{"id":8785,"date":"2024-08-14T09:29:20","date_gmt":"2024-08-14T12:29:20","guid":{"rendered":"https:\/\/redecomua.org.br\/?p=8785"},"modified":"2024-08-14T09:42:07","modified_gmt":"2024-08-14T12:42:07","slug":"qa-com-jonathas-azevedo-financiadores-como-parceiros-para-transformacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/qa-com-jonathas-azevedo-financiadores-como-parceiros-para-transformacao\/","title":{"rendered":"Q&amp;A com Jonathas Azevedo: financiadores como parceiros para transforma\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>Arte: London Funders<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Como \u00e9 trabalhar como uma rede de financiadores tentando criar mudan\u00e7as? Qual a posi\u00e7\u00e3o dos financiadores em um ecossistema mais amplo de movimentos e grupos da sociedade civil que trabalham em prol de uma reforma fundamental?<\/p>\n\n\n\n<p>Continuando com o nosso foco de aprendizado na mudan\u00e7a sist\u00eamica, conversamos com Jonathas Azevedo, Assessor de Programas na Rede Comu\u00e1, do Brasil, uma rede de financiadores que atuam nos campos de justi\u00e7a socioambiental, direitos humanos e desenvolvimento comunit\u00e1rio. Jonathas compartilhou o que aprendeu sobre o significado de colocar as comunidades no comando e os financiadores como parceiros em vez de guardi\u00f5es da mudan\u00e7a, e muito mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos dos temas que discutimos com Jonathas ressoaram com o nosso pr\u00f3prio trabalho e com o trabalho dos nossos membros aqui no Reino Unido &#8211; o envolvimento e o aprendizado com colegas de todo o mundo ajudam a moldar nosso pr\u00f3prio pensamento \u00e0 medida que buscamos formas de enfrentar juntos alguns dos desafios que nos afetam coletivamente, desde a crise clim\u00e1tica at\u00e9 a pobreza e as injusti\u00e7as sofridas pelas comunidades de Londres.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Antes de qualquer outra coisa, pode nos contar um pouco mais sobre o trabalho realizado pela Rede Comu\u00e1?<\/h2>\n\n\n\n<p>A Rede Comu\u00e1&nbsp;re\u00fane o que chamamos de organiza\u00e7\u00f5es doadoras independentes no Brasil. Isso quer dizer organiza\u00e7\u00f5es que mobilizam recursos de diferentes doadores, e n\u00e3o organiza\u00e7\u00f5es vinculadas a uma empresa ou uma fam\u00edlia rica. S\u00e3o, em sua maioria, organiza\u00e7\u00f5es criadas a partir de movimentos sociais no Brasil. Elas t\u00eam governan\u00e7a independente que \u00e9 geralmente composta de representantes de movimentos sociais, membros da comunidade e assim por diante.<\/p>\n\n\n\n<p>A Rede foi fundada em 2012, com a ideia de reunir essas organiza\u00e7\u00f5es doadoras independentes porque, quando olhamos para o ecossistema filantr\u00f3pico no Brasil, vemos que ele consiste principalmente de empresas privadas, funda\u00e7\u00f5es familiares e corporativas etc. As organiza\u00e7\u00f5es doadoras independentes n\u00e3o se sentiam conectadas a esse ecossistema filantr\u00f3pico mais amplo \u2013 a forma como faziam doa\u00e7\u00f5es e trabalhavam com a sociedade civil era muito diferente. A filantropia local no Brasil \u00e9 muito conservadora e n\u00e3o necessariamente apoia iniciativas relacionadas \u00e0 justi\u00e7a socioambiental e aos direitos humanos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a Rede Comu\u00e1 nasceu do desejo de abrir esse espa\u00e7o para viabilizar a troca de experi\u00eancias e perspectivas, mas principalmente para promover e impulsionar a filantropia comunit\u00e1ria e de justi\u00e7a social no Brasil.