{"id":8691,"date":"2024-07-26T16:00:16","date_gmt":"2024-07-26T19:00:16","guid":{"rendered":"https:\/\/redecomua.org.br\/?p=8691"},"modified":"2024-10-10T12:06:45","modified_gmt":"2024-10-10T15:06:45","slug":"sentipensar-para-medir-o-que-importa-resgatando-sentido-em-sistemas-de-monitoramento-e-avaliacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/sentipensar-para-medir-o-que-importa-resgatando-sentido-em-sistemas-de-monitoramento-e-avaliacao\/","title":{"rendered":"Sentipensar para Medir o que Importa: Resgatando sentido em sistemas de Monitoramento e Avalia\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>Imagem: parte do quadro que o grupo utilizou para construir uma agenda coletiva. O cart\u00e3o azul diz: \u201cComo medir\/valorizar: senso de pertencimento? autonomia? cuidado + gentileza?\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em>Por: Yasmin Morais*<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Entre os dias 2 e 8 de julho, estive em Bali, na Indon\u00e9sia, para participar do encontro da Comunidade de Pr\u00e1ticas Medir o que Importa, como parte do Movimento #ShiftThePower (#PoderParaAsComunidades).<\/p>\n\n\n\n<p>O motivo do encontro foi aprofundar as reflex\u00f5es que temos tido a respeito do sistema vigente de Monitoramento e Avalia\u00e7\u00e3o (MeA) e trazer luz \u00e0s alternativas que temos criado a ele. As conversas que tivemos implicam muitos temas, emo\u00e7\u00f5es, d\u00favidas, esperan\u00e7as. Hoje, escolhi falar sobre um dos temas, central para compreender o que queremos dizer com \u201cmedir o que importa\u201d: a <strong>subjetividade <\/strong>que carregamos em tudo que fazemos, e que influencia a forma como nos relacionamos com nossa pr\u00e1tica e a comunicamos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em geral, o sistema tradicional de MeA nos incentiva a deixar de lado essas subjetividades. Em vez de incorpor\u00e1-las aos nossos processos avaliativos, devemos isol\u00e1-las, ignor\u00e1-las, atrav\u00e9s de processos frios e unicamente racionais e lineares. Processos que, muitas vezes, simplificam as nossas hist\u00f3rias para faz\u00ea-las caber em n\u00fameros, que, por sua vez, alimentam metas que nem sequer s\u00e3o nossas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Isso revela uma lacuna entre o que \u00e9 esperado por financiadores e a forma que enxergamos as transforma\u00e7\u00f5es que estamos fomentando em nossas comunidades. Pode o sentimento de confian\u00e7a coletiva ou de pertencimento ser medido por m\u00e9tricas que n\u00e3o s\u00e3o as nossas? Podemos capturar v\u00ednculos genu\u00ednos por meio de defini\u00e7\u00f5es importadas? Pode uma revolu\u00e7\u00e3o ser inserida em indicadores de curto, m\u00e9dio e longo prazo?<\/p>\n\n\n\n<p>Na Rede Comu\u00e1, temos reavaliado nosso sistema de MeA de forma a melhor alinh\u00e1-lo com os princ\u00edpios de Medir o que Importa. Percebemos que essa pr\u00e1tica amplia a nossa vis\u00e3o da transforma\u00e7\u00e3o que temos buscado, al\u00e9m de nomear alguns processos que j\u00e1 realizamos h\u00e1 tempos e de encorajar nossos pares a fazer o mesmo. Conversando com participantes da atual turma do Programa Saberes, por exemplo, notamos um destaque para a <strong>no\u00e7\u00e3o de pertencimento ao campo da filantropia comunit\u00e1ria e de justi\u00e7a social<\/strong>, sentimento que n\u00e3o era comum a muitas das pessoas participantes antes de integrar o Programa, e que n\u00e3o cabe nas m\u00e9tricas quantitativas que costumamos monitorar. Da mesma forma, ao reavaliar a maneira como medimos o engajamento de membros na Rede, notamos que os <strong>processos de constru\u00e7\u00e3o de voz coletiva<\/strong>, t\u00e3o importantes para a coes\u00e3o entre membros da Rede e para nossa incid\u00eancia coletiva, podem ser mais diretamente inclu\u00eddos nas nossas pr\u00e1ticas de avalia\u00e7\u00e3o. Notamos tamb\u00e9m que, mais do que medir quantidades de encontros, presen\u00e7as, men\u00e7\u00f5es, alcances, etc, <strong>n\u00e3o podemos perder de vista o sentido de tudo isso<\/strong>: que motiva\u00e7\u00f5es, sentimentos, inten\u00e7\u00f5es, mudan\u00e7as essas m\u00e9tricas querem trazer? E se elas n\u00e3o s\u00e3o suficientes,<strong> que alternativas temos para criar processos de MeA que realmente reflitam quem somos, o que sentimos e o que fazemos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O que \u201cimporta\u201d medir, portanto, \u00e9 o que verdadeiramente tem sentido para quem participa do processo de coleta, interpreta\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o dos dados coletados e sistematizados. Esse sentido carrega, em si, dois significados: dire\u00e7\u00e3o e sentimento. O primeiro tem a ver com a jornada de cada comunidade diante da transforma\u00e7\u00e3o que quer causar. Refletir sobre o pr\u00f3prio fazer deveria ser capaz de dar direcionamento a ele. A partir do que enxergamos agora, para onde queremos ir? O caminho que estamos trilhando nos aproxima do que queremos para a nossa comunidade? O que falta para avistar esse horizonte de forma mais n\u00edtida?