{"id":8282,"date":"2024-06-28T14:18:59","date_gmt":"2024-06-28T17:18:59","guid":{"rendered":"https:\/\/redecomua.org.br\/?p=8282"},"modified":"2024-10-10T12:07:27","modified_gmt":"2024-10-10T15:07:27","slug":"por-que-precisamos-ampliar-o-financiamento-para-organizacoes-lgbtqiapn","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/por-que-precisamos-ampliar-o-financiamento-para-organizacoes-lgbtqiapn\/","title":{"rendered":"Por que precisamos ampliar o financiamento para organiza\u00e7\u00f5es LGBTQIAPN+?"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n\n\n\n<p><em>Foto: raphael-renter-raphi_rawr-wuxdtGMNYaU \/ Unsplash.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em>Por: Yasmin Morais e Lucas Bulgarelli<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Recentemente, temos testemunhado uma tend\u00eancia preocupante no financiamento de iniciativas voltadas aos direitos LGBTQIAPN+ por parte do Investimento Social Privado (ISP). Essa tend\u00eancia tem apontado para uma s\u00e9rie de transforma\u00e7\u00f5es e recuos, como as recentes pr\u00e1ticas anti-diversidade nos Estados Unidos e o avan\u00e7o de agendas contr\u00e1rias aos direitos humanos e aos direitos LGBTQIAPN+, afetando diretamente as organiza\u00e7\u00f5es e movimentos brasileiros, que seguem lutando para existir e resistir.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Neste contexto, este texto busca refletir sobre o constante desafio de mobiliza\u00e7\u00e3o de recursos por parte da popula\u00e7\u00e3o LGBTQIAPN+, bem como chamar aten\u00e7\u00e3o do campo filantr\u00f3pico para a urg\u00eancia de apoiar essa luta no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Amea\u00e7as \u00e0 diversidade<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Uma tend\u00eancia recente nos Estados Unidos nos chamou a aten\u00e7\u00e3o, onde empresas est\u00e3o modificando suas abordagens em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 diversidade, equidade e inclus\u00e3o (DEI), com metas de representatividade sendo substitu\u00eddas por m\u00e9tricas de desempenho e com a ado\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es mais t\u00edmidas durante o m\u00eas de junho, per\u00edodo do ano em que se celebra o orgulho LGBTQIAPN+. Al\u00e9m disso, o termo DEI est\u00e1 sendo removido em favor de programas que enfatizam a inclus\u00e3o de forma mais ampla, reduzindo o foco na import\u00e2ncia de garantir um ambiente de trabalho diverso em termos s\u00f3cio-demogr\u00e1ficos, em resposta a uma crescente rea\u00e7\u00e3o legal, social e pol\u00edtica conservadora (Washington Post, 2024).<\/p>\n\n\n\n<p>Essas mudan\u00e7as s\u00e3o atribu\u00eddas a um movimento de <em>rebranding<\/em>, influenciado por pol\u00edticos conservadores e legisla\u00e7\u00e3o proposta que questiona e limita esfor\u00e7os de DEI em v\u00e1rias esferas. Nos Estados Unidos, por exemplo, pelo menos 82 projetos de lei contr\u00e1rios \u00e0 DEI no ensino superior foram apresentados em mais de 20 estados desde o ano de 2023. Desses, 12 foram promulgados (New York Times, 2024).<\/p>\n\n\n\n<p>Consultores e profissionais do setor est\u00e3o ajustando terminologias, como substituir &#8220;diversidade&#8221; por &#8220;inclus\u00e3o&#8221;, na tentativa de manter o progresso sem se envolver em temas politicamente contenciosos. Este movimento tamb\u00e9m \u00e9 observado no Brasil, onde a agenda ESG, que, de certa forma, abarcou as agendas DEI, tem sido alvo de cr\u00edticas de grupos de extrema direita articulados internacionalmente. Algumas empresas nos EUA, antes ativas em causas LGBTQIAPN+, reduziram suas a\u00e7\u00f5es relacionadas a esse tema em 2024, refletindo uma cautela crescente diante do ambiente pol\u00edtico e social hostil \u00e0s pautas de inclus\u00e3o, em um contexto de avan\u00e7o de pautas conservadoras e crescimento da direita a n\u00edvel global.