{"id":8761,"date":"2024-08-07T16:53:00","date_gmt":"2024-08-07T19:53:00","guid":{"rendered":"https:\/\/redecomua.org.br\/?p=8761"},"modified":"2024-10-10T12:06:25","modified_gmt":"2024-10-10T15:06:25","slug":"a-base-precisa-ser-prioridade-alguns-dados-sobre-a-dificuldade-dos-movimentos-sociais-e-de-base-comunitaria-na-busca-informacao-e-acesso-a-recursos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/a-base-precisa-ser-prioridade-alguns-dados-sobre-a-dificuldade-dos-movimentos-sociais-e-de-base-comunitaria-na-busca-informacao-e-acesso-a-recursos\/","title":{"rendered":"A base precisa ser prioridade: Alguns\u00a0dados sobre a dificuldade dos movimentos sociais e de base comunit\u00e1ria na busca, informa\u00e7\u00e3o e acesso \u00e0 recursos"},"content":{"rendered":"<p><em>Foto: Jungwoo-hong \/ Unsplash<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em>Por: Albert Fran\u00e7a da Costa*<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Os movimentos sociais e de base comunit\u00e1ria s\u00e3o pilares essenciais na luta pela justi\u00e7a social. Atuando tanto em \u00e1reas urbanas quanto rurais, desempenham um papel crucial na defesa da democracia, dos recursos naturais, na promo\u00e7\u00e3o de direitos e na constru\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os de debate e fomento \u00e0 participa\u00e7\u00e3o social, sobretudo das popula\u00e7\u00f5es exclu\u00eddas e marginalizadas. No entanto, apesar da relev\u00e2ncia desse trabalho para o desenvolvimento dos territ\u00f3rios, enfrentam desafios significativos no acesso a recursos financeiros, tanto de fontes filantr\u00f3picas quanto p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<p>A seguir, trago uma introdu\u00e7\u00e3o aos dados coletados a partir das entrevistas que fiz em Utinga &#8211; BA, com organiza\u00e7\u00f5es que atuam no territ\u00f3rio, pequenas associa\u00e7\u00f5es que t\u00eam um grande impacto local, e em Salvador &#8211; BA, com movimentos de luta por moradia que t\u00eam atua\u00e7\u00e3o regional, mas tamb\u00e9m a n\u00edvel nacional. As pessoas entrevistadas nos apresentam algumas informa\u00e7\u00f5es importantes sobre as dificuldades enfrentadas e a necessidade de mobiliza\u00e7\u00e3o de recursos para suas iniciativas.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Associa\u00e7\u00e3o Comunit\u00e1ria e Cultural de Utinga (ACCU)<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A ACCU, organiza\u00e7\u00e3o que trabalha no fomento \u00e0 cultura no munic\u00edpio de Utinga atrav\u00e9s de caravanas de teatro, em entrevista dada pelo seu presidente relata que enfrenta dificuldades substanciais na capta\u00e7\u00e3o de recursos e no processo de formaliza\u00e7\u00e3o. Apesar de promover iniciativas voltadas para as artes c\u00eanicas e fomento \u00e0 cultura, a associa\u00e7\u00e3o tem acesso limitado ao conhecimento sobre fundos filantr\u00f3picos, tendo at\u00e9 hoje captado recursos apenas atrav\u00e9s de leis de incentivo \u00e0 cultura, e enfrenta desafios relacionados \u00e0 falta de conhecimento t\u00e9cnico e \u00e0 burocracia. A ACCU j\u00e1 tentou obter apoio de diversas fontes, mas continua lutando para superar as barreiras na formaliza\u00e7\u00e3o e no processo de capta\u00e7\u00e3o de recursos.