{"id":11901,"date":"2025-08-14T10:34:33","date_gmt":"2025-08-14T13:34:33","guid":{"rendered":"https:\/\/redecomua.org.br\/?p=11901"},"modified":"2025-08-14T10:34:45","modified_gmt":"2025-08-14T13:34:45","slug":"como-a-mudanca-acontece-construindo-o-sistema-que-queremos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/como-a-mudanca-acontece-construindo-o-sistema-que-queremos\/","title":{"rendered":"Como a mudan\u00e7a acontece: construindo o sistema que queremos"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-small-font-size\"><em>Imagem destaque | Por Foto de Tahir X\u0259lf\u0259 dispon\u00edvel no <a href=\"https:\/\/www.pexels.com\/pt-br\/foto\/colcha-de-retalhos-vibrante-realizada-pelo-grupo-outdoors-33354747\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.pexels.com\/pt-br\/foto\/colcha-de-retalhos-vibrante-realizada-pelo-grupo-outdoors-33354747\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pexels <\/a><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><em>* Por Maria Chertok e Chandrika Sahai<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Voc\u00ea j\u00e1 parou para pensar que uma boa teoria de mudan\u00e7a muitas vezes n\u00e3o corresponde inteiramente \u00e0 forma como as pessoas envolvidas vivenciam a mudan\u00e7a?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Na&nbsp;<a href=\"https:\/\/global-dialogue.org\/programmes\/philanthropy-for-social-justice-and-peace-psjp\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">PSJP<\/a>, chegamos \u00e0 gradual e preocupante constata\u00e7\u00e3o de que grande parte das nossas pressuposi\u00e7\u00f5es sobre como as mudan\u00e7as acontecem estavam erradas. E n\u00e3o apenas n\u00f3s. \u00c9 incr\u00edvel que, mesmo tendo a filantropia o prop\u00f3sito de promover a mudan\u00e7a social, as pessoas que trabalham na \u00e1rea raramente pensam sobre como a mudan\u00e7a realmente acontece. Quando come\u00e7amos a falar sobre isso, as pessoas se veem obrigadas a reconhecer que h\u00e1 uma grande lacuna entre as nossas teorias de mudan\u00e7a e a nossa experi\u00eancia com a mudan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">As nossas teorias frequentemente derivam do que John Paul Lederach descreveu recentemente como o mundo das \u201ccalibra\u00e7\u00f5es mec\u00e2nicas\u201d. Falamos sobre impacto, resultados e produtos, conclus\u00f5es baseadas em evid\u00eancias, e assim por diante. Emprestadas do mundo dos neg\u00f3cios (de onde emana grande parte da filantropia institucional), as nossas formas ditam a fun\u00e7\u00e3o. No entanto, como Lederach tamb\u00e9m observou, \u201cas nossas formas t\u00eam ditado, acredito eu, em \u00faltima an\u00e1lise, o prop\u00f3sito\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Isso gera um grande problema, ou seja, nada muda. N\u00e3o \u00e9 segredo que <a href=\"https:\/\/www.alliancemagazine.org\/blog\/aid-is-dying-the-time-to-shiftthepower-is-now\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">os sistemas globais da filantropia e de apoio internacional j\u00e1 n\u00e3o correspondem ao seu prop\u00f3sito<\/a>. A cada ano, estabelecemos um objetivo maior, mas nunca parecemos mais perto de alcan\u00e7\u00e1-lo. Apenas recentemente \u00e9 que surgiram chamados \u00e0 decolonialidade, localiza\u00e7\u00e3o, filantropia baseada em confian\u00e7a e come\u00e7amos a questionar a exist\u00eancia de racismo estrutural no setor. Em sua ess\u00eancia, esses questionamentos procuram definir a representa\u00e7\u00e3o, a solidariedade, a confian\u00e7a e a justi\u00e7a como os s\u00edmbolos do sistema que queremos. No entanto, continua a haver uma grande dist\u00e2ncia entre a nossa ret\u00f3rica e a nossa pr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Impulsionados pelo choque da nossa pr\u00f3pria ingenuidade, sentimos que, enquanto setor, precisamos buscar seriamente entender como a mudan\u00e7a realmente acontece. Para tanto, a PSJP embarcou em uma s\u00e9rie de di\u00e1logos para desvendar como n\u00f3s, como atores da filantropia e do desenvolvimento, <em>vivenciamos<\/em> a mudan\u00e7a. Pedimos a parceiros do setor de filantropia \u2013 f\u00f3runs como WINGS, PEX, African Philanthropy Conference e um grupo diversificado de atores da sociedade civil e da filantropia \u2013 que compartilhassem as suas hist\u00f3rias de mudan\u00e7a nos n\u00edveis pessoal, relacional, organizacional ou sist\u00eamico. As conversas foram ricas e comoventes. Elas abordaram m\u00faltiplos aspectos da mudan\u00e7a, desde pequenos ajustes na vida pessoal e nos relacionamentos, passando por restrutura\u00e7\u00f5es em organiza\u00e7\u00f5es, at\u00e9 mudan\u00e7as de paradigma na forma como enxergamos o mundo. Os gatilhos para essas mudan\u00e7as foram os mais variados: filhos, luto, relacionamentos, novos empregos, conversas, crise de identidade, mudan\u00e7a de resid\u00eancia, guerra&#8230; Ap\u00f3s cinco conversas, j\u00e1 aprendemos algumas li\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">A primeira, e a que queremos destacar aqui, nos leva a uma cita\u00e7\u00e3o de Buckminster Fuller.