<\/p>\n\n\n\n<p>Ricardo Sales, da consultoria Mais Diversidade, aponta que, historicamente, no tema da diversidade, o Brasil se inspirou no que \u00e9 feito nos Estados Unidos (Meio &amp; Mensagem, 2024), o que, a nosso ver, \u00e9 preocupante quando se trata do apoio aos direitos LGBTQIAPN+ aqui no pa\u00eds. Por parte do Investimento Social Privado, h\u00e1 um temor crescente de que esse cen\u00e1rio possa influenciar a decis\u00e3o sobre os apoios a organiza\u00e7\u00f5es de defesa da diversidade sexual e de g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"266\" height=\"329\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/docsz\/AD_4nXenHG6PR5Vbj4zwNNM2GpMOX_qoFVFYK7UxRhna6X-vv1Nu3C2ZwsVqC0tKJvgnz6BuuEw1gawma6rLTK7-BHeGSfSvfHeP444PHOp5_pXAmHcKud_tkliy0ZVeSQzd7ivq4bM-jYjjZ6kOOSjR_06BMfg2?key=DGCmb61bvJ_vRViz-kcLcQ\"><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/C77Z3YWy4q5\/?img_index=1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Postagem <\/a>da Casa1, centro de cultura e acolhimento de pessoas LGBTQIAPN+ na cidade de S\u00e3o Paulo<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Cen\u00e1rio atual de apoio \u00e0 agenda de direitos LGBTQIAPN+ no Brasil<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos anos, chama a aten\u00e7\u00e3o o aumento de parlamentares eleitos por terem se notabilizado na disputa contra os direitos sexuais e reprodutivos e os direitos LGBTQIAPN+. Uma reportagem da Ag\u00eancia Diadorim (2024) revelou que 80% dos estados brasileiros contam com projetos de lei contr\u00e1rios \u00e0 popula\u00e7\u00e3o LGBTQIAPN+ &#8211; destes, tr\u00eas estados j\u00e1 transformaram os projetos em legisla\u00e7\u00f5es. A an\u00e1lise ainda apontou que um projeto de lei contr\u00e1rio \u00e0s pessoas LGBTQIAPN+ leva em m\u00e9dia 5 dias para ser replicado de um parlamento a outro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p>As organiza\u00e7\u00f5es LGBTQIAPN+ e de defesa da diversidade sexual e de g\u00eanero cumprem, neste sentido, um papel fundamental de tomar \u00e0 frente nas den\u00fancias contra essas proposi\u00e7\u00f5es e contra os efeitos de investidas pol\u00edticas anti-LGBTQIAPN+ em espa\u00e7os de poder e de tomada de decis\u00e3o.<\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p>Apesar disso, ainda existem desafios significativos relacionados ao peso que a agenda de defesa dos direitos LGBTQIAPN+ ocupa nas organiza\u00e7\u00f5es da filantropia nacional,\u00a0 conforme revelam os dados do Censo GIFE de 2020 e 2022. Das 1.015 iniciativas mapeadas, entre 55% e 65% n\u00e3o t\u00eam v\u00ednculos diretos ou transversais com temas de diversidade e equidade racial, de g\u00eanero, LGBTQIAPN+ e para pessoas com defici\u00eancia, refletindo uma lacuna alarmante na abordagem dessas quest\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a aus\u00eancia de dados governamentais sobre a popula\u00e7\u00e3o LGBTQIAPN+ tamb\u00e9m cria barreiras significativas para identificar o tamanho dessa popula\u00e7\u00e3o no Brasil e para qualificar suas necessidades e os principais gargalos para acesso a direitos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Um exemplo de iniciativa que busca enfrentar esses desafios \u00e9 o <a href=\"https:\/\/abong.org.br\/projeto-pajuba\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Projeto Pajub\u00e1<\/a> (2024), criado pela Abong, Antra e ABGLT com apoio da Luminate. O projeto visa fortalecer organiza\u00e7\u00f5es e coletivos que defendem os direitos da popula\u00e7\u00e3o LGBTQIAPN+ no Brasil, oferecendo forma\u00e7\u00e3o, capacita\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, <em>advocacy<\/em>, e apoio institucional. Um diagn\u00f3stico recente realizado pelo Pajub\u00e1 revelou a realidade prec\u00e1ria enfrentada por essas organiza\u00e7\u00f5es, especialmente a falta cr\u00f4nica de financiamento e sustentabilidade organizacional. Um dos principais obst\u00e1culos apontados \u00e9 a escassez de recursos.