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Associa\u00e7\u00e3o de Artes\u00e3os de Utinga (ADAU)<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A ADAU \u00e9 uma associa\u00e7\u00e3o de classe onde se re\u00fanem os artes\u00e3os de Utinga para realiza\u00e7\u00e3o de oficinas para a comunidade e comercializa\u00e7\u00e3o de seus produtos na Casa do Artes\u00e3o, espa\u00e7o que tamb\u00e9m funciona como sede e \u00e9 pago com a contribui\u00e7\u00e3o dos membros. Em entrevista dada pela sua presidenta, uma mulher negra que tem um trabalho hist\u00f3rico reconhecido no territ\u00f3rio, a associa\u00e7\u00e3o enfrenta uma s\u00e9rie de desafios semelhantes \u00e0 ACCU. A falta de apoio financeiro do poder p\u00fablico e a depend\u00eancia de contribui\u00e7\u00f5es associativas e doa\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias evidenciam a dificuldade em garantir uma base financeira s\u00f3lida. Apesar da sua auto sustenta\u00e7\u00e3o e das feiras de artesanato que realiza, a ADAU lida com a burocracia e a falta de conhecimento t\u00e9cnico como obst\u00e1culos significativos para a capta\u00e7\u00e3o de recursos e a elabora\u00e7\u00e3o de projetos.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Associa\u00e7\u00e3o Unidos de Umburana<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o Unidos de Umburana, que existe desde os anos 1980, \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o que trabalha pelo desenvolvimento sustent\u00e1vel do povoado de Umburana e tamb\u00e9m no fortalecimento da agricultura familiar no territ\u00f3rio, dirigida h\u00e1 muitos anos por agricultores familiares. Em entrevista feita com seu presidente, ele destacou que a associa\u00e7\u00e3o tem como principal fonte de financiamento o aluguel de um equipamento pr\u00f3prio &#8211; um trator. No entanto, a burocracia, a falta de acesso a tecnologias e falta de uma comunica\u00e7\u00e3o que chegue at\u00e9 o territ\u00f3rio t\u00eam sido barreiras persistentes. Embora a associa\u00e7\u00e3o tenha conseguido recursos de \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos e organiza\u00e7\u00f5es privadas, como a C\u00e1ritas e a Articula\u00e7\u00e3o do Semi\u00e1rido (ASA), a dificuldade em lidar com a complexidade dos processos burocr\u00e1ticos continua a ser um desafio.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Movimento Associativo Ind\u00edgena Payay\u00e1<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O Movimento Associativo Ind\u00edgena Payay\u00e1, organiza\u00e7\u00e3o associativa do Povo Indigena local, trabalha pelo fortalecimento da identidade e reconhecimento do povo Payay\u00e1, al\u00e9m de ser fundamental no trabalho de preserva\u00e7\u00e3o dos recursos naturais, como o Rio Utinga e sua bacia. Na entrevista, a associa\u00e7\u00e3o foi representada pelo Paj\u00e9 do povo Payay\u00e1, e foram abordadas quest\u00f5es complexas relacionadas \u00e0 defesa dos recursos naturais e h\u00eddricos da cidade e \u00e0 obten\u00e7\u00e3o de recursos. A associa\u00e7\u00e3o enfrenta um cen\u00e1rio de criminaliza\u00e7\u00e3o e uma estrutura burocr\u00e1tica que dificulta acesso a recursos.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM)<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM) \u00e9 um movimento que tem como objetivo central, segundo a pessoa entrevistada, prover moradia. A entrevista, feita em Salvador, foi com uma membra da coordena\u00e7\u00e3o nacional do MNLM, que destacou como o movimento enfrenta desafios significativos na busca e na obten\u00e7\u00e3o de recursos financeiros. O MNLM lida com uma complexidade burocr\u00e1tica que dificulta o acesso a fundos, refletindo uma realidade em que a capta\u00e7\u00e3o de recursos \u00e9 frequentemente obstru\u00edda por processos complexos e falta de suporte t\u00e9cnico adequado. O movimento tem buscado recursos tanto de fontes p\u00fablicas quanto privadas, mas a dificuldade em navegar pelos procedimentos e a falta de conhecimento espec\u00edfico s\u00e3o problemas recorrentes.