&nbsp;<em>\u2018N\u00e3o se muda algo lutando contra a realidade existente. Para mudar algo, \u00e9 preciso criar um novo modelo que torne o modelo existente obsoleto\u2019.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Ouvimos pessoas que transformaram seu trabalho de forma que as suas a\u00e7\u00f5es incorporassem os valores de justi\u00e7a, solidariedade, autonomia comunit\u00e1ria e confian\u00e7a que elas queriam para o mundo e para os sistemas globais de filantropia e apoio internacional. Tudo come\u00e7ou com uma sensa\u00e7\u00e3o persistente de contrariedade com o sistema em que trabalhavam.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"has-medium-font-size\"><em>\u2018Eu n\u00e3o queria continuar trabalhando em um sistema que n\u00e3o produzia os resultados que eu queria ver. Com o passar dos anos, me sentia cada vez mais inquieto, at\u00e9 que me vi diante de uma crise de identidade, perguntando: \u2018O que exatamente eu estou fazendo aqui?\u2019<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">As sementes dessa d\u00favida levaram, em um caso, \u00e0 completa reorienta\u00e7\u00e3o do que costumava ser um fundo de doadores europeus em um pa\u00eds africano para se tornar uma organiza\u00e7\u00e3o de base comunit\u00e1ria e, agora, liderada pela comunidade. Essa mudan\u00e7a se materializou lentamente ao longo de um per\u00edodo de dezesseis anos. Para outra pessoa, significou deixar um emprego confort\u00e1vel na filantropia global em Nair\u00f3bi para viver e trabalhar com comunidades na zona rural de Mo\u00e7ambique.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Para efetivamente adotar essa mudan\u00e7a, esses participantes precisaram abrir m\u00e3o de seu poder, privil\u00e9gios, conforto e seguran\u00e7a financeira. No n\u00edvel organizacional, isso significou perder doadores bilaterais, mas assumir mais responsabilidade e ganhar a confian\u00e7a da comunidade. No n\u00edvel pessoal, significou reduzir sal\u00e1rios e abrir m\u00e3o de estilos de vida confort\u00e1veis. No entanto, nos disseram que o pre\u00e7o pago foi baixo considerando o que foi ganho.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"has-medium-font-size\"><em>\u201cPassamos semanas nas comunidades em que estamos hoje. Quinze anos depois, continuamos nas mesmas comunidades. Seguimos nas mesmas aldeias, e os l\u00edderes com quem trabalhamos falam do respeito que t\u00eam pela nossa organiza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o porque sempre acertamos ou porque sempre podemos ajud\u00e1-los, mas porque sempre os ouvimos e nunca vamos embora. Continuamos l\u00e1 entre financiamentos e isso \u00e9 muito importante para mim.\u201d<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">O mais importante \u00e9 que a mudan\u00e7a os obrigou a abandonar as \u201cmetodologias e pressuposi\u00e7\u00f5es das ONGs\u201d sobre como a mudan\u00e7a acontece e se abrirem a novas formas de ser e fazer, criando processos e relacionamentos que contribu\u00edssem com o objetivo maior que buscavam originalmente. Uma grande mudan\u00e7a no sistema de valores desses exemplos foi a percep\u00e7\u00e3o do valor de pequenas a\u00e7\u00f5es institu\u00eddas localmente, em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 cren\u00e7a de que a mudan\u00e7a requer grandes ideias, implementadas de cima para baixo. As nossas conversas ressaltaram que, se nos concentrarmos em pequenas a\u00e7\u00f5es impulsionadas por um prop\u00f3sito e valores compartilhados, e as conectarmos, emergiremos como um sistema poderoso e influente. \u00c9 o conceito dos fractais \u2013 a compreens\u00e3o de que os padr\u00f5es se repetem em escala. Como um dos envolvidos colocou, \u201c<em>a quest\u00e3o ao n\u00edvel global ou nacional est\u00e1 ligada \u00e0 forma como conectamos as pequenas coisas<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Esse ato de criar pequenos modelos alternativos que refletem os valores que queremos se torna um ato de esperan\u00e7a e resili\u00eancia quando