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Conheça A Casa Sul Global: plataforma internacional que conecta o Sul Global para influenciar decisões sobre clima e natureza

Imagem – Reprodução A Casa Sul Global

O lançamento oficial da Casa Sul Global, em 30 de julho, reuniu mais de 350 participantes de 49 países em um encontro virtual multilíngue, com tradução simultânea em português, espanhol e inglês. A apresentação foi conduzida por Juliana Tinoco, coordenadora executiva da Alianza Socioambiental Fondos del Sur e Jonathas Azevedo, diretor-executivo da Rede Comuá, que destacaram o caráter político e estratégico da plataforma.

Para Jonathas Azevedo, reunir em um mesmo espaço os fundos comunitários, independentes e de justiça socioambiental do Sul Global e seus parceiros “é, mais uma vez, um ato político”. Ele reforça que a presença da Casa Sul em Belém carrega a convicção de que esses fundos “podem e devem contribuir para os debates sobre fluxos de financiamento para clima e natureza”.
Essa visão se alinha diretamente com a proposta da Casa Sul: concebida como um espaço de articulação política, mobilização, produção de conhecimento e colaboração, que busca fortalecer o protagonismo dos atores do ecossistema filantrópico do Sul Global e sua missão de apoiar comunidades nos territórios em prol da justiça socioambiental. “Nosso objetivo é colocar as soluções do Sul – e para o Sul – no centro dos debates globais sobre financiamento para clima, natureza e pessoas,” afirma Juliana Tinoco, coordenadora executiva da Alianza Fondos del Sur.

Jonathas Azevedo e Juliana Tinoco durante o lançamento d’A Casa Sul Global | Reprodução A Casa Sul Global


O evento contou com falas inspiradoras de lideranças globais. Maria Amalia Souza, fundadora do Fundo Casa Socioambiental, lembrou que “não há como proteger os grandes biomas do planeta se as pessoas que vivem nesses territórios, que os protegeram por séculos, não tiverem acesso direto aos recursos. (…) A solução está nelas, não fora”.

O chamado de Maria Amalia ecoa também na perspectiva das novas gerações, que carregam o mesmo compromisso com a defesa dos territórios e a busca por justiça. Assim como as comunidades que guardam e cuidam de seus territórios precisam ter acesso direto aos recursos, a juventude do Sul Global enfrenta o desafio de disputar espaço e financiamento para seguir construindo soluções transformadoras.

É nesse contexto que Joshua Amponsem, co-diretor do Youth Climate Justice Fund, ressaltou que, em 2022, apenas 0,76% do financiamento das grandes fundações climáticas foi destinado a movimentos de justiça climática liderados por jovens e uma parcela ainda menor para jovens do Sul Global. “Colaboração intergeracional é fundamental, não apenas para o futuro, mas para garantir um presente saudável e justo. O financiamento climático deve ir além do clima, abordando desigualdades profundas, direitos humanos e a liderança do Sul Global.”

Registro da participação de fundos e organizações parceiras: (esq.) Fondo Acción Solidaria (FASOL), Alianza Socioambiental Fundos del Sur, Environmental Justice Fund, Fundo Casa Socioambiental, Casa Fluminense / Aliança Territorial da Rede Comuá, espaço Canto Coworking, Fundo Indígena Rutî / Rede de Fundos Comunitários da Amazônia Brasileira, movimento #ShitThePower e Youth Climate Justice Fund.

A Casa Sul nas Climate Weeks

A jornada internacional da Casa Sul Global ganhou força em junho, com um pré-lançamento durante a London Climate Week, reunindo lideranças e representantes do setor financeiro, da filantropia, de mecanismos internacionais de financiamento e de redes parceiras para um diálogo franco, um gesto político de escuta, com o Sul convidando o Norte a ouvir. 

No início de agosto, a agenda seguiu para São Paulo durante a Climate Week SP. No Museu das Favelas, Largo Páteo do Colégio, a programação contou com entrevistas, roda em formato aquário e uma experiência gamificada conduzida pela Alianza Socioambiental Fondos del Sur e contou com a participação de lideranças da filantropia, coletivos e fundos socioambientais. O encontro reuniu organizações e financiadores para discutir fluxos de financiamento para clima e natureza que realmente alcancem quem está na linha de frente da justiça socioambiental.

Reprodução The Global South House | Pré-lançamento durante a London Climate Action Week 2025

A expectativa agora é que a Casa Sul siga sua rota, ainda em agosto, para a Rio Climate Action Week e, em setembro, atravesse o Oceano Atlântico para marcar presença na African Climate Week, na Etiópia. Nessas agendas, a prioridade será apresentar a iniciativa, ampliar o diálogo sobre a urgência de redirecionar fluxos de financiamento para fortalecer soluções do Sul Global e criar parcerias estratégicas que reconheçam e fomente ações construídas desde os territórios. 

Belém e a COP30: um espaço vivo de articulação

Em novembro, A Casa Sul Global ganhará forma física em Belém, de 12 a 20 de novembro (com pausa nos dias 15 e 16), ocupando o Canto, espaço dinâmico localizado no primeiro andar do Edifício Manoel Pinto da Silva, o primeiro arranha-céu da cidade. A programação será cuidadosamente selecionada por um Comitê Curatorial, formado por representantes da Alianza Socioambiental Fondos del Sur, da Rede Comuá, do movimento #ShiftThePower e da Rede de Fundos Comunitários da Amazônia Brasileira. Esse comitê atuará como uma instância coletiva de curadoria, responsável por avaliar e selecionar as propostas enviadas via edital interno com base em critérios como relevância temática, representatividade regional e potencial de fortalecer parcerias estratégicas alinhadas à justiça socioambiental e ao financiamento para clima e natura, tendências da filantropia, entre outros.

Ao longo de oito dias, o evento reunirá fundos, redes, instituições financiadoras e parceiras em uma dinâmica de debates qualificados sobre fluxos financeiros e relações de poder na filantropia e nos mecanismos de financiamento climático e de natureza. As conversas buscarão estimular transformações sistêmicas de médio e longo prazo, valorizar experiências concretas de apoio e soluções locais, e consolidar parcerias entre ecossistemas de organizações do Sul Global.

Teaser oficial d’A Casa Sul Global

O que se desenha com a Casa Sul Global vai além de um espaço físico durante a COP30: é a materialização de uma convergência já em movimento. Trata-se de afirmar que não há debate consistente sobre financiamento para clima e natureza sem colocar as pessoas, as comunidades e seus direitos no centro. É revelar a potência de redes que se articulam em torno de uma missão comum e garantir que os recursos alcancem quem está na linha de frente da luta. Em Belém, chegaremos com a convicção de que os fundos e organizações que integram a Casa Sul têm papel estratégico nos debates sobre os fluxos de financiamento para clima e natureza, pois impulsionam soluções locais, mobilizam tecnologias ancestrais e constroem alianças capazes de transformar estruturas e redesenhar futuros.

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