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto algumas iniciativas t\u00eam buscado formas alternativas de capta\u00e7\u00e3o de recursos, como a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, outras t\u00eam encontrado dificuldades de angariar at\u00e9 mesmo os recursos essenciais para manter suas opera\u00e7\u00f5es. Ambos os cen\u00e1rios proporcionam uma situa\u00e7\u00e3o de precariza\u00e7\u00e3o das atividades de organiza\u00e7\u00f5es e coletivos LGBTQIAPN+&nbsp; criando preju\u00edzos para a sa\u00fade mental de seus membros e limitando suas capacidades operacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>O quadro se torna ainda mais preocupante quando observado o montante de financiamento dedicado a organiza\u00e7\u00f5es LGBTQIAPN+ frente aos recursos obtidos por entidades que defendem agendas anti-LGBTQIAPN+: de acordo com o relat\u00f3rio Global Resources Report (2021-2022), publicado pelo Global Philanthropy Project, apenas tr\u00eas organiza\u00e7\u00f5es anti-LGBTQIAPN+ reportaram uma receita de mais de 1 bilh\u00e3o de d\u00f3lares entre 2021 e 2022, quantia maior que a receita de todas as 8.000 organiza\u00e7\u00f5es apoiadas no campo dos direitos LGBTQIAPN+ mundialmente.<\/p>\n\n\n\n<p>A falta de pol\u00edticas espec\u00edficas para promover a diversidade em conselhos deliberativos das organiza\u00e7\u00f5es do ISP \u00e9 tamb\u00e9m uma realidade preocupante, j\u00e1 que a representatividade em conselhos influencia diretamente nas pr\u00e1ticas de doa\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es. O Censo GIFE mostra que, quanto maior a diversidade dos conselhos, maior o apoio a organiza\u00e7\u00f5es terceiras. Por exemplo, organiza\u00e7\u00f5es sem a presen\u00e7a de pessoas negras e ind\u00edgenas doam apenas 18% de seus recursos para a sociedade civil, enquanto organiza\u00e7\u00f5es com a presen\u00e7a de pessoas negras e ind\u00edgenas destinaram 46% de seus recursos para a sociedade civil (GIFE, 2022). \u00c9 poss\u00edvel notar tamb\u00e9m que, quanto maior a diversidade em conselhos, maior a tend\u00eancia das organiza\u00e7\u00f5es de doar para a sociedade civil ao inv\u00e9s de investir em iniciativas pr\u00f3prias: organiza\u00e7\u00f5es sem a presen\u00e7a de negros e ind\u00edgenas investem 90% dos seus recursos em iniciativas pr\u00f3prias, enquanto organiza\u00e7\u00f5es com a presen\u00e7a de negros e ind\u00edgenas investem apenas 10% em projetos pr\u00f3prios (GIFE, 2022). N\u00e3o temos dados com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 presen\u00e7a de pessoas LGBTQIAPN+ em conselhos, mas as informa\u00e7\u00f5es que temos apontam para um maior apoio dessa popula\u00e7\u00e3o quanto mais ela \u00e9 representada em espa\u00e7os de tomada de decis\u00e3o. No entanto, em 2020, o Censo revelou que 66% dos investidores sociais n\u00e3o contavam com pol\u00edticas para promover, ampliar ou assegurar a diversidade em seus conselhos. Em 2022, analisando especificamente o recorte LGBTQIA+, 81% das organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o possuem pol\u00edticas para ampliar a diversidade de pessoas LGBTQIAPN+ em seus conselhos e apenas apenas 4% das organiza\u00e7\u00f5es declararam existir a\u00e7\u00f5es de promo\u00e7\u00e3o dessa diversidade nos conselhos.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa do Projeto Pajub\u00e1 (2024) tamb\u00e9m evidencia que a falta de interseccionalidade na abordagem de financiamento \u00e9 um problema significativo. Uma pesquisa recente a Human Rights Funders Network, <em>Funding for Intersectional Organizing: A Call to Action for Human Rights Philanthropy <\/em>(2022), aponta que apoios para pessoas LGBTQIA+ est\u00e1 entre os que menos consideram interseccionalidades, o que limita ainda mais o acesso a recursos para iniciativas que abordam m\u00faltiplas formas de discrimina\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Essa falta de apoio financeiro adequado se reflete na vulnerabilidade das lideran\u00e7as atravessadas por m\u00faltiplos marcadores sociais, como pessoas trans e travestis, popula\u00e7\u00f5es negras e ind\u00edgenas, e l\u00edderes em \u00e1reas rurais e perif\u00e9ricas. A crise clim\u00e1tica tamb\u00e9m exacerbou essas desigualdades, tornando essencial o apoio estrutural e financeiro para organiza\u00e7\u00f5es que enfrentam esses desafios interseccionais, conforme Yasmin e Mica Peres expressaram <a href=\"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/3368-2\/\">neste texto<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p>Portanto, \u00e9 fundamental que haja um aumento significativo no investimento e na promo\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas inclusivas dentro das organiza\u00e7\u00f5es de ISP e do setor filantr\u00f3pico em geral, garantindo que as iniciativas LGBTQIAPN+ tenham o suporte necess\u00e1rio para resistir diante das constantes amea\u00e7as pol\u00edticas, sociais, psicol\u00f3gicas e clim\u00e1ticas \u00e0s suas exist\u00eancias.