a mudan\u00e7a parece imposs\u00edvel. Em lugares com regimes autorit\u00e1rios e espa\u00e7os fechados para a sociedade civil, onde qualquer ato de resist\u00eancia ou iniciativa de reformar o sistema \u00e9 recebida com pris\u00e3o, ou at\u00e9 mesmo morte, a cria\u00e7\u00e3o de alternativas \u00e9 a \u00fanica op\u00e7\u00e3o. Como lembrou <a href=\"https:\/\/adriennemareebrown.net\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Adrienne Marie Brown<\/a>, \u2018o pequeno \u00e9 bom, o pequeno \u00e9 tudo\u2019. E por uma participante de um pa\u00eds em guerra nos foi dito que:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"has-medium-font-size\"><em>\u201cApesar de estarmos em guerra, vejo que as pessoas criam espa\u00e7os de paz onde podem. Elas tentam manter essa conex\u00e3o humana, o apoio m\u00fatuo e a solidariedade. Elas trabalham com os valores da paz e n\u00e3o da guerra. Esses espa\u00e7os podem ser muito granulares e podem n\u00e3o estar conectados, mas quando existe um n\u00famero suficiente deles e eles conseguem se conectar, a situa\u00e7\u00e3o pode mudar.\u201d<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Essa participante contou a hist\u00f3ria de uma mulher de seu pa\u00eds que retornou ao vilarejo de seus ancestrais, fundou uma ONG e come\u00e7ou a trabalhar com a popula\u00e7\u00e3o local. Inicialmente, n\u00e3o havia muitas pessoas no vilarejo dispostas a se oferecer para apoiar a guerra, mas depois as coisas mudaram.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"has-medium-font-size\"><em>\u201cNo in\u00edcio do ano, a popula\u00e7\u00e3o de mulheres idosas come\u00e7ou a confeccionar redes de camuflagem para as trincheiras, em apoio ao trabalho de guerra. E a\u00ed eu descobri um mercado que vende artesanato feito pela popula\u00e7\u00e3o local e eles disseram que, se consegu\u00edssemos que as senhoras tricotassem meias ou luvas, eles ajudariam a vend\u00ea-las, e o dinheiro seria revertido \u00e0s senhoras. Ent\u00e3o eu disse a elas: &#8216;talvez fosse melhor voc\u00eas pararem de fazer redes e come\u00e7arem a fazer meias. O mercado vender\u00e1 as meias e voc\u00eas podem ganhar um dinheiro. Assim voc\u00eas poderiam melhorar suas casas ou fazer algo com o jardim\u2019. Elas concordaram.\u201d<\/em> <em>A participante concluiu: \u201cN\u00e3o posso lhes dizer para n\u00e3o apoiarem a guerra, mas posso buscar uma alternativa para elas\u201d.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><br>Nossa primeira li\u00e7\u00e3o \u00e9 que a mudan\u00e7a requer a cria\u00e7\u00e3o de novos modelos do sistema que queremos, ainda que pequenos, e as nossas formas de ser e fazer devem incorporar os princ\u00edpios fundamentais, os relacionamentos essenciais e o prop\u00f3sito para o qual queremos contribuir &#8211; o de um mundo justo, pac\u00edfico e equitativo. E que nos tempos sombrios, tricotar meias em vez de redes de camuflagem \u00e9 uma express\u00e3o poderosa da nossa ag\u00eancia e da nossa for\u00e7a pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong><br><\/strong><strong>Maria Chertok <\/strong>\u00e9 profissional da \u00e1rea de filantropia, ex-diretora da CAF R\u00fassia e membro da equipe de gest\u00e3o da PSJP.<strong> Chandrika Sahai <\/strong>\u00e9 Gerente de Programas da PSJP.Originalmente publicado em: <a href=\"https:\/\/www.alliancemagazine.org\/blog\/how-change-happens-building-the-system-we-want\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.alliancemagazine.org\/blog\/how-change-happens-building-the-system-we-want\/<\/a><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea j\u00e1 parou para pensar que uma boa teoria de mudan\u00e7a muitas vezes n\u00e3o corresponde inteiramente \u00e0 forma como as pessoas envolvidas vivenciam a mudan\u00e7a?<\/p>","protected":false},"author":6,"featured_media":11903,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59,1],"tags":[246,245,244],"class_list":["post-11901","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-psjp","category-uncategorized","tag-decolonialidade","tag-mudanca-social","tag-proposito"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11901","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11901"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11901\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11903"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11901"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11901"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11901"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}