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A Casa Sul Global tem sua primeira edição durante a COP30

Foto: Sofia Hage | Ventos do Norte

Ampliar ainda mais a força e o alcance da incidência por recursos para apoiar soluções locais de organizações, movimentos e territórios foi a estratégia da Rede Comuá ao se unir à Alianza Socioambiental Fondos del Sur na proposta d’A Casa Sul Global.

Em sua primeira edição, realizada durante a COP30, em Belém, A Casa Sul teve como parceiros a Rede de Fundos Comunitários da Amazônia e o movimento #ShiftThePower, reunindo 40 organizações da filantropia de justiça socioambiental da América Latina, da África e do Sudeste Asiático. Por meio de uma programação coletiva, elas demonstraram na prática como essas organizações atuam para fortalecer e financiar soluções de grupos e movimentos em seus territórios.

As organizações da Rede Comuá participaram intensamente do processo de desenho da iniciativa, da proposta coletiva da programação e da elaboração do Manifesto d’A Casa Sul Global. Lideranças das organizações membro estiveram presentes em vários dos painéis ao longo dos sete dias de atividade.

Instalada em um ponto central de Belém, no Canto Coworking, a iniciativa atraiu mais de 1.200 pessoas. As atividades reuniram 109 painelistas e 84 organizações, que demonstraram a força e a diversidade do Sul Global. Vozes de cerca de 50 países se conectaram em seus idiomas de origem, com tradução em tempo real para três línguas. A transmissão online, também para as três línguas, ampliou o alcance das atividades.

“Um grande objetivo da iniciativa é contribuir para a diminuição da lacuna entre o financiamento global e as necessidades locais. A Casa Sul Global mostrou, de forma eficaz, que existem mecanismos de financiamento flexíveis, baseados na confiança e acessíveis, oferecendo uma alternativa clara aos sistemas burocráticos que frequentemente excluem as pessoas que necessitam de recursos com mais urgência”, avalia Jonathas Azevedo, diretor-executivo da Rede Comuá.

O consenso, expresso no Manifesto d’A Casa Sul, é que uma arquitetura de financiamento que prioriza a justiça socioambiental já existe no Sul Global, e precisa ser acionada para que mais recursos cheguem a movimentos e comunidades em seus territórios. O financiamento para clima, natureza e pessoas deve ser flexível, transparente e acessível aos movimentos de base, colocando suas lutas por direitos no centro de qualquer processo de tomada de decisão.

A inovação da arquitetura de financiamento do Sul Global para o Sul Global

A iniciativa demonstrou concretamente que há uma arquitetura de financiamento na região que consegue fazer com que os recursos cheguem de forma eficaz e segura para apoiar as soluções dos territórios. Organizações e fundos da filantropia de justiça socioambiental trabalham em parceria com os grupos e comunidades, ouvindo suas reais necessidades e fazendo com o que o recurso chegue, de fato, para apoiar as transformações que seus saberes promovem.

“O posicionamento político de juntar 40 fundos que trabalham em territórios diversos no Sul Global é extremamente importante. Estamos em movimento, mostrando soluções concretas de financiamento para o campo da filantropia, majoritariamente para a filantropia do Norte Global, que tem bastante dificuldade de fazer com que esse recurso chegue diretamente a esses territórios. E há muitos outros mecanismos financeiros no âmbito das mudanças climáticas – mecanismos da UNFCC, fundos de adaptação, fundos de perdas e danos, a própria Cooperação Internacional – que ainda atuam numa premissa de que o Sul Global não está preparado para receber grandes recursos. A Casa Sul Global mostra exatamente o contrário”, define Cristina Orpheo, diretora-executiva do Fundo Casa Socioambiental.

Alianças oferecem soluções

A Casa Sul Global se configura como uma iniciativa de redes de organizações da filantropia de justiça socioambiental. Esse espírito guia toda a iniciativa, desde sua concepção até a primeira edição realizada durante a COP30.

Diversidade e confiança foram palavras que estiveram presentes em quase toda a programação. “Essa colaboração das organizações d’A Casa Sul vem justamente da diversidade entre nós e do conhecimento dos territórios, que traz confiança. Entre os nossos fundos, o recurso é praticamente todo vindo do Norte Global. Essa aliança permite nos colocar nesse ecossistema filantrópico como atores políticos estratégicos, aptos a receber esses recursos, com transparência, accountability, e também tendo a visão das necessidades dos territórios”, diz Cristina Azevedo diretora-superintendente do Instituto Sociedade População e Natureza (ISPN).

Alianças envolvendo diferentes filantropias também são experimentadas por organizações integrantes d’A Casa Sul Global, e são destacadas como modelos eficientes e eficazes para ampliar o recurso que chega aos territórios. De acordo com Ana Valéria Araújo, diretora-executiva do Fundo Brasil de Direitos Humanos, a experiência de muitos anos das organizações de filantropia de justiça socioambiental junto aos territórios vem proporcionando aprimoramento constante na forma de garantir a chegada dos recursos a comunidades, de modo direto e pouco burocrático, para apoiar suas soluções.

“Juntos temos um potencial muito maior de alcançar recursos, fazer com que cheguem de forma complementar para alcançar mais gente no território, mais geografias, em acordo com as necessidades específicas. Essa é uma arquitetura que vem sendo costurada pouco a pouco pelos fundos, e que traz toda uma metodologia muito especial, que vai tecendo uma rede que faz com que esse trabalho seja muito mais eficiente, muito mais capaz de dar respostas para as necessidades na ponta. Quando esses fundos se coligam com a filantropia de uma forma geral, com a filantropia internacional, ou com a filantropia corporativa no Brasil, são capazes de trazer essa permeabilidade, essa capilaridade, e fazer com que o recurso chegue às comunidades para que elas continuem fazendo aquilo que estão fazendo”, diz ela.

Parcerias e continuidade

A Casa Sul Global teve sua primeira edição na COP30, e que seguirá ativa, incidindo pelo financiamento para o Sul Global em outros espaços e fóruns de filantropia e de financiamento para clima, natureza e pessoas.

Iniciativa da Alianza Socioambiental Fondos del Sur e da Rede Comuá, se dedica a incidir sobre os fluxos financeiros e as dinâmicas de poder, buscando transformar o financiamento em uma ferramenta de justiça socioambiental para os territórios do Sul Global, como plataforma viva de articulação política, produção de conhecimento e mobilização coletiva.

Em sua primeira edição, contou com a parceria estratégica do movimento #ShiftThePower e da Rede de Fundos Comunitários da Amazônia Brasileira. 

Teve como apoiadores financeiros membros das redes que impulsionam a iniciativa e outras organizações: Baobá – Fundo pela Equidade Racial, Fundação Grupo Volkswagen, Fundo Brasil de Direitos Humanos, Fundo Casa Socioambiental, Global Giving, Instituto Clima e Sociedade, Global Alliance for Green and Gender Action, Itaúsa, Próspera Social, Bem-te-vi Diversidade, Global Fund for Community Foundations, Instituto Ibirapitanga, Samdhana Institute, Fundación Avina Instituto Sociedade População, Natureza e Instituto ACP.

Foram parceiros de comunicação e conhecimento IIED, ClimaInfo e Proximate.

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