<\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Contribui\u00e7\u00e3o da filantropia comunit\u00e1ria e de justi\u00e7a social<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A filantropia comunit\u00e1ria continua desempenhando um papel crucial no apoio \u00e0s causas de justi\u00e7a social no Brasil, especialmente atrav\u00e9s do compromisso de financiar agendas de direitos humanos, civis, sociais, econ\u00f4micos e culturais. Essas organiza\u00e7\u00f5es t\u00eam um foco particular na promo\u00e7\u00e3o e reconhecimento dos direitos de grupos historicamente exclu\u00eddos de acesso aos direitos pol\u00edticos, sociais e econ\u00f4micos.<\/p>\n\n\n\n<p>Com uma abordagem interseccional, essas iniciativas buscam fortalecer pautas que enfrentam discrimina\u00e7\u00f5es e opress\u00f5es, como as baseadas em ra\u00e7a\/etnia, g\u00eanero, classe social, gera\u00e7\u00e3o e orienta\u00e7\u00e3o sexual. Pessoas negras, ind\u00edgenas, de comunidades tradicionais, LGBTQIA+, com defici\u00eancia, de religi\u00f5es afrodiasp\u00f3ricas e outros grupos marginalizados s\u00e3o priorit\u00e1rios para essas filantropias (Rede Comu\u00e1, 2023).<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, um dos principais enfoques dessas filantropias \u00e9 o fortalecimento institucional, representando 74% de suas iniciativas, de acordo com o Mapeamento de Organiza\u00e7\u00f5es doadoras independentes realizado pela Rede Comu\u00e1 em 2022. O Mapeamento tamb\u00e9m revela que h\u00e1 um esfor\u00e7o crescente para priorizar a diversidade em equipes e cargos diretivos dessas organiza\u00e7\u00f5es, embora ainda haja espa\u00e7o para avan\u00e7os nesse sentido.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>\u00c9 preciso apoiar a luta LGBTQIAPN+, com mais recursos, prote\u00e7\u00e3o e conhecimento<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>\u00c9 crucial compreender a import\u00e2ncia de lutar contra a marginaliza\u00e7\u00e3o de minorias LGBTQIA+ no campo filantr\u00f3pico. Como destaca Mariam Gagoshashvili (2024), &#8220;como mulheres, como pessoas queer e trans, enfrentando opress\u00e3o sistem\u00e1tica e marginaliza\u00e7\u00e3o, nossos corpos s\u00e3o campos de batalha dentro de nossos pr\u00f3prios pa\u00edses e comunidades\u201d .<\/p>\n\n\n\n<p>No campo filantr\u00f3pico, essa realidade n\u00e3o \u00e9 diferente. Os desafios enfrentados por esses grupos s\u00e3o significativos, incluindo a luta constante para garantir necessidades b\u00e1sicas enquanto sustentamos nossos ativismos.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a prote\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a s\u00e3o quest\u00f5es urgentes para defensores de direitos LGBTQIA+. No Brasil, estamos diante de um cen\u00e1rio extremamente violento, onde ocorre um assassinato de pessoa LGBTQIA+ a cada 38 horas (Observat\u00f3rio de Mortes Violentas LGBTI+ no Brasil, 2023). O Brasil tamb\u00e9m enfrenta uma grave crise de sa\u00fade mental, sendo o pa\u00eds com a maior preval\u00eancia de depress\u00e3o na Am\u00e9rica Latina (Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, 2022).<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme destacado pela Comunidade de Pr\u00e1tica da Rede Comu\u00e1 focada em Prote\u00e7\u00e3o e Seguran\u00e7a (2023), em um contexto t\u00e3o adverso, <em>por que n\u00e3o priorizar a prote\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a das organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil e das doadoras, especialmente da filantropia independente, que est\u00e3o na linha de frente dessa luta? [&#8230;] <\/em><em>Como podemos ignorar que as pessoas que constituem essas organiza\u00e7\u00f5es muitas vezes t\u00eam seus direitos e sua pr\u00f3pria exist\u00eancia negados?