{"id":12195,"date":"2025-10-07T13:18:42","date_gmt":"2025-10-07T16:18:42","guid":{"rendered":"https:\/\/redecomua.org.br\/?p=12195"},"modified":"2025-10-07T13:18:45","modified_gmt":"2025-10-07T16:18:45","slug":"protecao-de-defensoras-e-defensores-diante-da-polarizacao-politica-e-da-crise-climatica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/protecao-de-defensoras-e-defensores-diante-da-polarizacao-politica-e-da-crise-climatica\/","title":{"rendered":"Prote\u00e7\u00e3o de defensoras e defensores diante da polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e da crise clim\u00e1tica"},"content":{"rendered":"<p><em>Foto destaque: de Mariana Rodrigues <\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Reportagem de Lucas Duarte Matos | Fundo Casa Socioambiental <br><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-small-font-size\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"602\" height=\"427\" src=\"blob:https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/ab6057cc-6bf6-49b3-b0dd-0affec47b5a0\"><br><em>Painel realizado em 30 de setembro pelo Fundo Brasil de Direitos Humanos, Fundo Casa Socioambiental e Rede Comu\u00e1 dentro do <\/em><br><em>M\u00eas da Filantropia que Transforma, debateu a crise democr\u00e1tica e a justi\u00e7a clim\u00e1tica, destacando a prote\u00e7\u00e3o de pessoas e <\/em><br><em>territ\u00f3rios afetados pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Foto: Lucas Duarte<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\" style=\"border-style:none;border-width:0px;border-radius:0px;font-size:21px;font-style:normal;font-weight:200\"><strong>\u201cUm rio n\u00e3o deixa de ser um rio porque conflui com outro rio. <\/strong><br><strong>Ao contr\u00e1rio, ele passa a ser ele mesmo e outros rios, ele se fortalece.\u201d <\/strong><br>Ant\u00f4nio Bispo dos Santos, no livro <em>A terra d\u00e1, a terra quer.\u00a0<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Foi com essa frase de Nego Bispo que se abriu o painel <strong>\u201cCrise democr\u00e1tica e justi\u00e7a clim\u00e1tica: como a filantropia pode proteger defensoras e defensores \u2013 perspectivas sobre a conjuntura das elei\u00e7\u00f5es 2026\u201d<\/strong>. Assim como os rios, quando nossas lutas se encontram, elas se tornam mais fortes. \u00c9 dessa for\u00e7a coletiva que nasce a defesa da democracia, da justi\u00e7a clim\u00e1tica e de quem protege direitos no Brasil.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">A met\u00e1fora da conflu\u00eancia, apresentada por Ant\u00f4nio Bispo, ajuda a compreender o momento pol\u00edtico e social que o Brasil atravessa. \u00c0s v\u00e9speras das elei\u00e7\u00f5es de 2026, em meio a um cen\u00e1rio de crescente polariza\u00e7\u00e3o, defensoras e defensores de direitos humanos enfrentam riscos cada vez maiores. Nesse contexto, a conflu\u00eancia simboliza a uni\u00e3o necess\u00e1ria entre movimentos sociais, organiza\u00e7\u00f5es, fundos e comunidades para somar for\u00e7as, resistir, proteger vidas e garantir direitos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Perante esses desafios, a filantropia comunit\u00e1ria atua como um instrumento de apoio, oferecendo recursos e espa\u00e7os de converg\u00eancia que podem contribuir para respostas r\u00e1pidas e sustent\u00e1veis na prote\u00e7\u00e3o de defensoras e defensores de direitos humanos. Esses apoios ajudam a fortalecer a seguran\u00e7a imediata e a resili\u00eancia das comunidades, permitindo que elas continuem na linha de frente da defesa dos direitos e do territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">O esp\u00edrito do encontro, inspirado pela imagem de rios que se encontram sem perder sua identidade, foi o de somar for\u00e7as. Em um pa\u00eds que se prepara para novas disputas eleitorais, o desafio n\u00e3o \u00e9 apenas resistir \u00e0s amea\u00e7as, mas tamb\u00e9m criar mecanismos de prote\u00e7\u00e3o que antecipem riscos e assegurem que a luta por direitos e pela justi\u00e7a clim\u00e1tica siga fluindo, como rios que rendem e se multiplicam em pot\u00eancia coletiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Yasmin Morais, da Rede Comu\u00e1, trouxe reflex\u00f5es