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das nossas principais \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o \u00e9 o nosso programa de incid\u00eancia, que tem tr\u00eas pilares fundamentais: o primeiro \u00e9 centrado na forma\u00e7\u00e3o de coaliz\u00f5es, facilitando campanhas conjuntas, conex\u00f5es e alian\u00e7as entre os membros; o segundo \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o de conhecimento \u2013 pesquisamos muito a filantropia comunit\u00e1ria e de justi\u00e7a social no Brasil, porque h\u00e1 poucos dados dispon\u00edveis sobre essas pr\u00e1ticas no pa\u00eds, ent\u00e3o para n\u00f3s \u00e9 realmente essencial evidenciar e exemplificar outras formas de fazer filantropia e apoiar a sociedade civil (fizemos recentemente um mapeamento das organiza\u00e7\u00f5es doadoras independentes no Brasil, que traduzimos para o ingl\u00eas e est\u00e1 dispon\u00edvel <a href=\"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Filantropia-que-transforma_EN_v1.pdf\">here<\/a>). O terceiro pilar est\u00e1 ligado a isso, tratando de comunica\u00e7\u00e3o e parcerias. Parte do nosso trabalho de incid\u00eancia visa influenciar os doadores mais tradicionais a mudarem as suas pr\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>O que todos os nossos membros t\u00eam em comum \u00e9 o seu papel de fortalecimento da sociedade civil e da democracia, apoiando grupos minorit\u00e1rios no acesso aos seus direitos.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Qual voc\u00ea acredita ser o papel das organiza\u00e7\u00f5es doadoras independentes para a mudan\u00e7a dos sistemas existentes no Brasil?<\/h2>\n\n\n\n<p>\u00c9 interessante porque as organiza\u00e7\u00f5es doadoras independentes e aquelas que trabalham com \u2018filantropia comunit\u00e1ria\u2019 n\u00e3o se veem como os agentes principais de transforma\u00e7\u00e3o \u2013 os atores que realmente impelem a mudan\u00e7a sist\u00eamica s\u00e3o os atores da sociedade civil \u2013 com toda a sua diversidade de movimentos, coletivos, organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil e assim por diante. Ent\u00e3o, em se tratando de atores da filantropia comunit\u00e1ria, ocorre que eles est\u00e3o financiando a transforma\u00e7\u00e3o, com apoio mais flex\u00edvel e acess\u00edvel, de modo que se veem mais como facilitadores desse processo transformador.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, para n\u00f3s da Rede Comu\u00e1, quando falamos de mudan\u00e7a sist\u00eamica, pensamos no financiamento e apoio \u00e0queles que est\u00e3o \u00e0 frente dessa mudan\u00e7a, e n\u00e3o de os pr\u00f3prios financiadores mudarem diretamente os sistemas.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que os grupos da sociedade civil com os quais voc\u00eas trabalham dizem precisar dos financiadores para promover mudan\u00e7as?<\/h2>\n\n\n\n<p>N\u00e3o seria correto da minha parte falar em nome de todos os grupos da sociedade civil no Brasil, mas o que tem nos chegado \u00e9 a necessidade de financiamento flex\u00edvel e plurianual que apoie a opera\u00e7\u00e3o desses grupos. Trata-se de respeitar a autonomia e o conhecimento desses grupos \u2013 que sabem quais s\u00e3o as solu\u00e7\u00f5es e do que eles precisam.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cAs pessoas acham que se trata apenas de gastar o dinheiro e pronto, mas, pela experi\u00eancia dos nossos membros, n\u00e3o \u00e9 esse o caso. Trata-se de relacionamentos, de constru\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a, de envolvimento ativo, de ouvir os grupos da sociedade civil e de participar da mudan\u00e7a\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Muitos desses grupos n\u00e3o s\u00e3o necessariamente organiza\u00e7\u00f5es formalizadas, nem querem ser. Eles fazem parte de movimentos sociais ou grupos ind\u00edgenas que trabalham para proteger seus direitos \u2013 a maioria dos grupos apoiados pelos membros da Rede Comu\u00e1 se enquadram nessa categoria. Acredito que se trata de desenvolver uma forma de financiamento que n\u00e3o se limite apenas ao apoio financeiro, mas tamb\u00e9m ao compartilhamento de informa\u00e7\u00f5es, do que acreditam ser a melhor forma de trabalhar com esses grupos, de respeitar seus interesses, cooperar ativamente e ouvi-los. Eles sabem como apoiar esses movimentos sociais, seja por meio de um respons\u00e1vel fiscal ou outras estrat\u00e9gias criativas, em vez de for\u00e7\u00e1-los a se registrar como institui\u00e7\u00f5es filantr\u00f3picas e adotar modelos de governan\u00e7a mais tradicionais.