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo significado tem a ver com o conceito de \u201cSentipensar\u201d, popularizado por Fals Borda (1987) a partir das experi\u00eancias de comunidades pesqueiras colombianas, para descrever uma forma de conhecimento que integra tanto a raz\u00e3o quanto as emo\u00e7\u00f5es, reconhecendo a import\u00e2ncia das experi\u00eancias vividas, dos sentimentos e das rela\u00e7\u00f5es sociais na constru\u00e7\u00e3o do conhecimento e na tomada de decis\u00f5es. <em>Sentipensar <\/em>\u00e9 <em>\u201cpensar con el coraz\u00f3n y sentir con la cabeza\u201d. <\/em>\u00c9 integrar a reflex\u00e3o cr\u00edtica e a experi\u00eancia emocional, reconhecendo que nossas a\u00e7\u00f5es e decis\u00f5es s\u00e3o influenciadas n\u00e3o apenas pela l\u00f3gica fria, mas tamb\u00e9m pela nossa viv\u00eancia pessoal e pelas emo\u00e7\u00f5es que experimentamos. <strong>Ao aplicarmos o <\/strong><strong><em>sentipensar <\/em><\/strong><strong>em nossos processos de MeA, estamos reconhecendo que as transforma\u00e7\u00f5es sociais e comunit\u00e1rias n\u00e3o podem ser reduzidas a simples indicadores quantitativos, mas devem incluir uma compreens\u00e3o mais profunda das rela\u00e7\u00f5es humanas, dos valores culturais e das din\u00e2micas de poder que moldam as experi\u00eancias das pessoas.<\/strong> \u00c9 um convite para uma avalia\u00e7\u00e3o mais sens\u00edvel e emp\u00e1tica, que verdadeiramente reflita a riqueza e a diversidade das experi\u00eancias humanas envolvidas nos processos de transforma\u00e7\u00e3o social e comunit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Na medida em que amadure\u00e7o essas reflex\u00f5es e as ponho em palavras, nasceu-me um poema, que compartilho aqui.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>sentido<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<p>achatamos as nossas hist\u00f3rias<br>pra caber nas m\u00e9tricas<br>nas linhas<br>nos tempos<br>nas tabelas<br>que de t\u00e3o l\u00f3gicas<br>perdem a cor<br>e de t\u00e3o frias<br>perdem o sentido<br>perdem o sentir<\/p>\n\n\n\n<p>a quem isso importa?<\/p>\n\n\n\n<p>quando a nossa coragem<br>n\u00e3o cabe nessas r\u00e9guas<br>a nossa constru\u00e7\u00e3o<br>tem um outro ritmo<br>a nossa revolu\u00e7\u00e3o<br>n\u00e3o cumpre etapas<br>n\u00e3o acaba com o ano fiscal<\/p>\n\n\n\n<p>tomemos conta das planilhas!<br>as refa\u00e7amos<br>as transformemos<br>\u00a1sentipensemos!<\/p>\n\n\n\n<p>me transformo na medida em que observo<br>fa\u00e7o parte da transforma\u00e7\u00e3o que reporto<br>como n\u00e3o me enxergar em quem escuto?<\/p>\n\n\n\n<p>torno-me espelho<br>admito que me misturo<br>admito que me afeto<br>mesclo minhas cores com as suas<br>minhas d\u00favidas e ang\u00fastias<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<p>com as esperan\u00e7as que plantamos<br>as dores e as lutas<\/p>\n\n\n\n<p>e o resultado<br>n\u00e3o \u00e9 um n\u00famero<br>e nem uma hist\u00f3ria \u00fanica<br>n\u00e3o cabe em relat\u00f3rios<br>e nem no pr\u00f3prio tempo<br>\u00e9 passado, \u00e9 presente e \u00e9 futuro<\/p>\n\n\n\n<p>o resultado<br>\u00e9 inacabado<br>inconstante<br>impr\u00f3prio<\/p>\n\n\n\n<p>\u00e9 sentido<br>que pulsa<br>e que nos guia<br>pra mais perto de n\u00f3s<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sources:<\/strong><br>Fals Borda y Rodr\u00edguez Brandao C. (1987) Investigaci\u00f3n Participativa. Montevideo: La<br>Banda Oriental<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>*Yasmin Morais \u00e9 graduada em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais pela University of Boston\/Universidade Anhembi Morumbi e mestre em Poder, Participa\u00e7\u00e3o e Mudan\u00e7a Social pelo Institute of Development Studies. Atualmente, \u00e9 Assessora de Programas na Rede Comu\u00e1.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre os dias 2 e 8 de julho, estive em Bali, na Indon\u00e9sia, para participar do encontro da Comunidade de Pr\u00e1ticas Medir o que Importa, como parte do Movimento #ShiftThePower (#PoderParaAsComunidades).<\/p>","protected":false},"author":2,"featured_media":8692,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[100,102,79,147],"tags":[],"class_list":["post-8691","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-medindo-o-que-importa","category-shiftthepower","category-rede-comua","category-transforma-recomenda"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8691","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8691"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8691\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8692"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8691"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8691"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8691"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}