importantes sobre a conex\u00e3o entre crise democr\u00e1tica, justi\u00e7a clim\u00e1tica e o papel da filantropia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u201cExiste uma rela\u00e7\u00e3o \u00edntima entre clima, justi\u00e7a social, direitos e defensoras e defensores. S\u00e3o essas pessoas, grupos e movimentos que colocam seus corpos e suas vidas diariamente na linha de frente para garantir direitos sociais, humanos e territoriais. Proteger sua integridade f\u00edsica, mental e digital \u00e9 essencial para a democracia no Brasil\u201d, afirmou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">O cen\u00e1rio pol\u00edtico que vivemos, marcado pela polariza\u00e7\u00e3o e pela proximidade das elei\u00e7\u00f5es de 2026, pode agravar riscos, desde a desinforma\u00e7\u00e3o e as fake news at\u00e9 a criminaliza\u00e7\u00e3o de movimentos e o avan\u00e7o de interesses do agroneg\u00f3cio, garimpo, entre outras atividades<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Mas tamb\u00e9m h\u00e1 boas not\u00edcias: j\u00e1 temos exemplos de respostas efetivas. Os fundos de resposta r\u00e1pida mostram o poder da colabora\u00e7\u00e3o \u00e1gil, constru\u00edda a partir da escuta dos grupos amea\u00e7ados. Essas experi\u00eancias revelam que a filantropia pode ir al\u00e9m do apoio emergencial, ajudando a consolidar uma cultura de seguran\u00e7a integral e a influenciar pol\u00edticas p\u00fablicas de prote\u00e7\u00e3o mais eficazes e permanentes.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-medium-font-size\"><strong>Crise democr\u00e1tica, elei\u00e7\u00f5es de 2026 e a urg\u00eancia de proteger defensoras e defensores de direitos humanos<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Falar de democracia no Brasil, em 2025, \u00e9 falar tamb\u00e9m de riscos, contradi\u00e7\u00f5es e disputas profundas. A an\u00e1lise feita por Ant\u00f4nio Neto, pesquisador da Justi\u00e7a Global e integrante do Comit\u00ea Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos (CBDDH), nos ajuda a entender o tamanho do desafio que o pa\u00eds enfrentar\u00e1 \u00e0s v\u00e9speras das elei\u00e7\u00f5es de 2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u201cO Brasil vai chegar para a pr\u00f3xima elei\u00e7\u00e3o num profundo cen\u00e1rio de polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, de aumento da viol\u00eancia, do avan\u00e7o do conservadorismo, e isso intensifica as viola\u00e7\u00f5es contra defensores\/as de direitos humanos\u201d, afirmou Ant\u00f4nio Neto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Essa conjuntura se reflete no Congresso Nacional, onde a extrema-direita tem avan\u00e7ado com projetos que colocam em risco direitos fundamentais. Para Ant\u00f4nio Neto, essas iniciativas evidenciam o enfraquecimento das institui\u00e7\u00f5es e a fragilidade da democracia brasileira. \u201cNas v\u00e9speras da elei\u00e7\u00e3o, testemunhamos um avan\u00e7o da extrema-direita, com projetos que atacam direitos humanos e coletividades. A proposta de anistia e a PEC da blindagem s\u00e3o exemplos de como a polariza\u00e7\u00e3o pode comprometer a democracia e impactar diretamente os defensores\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mdh\/pt-br\/navegue-por-temas\/pessoas-ameacadas-de-morte\/acoes-e-programas\/programa-de-protecao-aos-defensores-de-direitos-humanos-comunicadores-e-ambientalistas-ppddh\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O Programa de Prote\u00e7\u00e3o a Defensoras e Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas (PPDDH)<\/a> mostra conquistas e limites. Para Ant\u00f4nio Neto, \u201cse o programa hoje consegue estabelecer a\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o, \u00e9 porque a sociedade civil esteve o tempo todo disputando a sua implementa\u00e7\u00e3o. Mas seguimos sem marco legal, com or\u00e7amentos insuficientes e uma metodologia que prioriza indiv\u00edduos em detrimento de comunidades inteiras.