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nossos membros tamb\u00e9m buscam descobrir a melhor forma de apoiar grupos com iniciativas de autocuidado e prote\u00e7\u00e3o para defensores de direitos humanos \u2013 isso \u00e9 algo que os financiadores tradicionais n\u00e3o necessariamente t\u00eam interesse em financiar, mas sabemos que, quando se trata de organiza\u00e7\u00f5es e movimentos liderados por minorias pol\u00edticas, eles vivem em um contexto em que s\u00e3o constantemente atacados e, portanto, precisam desse tipo de apoio.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como \u00e9 trabalhar como uma rede de financiadores que buscam instituir mudan\u00e7as? Poderia citar alguns dos desafios que voc\u00eas enfrentam?&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>Acho que um dos maiores desafios tem a ver com o tempo e a falta de recursos humanos para fazer esse trabalho \u2013 construir vozes e narrativas coletivas demanda tempo, n\u00e3o apenas de n\u00f3s, mas tamb\u00e9m dos nossos membros.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro desafio \u00e9, obviamente, o financiamento \u2013 nossos membros precisam mobilizar recursos de diferentes fontes, diferentes funda\u00e7\u00f5es e assim por diante. A capta\u00e7\u00e3o de recursos leva tempo e \u00e9 fundamental para o trabalho dos nossos membros. Outra quest\u00e3o que surge para n\u00f3s como rede \u00e9 o esvaziamento de pautas em geral e a coopta\u00e7\u00e3o de determinadas agendas. Um exemplo recente que vimos no Brasil foi com a decoloniza\u00e7\u00e3o da filantropia. Al\u00e9m disso, ap\u00f3s o assassinato de George Floyd, muitas funda\u00e7\u00f5es criaram iniciativas e grupos de trabalho de DEI (diversidade, equidade e inclus\u00e3o), mas agora vemos que isso se tornou menos priorit\u00e1rio e n\u00e3o est\u00e1 sendo sustentado. Portanto, h\u00e1 um desafio em termos desse engajamento de curto prazo no trabalho antirracista, mas ele n\u00e3o \u00e9 sustent\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cAgora \u00e9 o momento de continuarmos a apoiar os grupos da sociedade civil e as organiza\u00e7\u00f5es que estiveram na vanguarda da resist\u00eancia\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Para os nossos membros, isso sempre fez parte do seu trabalho e \u00e9 parte do seu trabalho di\u00e1rio trabalhar contra o racismo, pela igualdade de g\u00eanero e temas semelhantes, mas para a filantropia mais tradicional \u00e9 mais dif\u00edcil abrir m\u00e3o do poder, ent\u00e3o muitas vezes vemos esse esvaziamento de pautas e a\u00e7\u00f5es meramente simb\u00f3licas.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A outros financiadores interessados em trabalhar dessa forma, o que voc\u00ea recomendaria que fizessem ou pensassem?<\/h2>\n\n\n\n<p>Eu diria para ousarem nas suas doa\u00e7\u00f5es, para doarem seu dinheiro de uma maneira que fa\u00e7a sentido para as suas comunidades e organiza\u00e7\u00f5es parceiras. Que ou\u00e7am e estejam abertos a aprender com elas. Que se abram a questionar suas pr\u00f3prias suposi\u00e7\u00f5es e a din\u00e2mica de poder existente, e aprendam a abrir m\u00e3o [do seu poder].<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, eu recomendaria que busquem aprender com as pessoas que j\u00e1 est\u00e3o fazendo esse trabalho, porque elas t\u00eam experi\u00eancia, conhecimento e <em>expertise<\/em>. Se n\u00e3o quiserem criar seu pr\u00f3prio fundo, que apoiem os que j\u00e1 existem, porque j\u00e1 est\u00e3o fazendo esse trabalho h\u00e1 muito tempo e podem continuar a apoiar a mudan\u00e7a sist\u00eamica e a transforma\u00e7\u00e3o que n\u00f3s queremos ver.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>*Essa entrevista foi originalmente publicada no site da London Funders: <a href=\"https:\/\/londonfunders.org.uk\/latest\/news\/qa-jonathas-azevedo-funders-partners-change\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/londonfunders.org.uk\/latest\/news\/qa-jonathas-azevedo-funders-partners-change<\/a>&nbsp;<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como \u00e9 trabalhar como uma rede de financiadores tentando criar mudan\u00e7as? 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