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST)<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), maior movimento social urbano, atua em diversas frentes como luta por moradia urbana, educa\u00e7\u00e3o e soberania alimentar com as Cozinhas Solid\u00e1rias. A entrevista foi feita em Lauro de Freitas, com um membro da coordena\u00e7\u00e3o nacional do movimento, e revelou desafios semelhantes aos do MNLM. A busca por recursos enfrenta barreiras relacionadas \u00e0 burocracia e \u00e0 falta de acesso a informa\u00e7\u00f5es claras sobre os requisitos das organiza\u00e7\u00f5es financiadoras. O MTST, com sua atua\u00e7\u00e3o nacional e regional, enfrenta uma realidade em que a complexidade dos processos de financiamento e a falta de suporte t\u00e9cnico adequado s\u00e3o obst\u00e1culos significativos. O movimento continua a lutar para superar essas barreiras e garantir o financiamento necess\u00e1rio para suas atividades e projetos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante destacar que, durante as entrevistas, a Coordenadoria Ecum\u00eanica de Servi\u00e7o (CESE) foi destacado como um exemplo positivo de organiza\u00e7\u00e3o <em>grantmaker<\/em> que valoriza o trabalho das associa\u00e7\u00f5es e movimentos sociais. A CESE tem sido uma fonte importante de apoio para algumas dessas organiza\u00e7\u00f5es, ajudando a superar a escassez de recursos. Al\u00e9m disso, a C\u00e1ritas tamb\u00e9m foi mencionada como uma organiza\u00e7\u00e3o que j\u00e1 contribuiu para o financiamento de projetos. Embora o apoio de tais organiza\u00e7\u00f5es seja valioso, ele ainda \u00e9 insuficiente frente \u00e0 ampla demanda e \u00e0s dificuldades enfrentadas pelos movimentos e associa\u00e7\u00f5es de base comunit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma an\u00e1lise breve das entrevistas revela&nbsp; desafios comuns e recorrentes enfrentados por essas organiza\u00e7\u00f5es, destacando-se: burocracia excessiva, falta de conhecimento t\u00e9cnico sobre os processos, acesso a recursos n\u00e3o-flex\u00edveis, falta de comunica\u00e7\u00e3o adequada.<\/p>\n\n\n\n<p>Estas dificuldades destacam a necessidade urgente de reavaliar as abordagens atuais de financiamento e filantropia, promovendo um modelo mais inclusivo e acess\u00edvel. Esses movimentos desempenham um papel fundamental na manuten\u00e7\u00e3o e defesa da democracia, na luta pela justi\u00e7a social e ambiental, e devem ser priorizados na aloca\u00e7\u00e3o de recursos. Garantir que esses grupos tenham o suporte necess\u00e1rio para enfrentar os desafios e alcan\u00e7ar seus objetivos \u00e9 fundamental para a promo\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais justa e equitativa.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>*NOTA: Este artigo faz parte do projeto de pesquisa \u201cA dificuldade de acesso dos movimentos sociais a recursos e a constru\u00e7\u00e3o de uma nova cultura pol\u00edtica de doa\u00e7\u00e3o\u201d, de Albert Fran\u00e7a da Costa, desenvolvida no \u00e2mbito do Programa Saberes da Rede Comu\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>AUTOR: Albert Fran\u00e7a da Costa \u00e9 estudante, pesquisador e ativista engajado h\u00e1 sete anos nas lutas sociais, militante do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) e Coordenador da Pacov\u00e1 \u2013 Articula\u00e7\u00e3o de Coopera\u00e7\u00e3o do Campo \u00e0 Cidade, e tem se dedicado intensamente \u00e0 causa da justi\u00e7a social.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os movimentos sociais e de base comunit\u00e1ria s\u00e3o pilares essenciais na luta pela justi\u00e7a social. 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