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">O Plano Nacional de Prote\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o saiu do papel. Entregue ao Minist\u00e9rio dos Direitos Humanos em dezembro de 2024, ele prop\u00f5e a cria\u00e7\u00e3o de um sistema estruturado de prote\u00e7\u00e3o com metas at\u00e9 2035, mas sua implementa\u00e7\u00e3o n\u00e3o avan\u00e7ou, evidenciando os obst\u00e1culos que ainda existem para garantir a prote\u00e7\u00e3o efetiva de quem defende direitos fundamentais no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-medium-font-size\"><strong>Viol\u00eancia em n\u00fameros e novos atores violadores<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Segundo o estudo <a href=\"https:\/\/www.global.org.br\/blog\/na-linha-de-frente-2022-2024\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Na Linha de Frente 2023-2024<\/em>,<\/a> a cada 36 horas, uma pessoa que defende direitos humanos no Brasil \u00e9 v\u00edtima de viol\u00eancia. Entre 2023 e 2024, foram registradas 486 v\u00edtimas, incluindo 55 assassinatos, sobretudo de lideran\u00e7as ind\u00edgenas, quilombolas e camponesas que atuam na defesa ambiental e territorial.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u201cA viol\u00eancia n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3 na amea\u00e7a ou na criminaliza\u00e7\u00e3o. Ela se materializa em assassinatos e ataques diretos. E, cada vez mais, agentes privados tamb\u00e9m s\u00e3o respons\u00e1veis, muitas vezes articulados com for\u00e7as p\u00fablicas ou grupos paramilitares\u201d, destacou Ant\u00f4nio Neto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Se antes o Estado era visto como o principal violador, hoje agentes do agroneg\u00f3cio, da minera\u00e7\u00e3o e outros grupos privados assumem papel crescente nos ataques. Diante desse cen\u00e1rio, a sociedade civil e a filantropia desempenham um papel importante na prote\u00e7\u00e3o de defensoras e defensores de direitos humanos. A Justi\u00e7a Global mant\u00e9m um pequeno fundo emergencial para respostas r\u00e1pidas e iniciativas como o Centro de Prote\u00e7\u00e3o Integral, que oferece realoca\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria a pessoas amea\u00e7adas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Para Ant\u00f4nio Neto, a filantropia precisa ir al\u00e9m da resposta imediata. \u201c\u00c9 fundamental manter apoios emergenciais, mas tamb\u00e9m investir no m\u00e9dio e longo prazo, em fortalecimento comunit\u00e1rio, prote\u00e7\u00e3o coletiva, incid\u00eancia pol\u00edtica e estrat\u00e9gias de seguran\u00e7a integral. Precisamos construir condi\u00e7\u00f5es para que a prote\u00e7\u00e3o seja sustent\u00e1vel e permanente.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-medium-font-size\"><strong>No Par\u00e1, prote\u00e7\u00e3o de defensoras e defensores nasce do territ\u00f3rio e enfrenta contradi\u00e7\u00f5es do Estado<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">O Par\u00e1 \u00e9 um dos estados mais cr\u00edticos para quem atua na defesa dos direitos humanos e do meio ambiente. Entre amea\u00e7as diretas, criminaliza\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as e espionagem ilegal, a realidade desafia tanto a sociedade civil quanto as pol\u00edticas p\u00fablicas de prote\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Segundo Lincon Aguiar, integrante do Comit\u00ea Paraense de Prote\u00e7\u00e3o a Defensoras e Defensores de Direitos Humanos, a prote\u00e7\u00e3o s\u00f3 \u00e9 efetiva quando constru\u00edda a partir do territ\u00f3rio. \u201cO Estado, em diversos aspectos, \u00e9 o principal violador de direitos, seja pela aus\u00eancia de pol\u00edticas b\u00e1sicas de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, por exemplo, seja por a\u00e7\u00e3o direta em casos de viol\u00eancia contra defensoras e defensores\u201d, afirmou. Como exemplo, cita a dissemina\u00e7\u00e3o de fake news contra lideran\u00e7as estudantis em manifesta\u00e7\u00f5es pela educa\u00e7\u00e3o no Par\u00e1, realizadas este ano, e em den\u00fancias de espionagem envolvendo povos e comunidades tradicionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">O Comit\u00ea nasceu da mobiliza\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es locais e hoje re\u00fane mais de 20 entidades. Seu trabalho vai al\u00e9m da prote\u00e7\u00e3o emergencial e busca