<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p>Fazemos aqui um chamado urgente \u00e0 filantropia para n\u00e3o negligenciar esses grupos em suas interse\u00e7\u00f5es e complexidades. Isso implica apoiar movimentos e coletivos que trabalham nessas frentes, de forma flex\u00edvel, com base na confian\u00e7a, com recursos amplos para seu desenvolvimento institucional.<\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, \u00e9 importante apoiar mais pesquisas que ampliem nosso entendimento e abordagem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s necessidades das organiza\u00e7\u00f5es LGBTQIAPN+. Exemplos s\u00e3o pesquisas que est\u00e3o sendo desenvolvidas na segunda turma do <a href=\"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/saberes\/\">Knowledge Program<\/a> da Rede Comu\u00e1, como a pesquisa \u201cJustas: Transfobia ambiental e justi\u00e7a clim\u00e1tica para pessoas trans\u201d, de Emily Mel Fernandes e Souza e a pesquisa \u201cCad\u00ea o Aqu\u00e9: Mapeando aus\u00eancias, (des)encaixes e possibilidades entre as organiza\u00e7\u00f5es de travestis e mulheres transexuais e a filantropia no Brasil\u201d. Esses dois estudos trar\u00e3o dados in\u00e9ditos para somar \u00e0 luta LGBTQIAPN+ no Brasil.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 essencial, portanto, que a filantropia n\u00e3o apenas reconhe\u00e7a, mas tamb\u00e9m ativamente apoie a luta LGBTQIAPN+, resistindo a press\u00f5es mercadol\u00f3gicas e garantindo que recursos sejam direcionados a quem est\u00e1 na linha de frente, lutando para existir todos os dias.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Yasmin Morais \u00e9 uma pessoa c\u00fair\/queer e pansexual. Graduada em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais pela University of Boston\/Universidade Anhembi Morumbi e mestre em Poder, Participa\u00e7\u00e3o e Mudan\u00e7a Social pelo Institute of Development Studies. Atualmente, \u00e9 Assessora de Programas na Rede Comu\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Lucas Bulgarelli \u00e9 Diretor-executivo do Instituto Matizes e secret\u00e1rio jur\u00eddico da ABETH (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Estudos da Transhomocultura). Bacharel em Direito (USP), Mestre (USP) e Doutorando (USP) em Antropologia Social. Pesquisador do N\u00facleo de Estudos dos Marcadores Sociais da Diferen\u00e7a (NUMAS-USP). Foi Coordenador do N\u00facleo de Pesquisa em G\u00eanero e Sexualidade da Comiss\u00e3o de Diversidade Sexual e de G\u00eanero da Ordem dos Advogados do Brasil &#8211; Se\u00e7\u00e3o S\u00e3o Paulo (OAB\/SP) (2019-2021) e consultor para ag\u00eancias da ONU como UNFPA, OIT e ACNUDH.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Sources:<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Ag\u00eancia Diadorim. Como surgem e se espalham os projetos de lei contra LGBTQIA+ no Brasil. <a href=\"https:\/\/adiadorim.org\/reportagens\/2024\/05\/como-surgem-e-se-espalham-os-projetos-de-lei-contra-lgbtqia-no-brasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/adiadorim.org\/reportagens\/2024\/05\/como-surgem-e-se-espalham-os-projetos-de-lei-contra-lgbtqia-no-brasil\/<\/a>. Acesso em: 27 jun. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>Alliance Magazine. What do foreign agent laws have to do with gender ideology? Reflections from the HRFN-Ariadne joint day. Alliance Magazine. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.alliancemagazine.org\/blog\/what-do-foreign-agent-laws-have-to-do-with-gender-ideology-reflections-from-the-hrfn-ariadne-joint-day\/ . Acesso em: 25 jun. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>Meio &amp; Mensagem. Marcas e m\u00eas do orgulho: Houve recuo na abordagem da pauta LGBT. Meio &amp; Mensagem. