nossos direitos à frente. É por isso que a gente está aqui hoje, com muito orgulho, nessa luta, fazendo coro ao trabalho incrível das mulheres negras de todo o país, que estão reunidas aqui hoje para lutar pelo seu, pelo nosso futuro.

Seguimos juntes, apoiando aquelas que sempre apontam o caminho e a solução: as mulheres negras, verdadeiras gestoras do impossível1.


  1. Termo utilizado por Rosane Borges, jornalista e intelectual brasileira, em Brasília, durante o lançamento de seu novo livro “Imaginários emergentes e mulheres negras: representação, visibilidade e formas de gestar o impossível”. ↩︎

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