estruturar respostas coletivas e duradouras, al\u00e9m de incidir por melhorias na pol\u00edtica p\u00fablica estadual, seja dentro do pr\u00f3prio programa, como tamb\u00e9m no conselho de gest\u00e3o do programa (controle social). \u201cN\u00e3o podemos apenas indicar casos isolados e oferecer medidas pontuais. Precisamos ir al\u00e9m, qualificar a pol\u00edtica estadual e fortalecer a rede de prote\u00e7\u00e3o\u201d, explicou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Entre os avan\u00e7os, Lincon destacou o lan\u00e7amento de um diagn\u00f3stico participativo, constru\u00eddo a partir do di\u00e1logo com defensoras, defensores e lideran\u00e7as, e a descentraliza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica estadual com n\u00facleos regionais j\u00e1 implementados em Santar\u00e9m e Marab\u00e1. Tamb\u00e9m foram criadas cartilhas de orienta\u00e7\u00e3o para comunidades amea\u00e7adas e ampliada a capacidade de articula\u00e7\u00e3o com movimentos sociais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Apesar desses passos, os desafios permanecem. A estrutura\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea exige recursos cont\u00ednuos, fortalecimento institucional e autonomia frente ao pr\u00f3prio Estado. \u201cPrecisamos fortalecer redes aut\u00f4nomas de prote\u00e7\u00e3o popular, com base comunit\u00e1ria e independentes do governo. S\u00f3 assim garantiremos a continuidade das nossas lutas e a seguran\u00e7a das nossas lideran\u00e7as\u201d, defendeu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">A perspectiva agora \u00e9 ampliar o di\u00e1logo com pol\u00edticas p\u00fablicas, pressionar pela atualiza\u00e7\u00e3o da lei estadual de prote\u00e7\u00e3o e preparar estrat\u00e9gias diante da COP 30, que acontecer\u00e1 em Bel\u00e9m.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u201cJ\u00e1 sabemos que teremos muito trabalho antes e durante a COP 30. Haver\u00e1 persegui\u00e7\u00f5es e lideran\u00e7as se organizar\u00e3o em manifesta\u00e7\u00f5es. Nosso papel \u00e9 estruturar estrat\u00e9gias para garantir seguran\u00e7a integral e voz ativa dessas popula\u00e7\u00f5es no debate clim\u00e1tico global\u201d, concluiu Lincon Aguiar.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-medium-font-size\"><strong>Na linha de frente da Amaz\u00f4nia: defendendo territ\u00f3rios e lideran\u00e7as<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Em um contexto de crise democr\u00e1tica e avan\u00e7o do agroneg\u00f3cio, defensoras e defensores de direitos humanos e ambientais na Amaz\u00f4nia enfrentam amea\u00e7as f\u00edsicas, psicol\u00f3gicas e sociais di\u00e1rias. Marta Maria Campos, do Fundo Luzia Dorothy do Esp\u00edrito Santo e representante da Rede de Fundos Comunit\u00e1rios da Amaz\u00f4nia nesse painel, relata as dificuldades de quem atua na linha de frente da prote\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios. Segundo Marta, \u201ca crise pol\u00edtica amea\u00e7a a nossa exist\u00eancia e a nossa viv\u00eancia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u201cO clima que vivemos hoje \u00e9 pesado. Muitas lideran\u00e7as sentem medo de denunciar, porque sabem que suas vidas podem estar em risco diante do avan\u00e7o do agroneg\u00f3cio, das mineradoras e dos portos nos territ\u00f3rios. Mas \u00e9 justamente essa lembran\u00e7a que nos fortalece, que nos inspira a n\u00e3o recuar e seguir na luta\u201d, disse Marta, evocando o legado de mulheres que se tornaram s\u00edmbolos da resist\u00eancia na Amaz\u00f4nia: Irm\u00e3 Dorothy Stang, Maria do Esp\u00edrito Santo e Ivete Bastos, que colocaram suas vidas em risco para proteger a floresta e preservar as comunidades tradicionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Segundo Marta, a amea\u00e7a n\u00e3o se limita ao risco f\u00edsico: \u201cA morte psicol\u00f3gica, o controle e as falsas promessas corroem nosso trabalho di\u00e1rio. Para continuar, precisamos estar unidos e fortalecer nossas associa\u00e7\u00f5es e fundos. \u00c9 da\u00ed que vem o apoio da filantropia, que chega aonde o Estado n\u00e3o chega, fortalecendo projetos que empoderam comunidades e lideran\u00e7as locais.