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.meioemensagem.com.br\/marketing\/marcas-e-mes-do-orgulho-houve-recuo-na-abordagem-da-pauta-lgbt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.meioemensagem.com.br\/marketing\/marcas-e-mes-do-orgulho-houve-recuo-na-abordagem-da-pauta-lgbt<\/a> . Acesso em: 25 jun. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>Washington Post. DEI affirmative action rebrand evolution. Washington Post, 2024. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.washingtonpost.com\/business\/2024\/05\/05\/dei-affirmative-action-rebrand-evolution\/. Acesso em: 25 jun. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>GIFE. Censo GIFE 2022-2023. Sinapse, 2022. Dispon\u00edvel em: https:\/\/sinapse.gife.org.br\/download\/censo-gife-2022-2023. Acesso em: 25 jun. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>Global Philanthropy Project. Global Resources Report (2021-2022): <em>Government &amp; Philanthropic Support for Lesbian, Gay, Bisexual, Transgender, and Intersex Communities<\/em>. <a href=\"https:\/\/globalresourcesreport.org\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/GRR_2021-2022_WEB-Spread-Colour_EN.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/globalresourcesreport.org\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/GRR_2021-2022_WEB-Spread-Colour_EN.pdf<\/a>. Acesso em: 27 jun. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>Rede Comu\u00e1. Filantropia que transforma:mapeamento de organiza\u00e7\u00f5es independentes doadoras para sociedade civil nas \u00e1reas de justi\u00e7a socioambiental e desenvolvimento comunit\u00e1rio no Brasil, 2023. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/REDE-COMUA_Filantropia-que-transforma_v2-1.pdf\">https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/REDE-COMUA_Filantropia-que-transforma_v2-1.pdf<\/a>. Acesso em: 25 jun. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>Abong. Projeto Pajub\u00e1. Dispon\u00edvel em: https:\/\/abong.org.br\/projeto-pajuba\/. Acesso em: 25 jun. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>Observat\u00f3rio de Mortes Violentas LGBTI+ no Brasil. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/observatoriomorteseviolenciaslgbtibrasil.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/observatoriomorteseviolenciaslgbtibrasil.org<\/a> \/. Acesso em: 25 jun. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>Rede Comu\u00e1. Por que falar sobre prote\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a no campo da filantropia comunit\u00e1ria e de justi\u00e7a social? Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/por-que-falar-sobre-protecao-e-seguranca-no-campo-da-filantropia-comunitaria-e-de-justica-social\/\">https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/por-que-falar-sobre-protecao-e-seguranca-no-campo-da-filantropia-comunitaria-e-de-justica-social\/<\/a> . Acesso em: 25 jun. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Na Am\u00e9rica Latina, Brasil \u00e9 o pa\u00eds com maior preval\u00eancia de depress\u00e3o. Dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/saude\/pt-br\/assuntos\/noticias\/2022\/setembro\/na-america-latina-brasil-e-o-pais-com-maior-prevalencia-de-depressao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> https:\/\/www.gov.br\/saude\/pt-br\/assuntos\/noticias\/2022\/setembro\/na-america-latina-brasil-e-o-pais-com-maior-prevalencia-de-depressao<\/a>. Acesso em: 25 jun. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>New York Times. At least 82 bills opposing D.E.I. in higher education have been filed in more than 20 states since 2023. Of those, 12 have become law, including in Idaho, Indiana, Florida and Texas. New York Times, New York, 12 abr. 2024. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.nytimes.com\/2024\/04\/12\/us\/diversity-ban-dei-college.html. Acesso em: 26 jun. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recentemente, temos testemunhado uma tend\u00eancia preocupante no financiamento de iniciativas voltadas aos direitos LGBTQIAPN+ por parte do Investimento Social Privado (ISP). 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