{"id":9438,"date":"2024-09-18T16:23:45","date_gmt":"2024-09-18T19:23:45","guid":{"rendered":"https:\/\/redecomua.org.br\/?p=9438"},"modified":"2024-10-10T12:05:27","modified_gmt":"2024-10-10T15:05:27","slug":"construindo-uma-filantropia-para-justica-social-equidade-de-raca-e-genero-na-centralidade-do-debate","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/construindo-uma-filantropia-para-justica-social-equidade-de-raca-e-genero-na-centralidade-do-debate\/","title":{"rendered":"Construindo uma filantropia para justi\u00e7a social: equidade de ra\u00e7a e g\u00eanero na centralidade do debate"},"content":{"rendered":"<p><em>Foto: Rawpixel.com \/ Adobe Stock<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em>Por: Luana Braga Batista*<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Este artigo busca analisar acerca da auto-organiza\u00e7\u00e3o das mulheres negras no Brasil buscando evidenciar solu\u00e7\u00f5es que s\u00e3o tra\u00e7adas por elas mesmas, diante das problem\u00e1ticas vivenciadas diariamente no cotidiano para superar as dificuldades enfrentadas devido a viol\u00eancia econ\u00f4mica de forma coletiva.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 nas periferias, favelas, comunidades quilombolas, ribeirinhas e ind\u00edgenas que se concentra boa parte desta popula\u00e7\u00e3o. Observa-se no estudo que nesses territ\u00f3rios est\u00e3o a sociedade civil organizada, construindo organiza\u00e7\u00f5es sociais, coletivos, redes e entre outros, no intuito de lutar por mais dignidade e acessos do povo negro. \u00c9 poss\u00edvel analisar que esses grupos convivem com uma aus\u00eancia de assist\u00eancia do Estado e n\u00e3o recebem incentivos financeiros filantr\u00f3picos de acordo com a propor\u00e7\u00e3o de sua atua\u00e7\u00e3o para potencializar o que j\u00e1 realizam no cotidiano.<\/p>\n\n\n\n<p>Ra\u00e7a e g\u00eanero s\u00e3o duas dimens\u00f5es que se entrecruzam e resultam em um efeito multiplicador de discrimina\u00e7\u00e3o, exclus\u00e3o social e fome. O Brasil tem hoje mais de 33 milh\u00f5es de pessoas em situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar \u2013 se alimentando mal ou com fome -, e boa parte delas s\u00e3o mulheres e pessoas negras. Os dados do rec\u00e9m-lan\u00e7ado segundo suplemento do relat\u00f3rio da Rede Penssan sobre inseguran\u00e7a alimentar e fome no pa\u00eds, que tem como foco as desigualdades de ra\u00e7a\/cor da pele e g\u00eanero em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 inseguran\u00e7a alimentar, informa que um em cada cinco lares brasileiros (20,6%) chefiados por pessoas negras est\u00e1 em situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de desempenharem um papel fundamental na solu\u00e7\u00e3o dos problemas de seus territ\u00f3rios e estarem no centro da luta, essas mulheres continuam \u00e0 margem dos recursos e dos acessos. Outro dado revelador da pesquisa \u00e9 a discrep\u00e2ncia entre o montante captado e a origem desses recursos, destacando ainda mais as desigualdades enfrentadas por elas.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas organiza\u00e7\u00f5es realizam a\u00e7\u00f5es que impactam a vida de 250 a 1.000 pessoas, na maioria das vezes. Notavelmente, quase 60% dessas iniciativas s\u00e3o financiadas com recursos do pr\u00f3prio bolso. Esse percentual de capta\u00e7\u00e3o corresponde a menos de 5 mil reais por ano, e, dentro desses 60%, quase metade (29%) capta entre 1 e 500 reais.<\/p>\n\n\n\n<p>Voc\u00eas sabiam que 89% das pessoas que est\u00e3o na linha de frente das organiza\u00e7\u00f5es negras s\u00e3o mulheres? Dessas mulheres, 83% s\u00e3o m\u00e3es, e apenas 18% conseguem obter algum tipo de remunera\u00e7\u00e3o por seu trabalho nos projetos? Enquanto isso, 82% atuam de forma volunt\u00e1ria e ainda trabalham fora para poder financiar o processo de democratiza\u00e7\u00e3o de direitos em seus territ\u00f3rios. Se o terceiro setor gera quase 6 milh\u00f5es de empregos, quem ele est\u00e1 empregando e remunerando? Por que as mulheres negras, em sua quase totalidade, ocupam cargos volunt\u00e1rios, enfrentando jornadas qu\u00e1druplas ou qu\u00edntuplas de trabalho? Elas cuidam da casa, dos filhos, do trabalho fora, dos projetos, e ainda da manuten\u00e7\u00e3o da democracia e da garantia de direitos em suas comunidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem cuida de quem cuida? Quem financia a manuten\u00e7\u00e3o da democracia? \u00c9 poss\u00edvel, diante desse cen\u00e1rio, alcan\u00e7ar algum tipo de justi\u00e7a social sem uma pol\u00edtica de equidade de ra\u00e7a e g\u00eanero? S\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel justi\u00e7a social com recurso alocado direto na base com equidade.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>*NOTA: Este artigo faz parte do projeto de pesquisa \u201cJusti\u00e7a social e filantropia: g\u00eanero, ra\u00e7a e direitos econ\u00f4micos\u201d, de Luana Braga Batista,\u00a0 desenvolvida no \u00e2mbito do Programa Saberes da Rede Comu\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>AUTORA: Luana Braga Batista \u00e9 graduada em Ci\u00eancias Sociais e doutoranda em Antropologia social pelo museu nacional da UFRJ. \u00c9 membro do coletivo negro Marlene Cunha e atua no terceiro setor, produzindo conhecimento enquanto pesquisadora para a promo\u00e7\u00e3o de uma filantropia negra e comunit\u00e1ria com recursos descentralizados e desburocratizados para a promo\u00e7\u00e3o de justi\u00e7a social. E gerente de pesquisa do NUPEMIN (N\u00facleo de Pesquisa e Mem\u00f3ria da Mulher Negra) do Fundo Agbara.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este artigo busca analisar acerca da auto-organiza\u00e7\u00e3o das mulheres negras no Brasil buscando evidenciar solu\u00e7\u00f5es que s\u00e3o tra\u00e7adas por elas mesmas, diante das problem\u00e1ticas vivenciadas diariamente no cotidiano para superar as dificuldades enfrentadas devido a viol\u00eancia econ\u00f4mica de forma coletiva.<\/p>","protected":false},"author":2,"featured_media":9439,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[80,123,158,147],"tags":[],"class_list":["post-9438","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-programa-saberes","category-filantropia-negra","category-novidade-hub-transforma","category-transforma-recomenda"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9438","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9438"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9438\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9439"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9438"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9438"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9438"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}