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Marta tamb\u00e9m destaca desafios estruturais enfrentados pelas organiza\u00e7\u00f5es, como a burocracia nos recursos e financiamentos, que dificulta respostas r\u00e1pidas essenciais para prote\u00e7\u00e3o efetiva. \u201cPrecisamos quebrar barreiras para ter acesso a recursos de forma mais direta, menos burocr\u00e1tica. Fortalecer sindicatos, associa\u00e7\u00f5es e fundos \u00e9 fundamental para que defensores possam proteger vidas e territ\u00f3rios, avan\u00e7ando para uma sociedade mais justa\u201d, concluiu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Mesmo sob amea\u00e7as constantes, mulheres l\u00edderes seguem defendendo territ\u00f3rios, \u00e1guas e comunidades tradicionais, demonstrando resili\u00eancia e coragem diante de um cen\u00e1rio de press\u00e3o pol\u00edtica, criminaliza\u00e7\u00e3o e impactos clim\u00e1ticos crescentes.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-medium-font-size\"><strong>Filantropia e prote\u00e7\u00e3o: o papel vital no apoio a defensores em tempos de crise democr\u00e1tica e clim\u00e1tica<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" data-src=\"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/wp-content\/smush-webp\/2025\/10\/image-1024x768.png.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-12197 lazyload\" data-srcset=\"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/wp-content\/smush-webp\/2025\/10\/image-1024x768.png.webp 1024w, https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/wp-content\/smush-webp\/2025\/10\/image-300x225.png.webp 300w, https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/wp-content\/smush-webp\/2025\/10\/image-768x576.png.webp 768w, https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/wp-content\/smush-webp\/2025\/10\/image-1536x1152.png.webp 1536w, https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/wp-content\/smush-webp\/2025\/10\/image-16x12.png.webp 16w, https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/image.png 1600w\" data-sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 1024px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 1024\/768;\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Foto: Mariana Rodrigues<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>\u201cN\u00e3o basta apoiar em momentos pontuais. Se a gente n\u00e3o ajudar as organiza\u00e7\u00f5es a construir resili\u00eancia, n\u00e3o h\u00e1 como avan\u00e7ar\u201d, <\/strong>afirmou Alexandre Pacheco, do Fundo Brasil de Direitos Humanos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">A fala sintetiza um dos maiores desafios da filantropia no Brasil: garantir condi\u00e7\u00f5es reais para que pessoas, organiza\u00e7\u00f5es e comunidades que defendem direitos humanos e ambientais possam existir e resistir diante de um cen\u00e1rio marcado por amea\u00e7as de morte, intimida\u00e7\u00f5es, ataques f\u00edsicos e tentativas de expuls\u00e3o de territ\u00f3rios tradicionais. Segundo dados apresentados por Alexandre Pacheco, quase metade das solicita\u00e7\u00f5es de apoio emergencial recebidas pelo Fundo Brasil est\u00e3o relacionadas a amea\u00e7as de morte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">O apoio urgente, como transporte seguro, alimenta\u00e7\u00e3o e retirada de lideran\u00e7as em risco imediato, continua sendo necess\u00e1rio. Mas, para al\u00e9m da resposta r\u00e1pida, a prioridade hoje \u00e9 fortalecer uma <strong>cultura de seguran\u00e7a integral<\/strong> dentro das organiza\u00e7\u00f5es, para poderem se proteger sem depender apenas de medidas externas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u201c\u00c9 poder dar a oportunidade para investir internamente em construir essa cultura de seguran\u00e7a, porque n\u00e3o basta apoiar na emerg\u00eancia. \u00c9 preciso ajudar as organiza\u00e7\u00f5es a se cuidarem para n\u00e3o se exporem ao m\u00e1ximo\u201d, destacou Pacheco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Segundo dados espec\u00edficos do Fundo Brasil, cerca de 70% das organiza\u00e7\u00f5es apoiadas, dentro de editais voltados para defensores e defensoras de direitos humanos, atuam em contextos de risco alto ou extremo, onde incidentes podem resultar em viol\u00eancia grave ou assassinato. Os principais alvos s\u00e3o defensores negros, comunidades tradicionais, povos ind\u00edgenas, quilombolas e movimentos socioambientais, que est\u00e3o na linha de frente contra o avan\u00e7o do agroneg\u00f3cio, mineradoras e projetos que amea\u00e7am a floresta e a vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Apesar da gravidade, h\u00e1 uma tend\u00eancia preocupante: a redu\u00e7\u00e3o do financiamento internacional para programas de prote\u00e7\u00e3o, sob a leitura equivocada de que o Brasil vive hoje uma democracia consolidada e, portanto, sem emerg\u00eancias. Pacheco alerta que esse movimento deixa vulner\u00e1veis justamente os grupos que sustentam a luta socioambiental e clim\u00e1tica:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u201c<strong>A pauta com o maior n\u00famero de pessoas amea\u00e7adas \u00e9 a pauta socioambiental. Se essas lideran\u00e7as n\u00e3o estiverem seguras, n\u00e3o haver\u00e1 avan\u00e7o poss\u00edvel na agenda clim\u00e1tica e ambiental<\/strong>.\u201d Alexandre Pacheco, do Fundo Brasil.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Para o Fundo Brasil, proteger defensores e defensoras n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o humanit\u00e1ria, mas estrat\u00e9gica para a justi\u00e7a clim\u00e1tica. Afinal, garantir a vida e a atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dessas lideran\u00e7as \u00e9 condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel para haver futuro \u2014 para os territ\u00f3rios, para os povos e para o planeta.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Prote\u00e7\u00e3o e estrat\u00e9gia: como o Fundo Casa Socioambiental apoia defensores e defensoras em tempos de crise<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Desde 2020, Rodrigo Montaldi coordena o Programa de Defensoras e Defensores de Meio Ambiente e Justi\u00e7a Clim\u00e1tica do Fundo Casa, criado para responder \u00e0s crescentes amea\u00e7as contra l\u00edderes e coletividades de comunidades tradicionais no Brasil, sobretudo na Amaz\u00f4nia Legal e MATOPIBA. Ele conta que o programa nasceu de uma demanda concreta: em 2019, pessoas apoiadas pelo Fundo Casa se encontravam sob risco, sem mecanismos emergenciais de prote\u00e7\u00e3o, e acionaram o Fundo para apoios urgentemente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u201cEm 2019, bateu na nossa porta um volume muito grande de pessoas com as quais a gente estava apoiando em outras frentes e que estavam amea\u00e7adas no territ\u00f3rio. Na ocasi\u00e3o, n\u00e3o t\u00ednhamos uma estrutura pensada para um apoio emergencial r\u00e1pido e seguro. \u00c9 preciso chegar junto das pessoas, organiza\u00e7\u00f5es e redes com seguran\u00e7a e rapidez, porque a filantropia internacional muitas vezes n\u00e3o chega com a devida celeridade\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Para a estrutura\u00e7\u00e3o desse programa, um longo processo de escuta e forma\u00e7\u00e3o de capacidades foi constru\u00eddo em 2019, envolvendo organiza\u00e7\u00f5es dos territ\u00f3rios, redes de apoio atuantes na agenda de defensores de direitos humanos e financiadores. Um fundo de Resposta R\u00e1pida foi criado e, em seis anos de atua\u00e7\u00e3o, <strong>o programa j\u00e1 apoiou 333 iniciativas individuais e coletivas, mobilizando cerca de R$\u00a04,5 milh\u00f5es para prote\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a emergencial de defensores<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">O gestor de programas destaca que a atua\u00e7\u00e3o do programa vai al\u00e9m do apoio emergencial: envolve, tamb\u00e9m, <strong>fortalecimento institucional de organiza\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas, <\/strong>apoio a organiza\u00e7\u00f5es que realizam incid\u00eancia em pol\u00edticas p\u00fablicas de prote\u00e7\u00e3o, fortalecimento de capacidades dentro da agenda de defensoras e defensores de direitos humanos e meio ambiente, entre outras a\u00e7\u00f5es, e que, em sintonia com uma vis\u00e3o sist\u00eamica e integral que o Fundo Casa possui nas suas diversas frentes de atua\u00e7\u00e3o, contribui para o fortalecimento da agenda de defesa dos direitos socioambientais dos territ\u00f3rios e comunidades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u201cNosso programa acabou tendo essa abertura de apoiar a emerg\u00eancia, mas tamb\u00e9m, o fortalecimento institucional das redes de apoio aos defensores, das organiza\u00e7\u00f5es de assessoria jur\u00eddica popular (advocacia popular), e dos coletivos de comunica\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria. \u00c9 importante apoiar coletivos nos territ\u00f3rios, porque o fundo de resposta r\u00e1pida, apesar de conseguir apoiar lideran\u00e7as diretamente (apoios individuais), por considerar que apoios coletivos tendem a ter mais efetividade nas estrat\u00e9gias de defesa, \u00e9 a partir das rela\u00e7\u00f5es de confian\u00e7a com essas organiza\u00e7\u00f5es e redes que o Fundo Casa busca estabelecer escuta e v\u00ednculos. \u00c9 uma rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a com as redes que d\u00e3o suporte, e essa confian\u00e7a \u00e9 primordial nessa agenda.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Rodrigo Montaldi aponta, por\u00e9m, que os recursos financeiros s\u00e3o fr\u00e1geis e dependem de financiadores que, muitas vezes, ajustam prioridades diante de mudan\u00e7as pol\u00edticas ou mudan\u00e7as moment\u00e2neas de interesse\/desinteresse em determinadas agendas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u201cNossa principal fonte de recursos era a filantropia internacional. Durante o governo da extrema-direita, ela entendeu a import\u00e2ncia de apoiar a emerg\u00eancia para com os defensores de direitos humanos. Mas, com a mudan\u00e7a de governo, esses recursos desapareceram. Hoje, o fundo de resposta r\u00e1pida enfrenta falta de recursos; precisamos sensibilizar os financiadores sobre a import\u00e2ncia do apoio emergencial de resposta r\u00e1pida, bem como os apoios estruturantes, e buscar apoio em diferentes lugares, sensibilizando financiadores para manter o suporte.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Para Rodrigo Montaldi, a experi\u00eancia do Fundo Casa mostra que proteger defensores e defensoras \u00e9 uma <strong>quest\u00e3o de seguran\u00e7a, justi\u00e7a clim\u00e1tica e fortalecimento da democracia<\/strong>, especialmente em um contexto pol\u00edtico polarizado e de avan\u00e7o do agroneg\u00f3cio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u201cSe for esperar 2026, vamos apoiar tudo sem muita estrat\u00e9gia e suporte, no desespero, apesar da experi\u00eancia do Fundo Casa nesses emergenciais desde 2019. Por isso, o grande objetivo \u00e9 antecipar a\u00e7\u00f5es, construir estrat\u00e9gias coletivas e garantir que, quando a emerg\u00eancia chegar, tenhamos estrutura, recursos e alian\u00e7as para apoiar defensores e defensoras em todo o territ\u00f3rio.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre riscos crescentes e limita\u00e7\u00f5es das pol\u00edticas p\u00fablicas, a filantropia se apresenta como ferramenta estrat\u00e9gica para fortalecer democracia e resili\u00eancia territorial.<\/p>","protected":false},"author":2,"featured_media":12196,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[237,38,34],"tags":[209,250,249,235,251],"class_list":["post-12195","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mes-da-filantropia-que-transforma-2025","category-fundo-brasil","category-fundo-casa","tag-clima","tag-crise-climatica","tag-defensores-de-direitos-humanos","tag-justica-climatica","tag-potecao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12195","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12195"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12195\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12198,"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12195\/revisions\/12198"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12196"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12195"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12195"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12195"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}