{"id":11336,"date":"2025-06-06T15:56:31","date_gmt":"2025-06-06T18:56:31","guid":{"rendered":"https:\/\/redecomua.org.br\/?p=11336"},"modified":"2025-06-06T16:04:03","modified_gmt":"2025-06-06T19:04:03","slug":"confianca-escuta-e-protagonismo-elas-celebra-25-anos-fortalecendo-liderancas-de-mulheres-cis-trans-e-pessoas-de-outras-transidentidades-nos-territorios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/confianca-escuta-e-protagonismo-elas-celebra-25-anos-fortalecendo-liderancas-de-mulheres-cis-trans-e-pessoas-de-outras-transidentidades-nos-territorios\/","title":{"rendered":"Confian\u00e7a, escuta e protagonismo: ELAS+ celebra 25 anos fortalecendo lideran\u00e7as de mulheres cis, trans e pessoas de outras transidentidades nos territ\u00f3rios"},"content":{"rendered":"<p><em><sub>Savana Brito &#8211; Reprodu\u00e7\u00e3o\/Fundo ELAS+<\/sub><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Completando 25 anos em 2025, o ELAS+ Doar para Transformar \u00e9 o primeiro fundo brasileiro de investimento social dedicado exclusivamente \u00e0 promo\u00e7\u00e3o do protagonismo de mulheres cis, trans e de outras transidentidades. Reconhecido como refer\u00eancia na filantropia feminista, o fundo investe no fortalecimento de organiza\u00e7\u00f5es e grupos liderados por essas popula\u00e7\u00f5es, que s\u00e3o historicamente exclu\u00eddas do acesso a recursos. Com uma atua\u00e7\u00e3o enraizada na escuta, confian\u00e7a e flexibilidade, o ELAS+ t\u00eam contribu\u00eddo para consolidar um ecossistema de apoio que respeita os saberes dos territ\u00f3rios e aposta na pot\u00eancia das lideran\u00e7as comunit\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta entrevista \u00e0 Rede Comu\u00e1, Savana Brito, diretora executiva do ELAS+, revisita os marcos dessa trajet\u00f3ria e reflete sobre os desafios de fazer filantropia com um olhar interseccional. Ela destaca a import\u00e2ncia de alinhar justi\u00e7a de g\u00eanero, racial e clim\u00e1tica, comenta o cen\u00e1rio atual da filantropia no Brasil e refor\u00e7a a urg\u00eancia de descentralizar o poder e democratizar o acesso a recursos.<\/p>\n\n\n\n<p>Good reading!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O ELAS+ completa 25 anos em agosto de 2025. Quais momentos ou conquistas voc\u00ea destacaria nessa trajet\u00f3ria? E que aprendizados essa caminhada revela sobre a pot\u00eancia da filantropia feminista no Brasil?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo desses 25 anos, o ELAS+ tem conseguido alcan\u00e7ar grupos e territ\u00f3rios historicamente exclu\u00eddos do acesso a recursos. Estamos falando de organiza\u00e7\u00f5es que muitas vezes n\u00e3o possuem CNPJ, endere\u00e7o formal ou estrutura institucional m\u00ednima. Ent\u00e3o \u00e9 uma grande conquista ver os recursos chegando a esses lugares e acompanhar, de perto, o fortalecimento desses grupos a partir de um primeiro apoio. Vimos muitos grupos se desenvolverem institucionalmente, ampliar suas fontes de recursos, come\u00e7ar a acessar grandes financiadores e funda\u00e7\u00f5es. Alguns, inclusive, conseguiram conquistar sede pr\u00f3pria. E isso representa um avan\u00e7o enorme, pois cria condi\u00e7\u00f5es reais de sustentabilidade para essas organiza\u00e7\u00f5es e os seus ativismos a m\u00e9dio e longo prazo.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Isso s\u00f3 foi poss\u00edvel por conta do modelo de apoio flex\u00edvel que a gente tem, e dessa premissa de escuta do ecossistema de organiza\u00e7\u00f5es, construindo confian\u00e7a com o campo e as organiza\u00e7\u00f5es que a gente apoia. Ver esses grupos integrando esse ecossistema cada vez mais de um lugar de protagonismo, pautando a filantropia para que ela se baseie cada vez mais nas necessidades e demandas dos pr\u00f3prios territ\u00f3rios, \u00e9 algo muito importante e que ainda pode avan\u00e7ar ainda mais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Acredito que um dos grandes aprendizados \u00e9 essa forma especial que fazemos filantropia aqui na Am\u00e9rica Latina, e falando especialmente dos fundos de mulheres, a partir desse modelo que aposta na flexibilidade, confian\u00e7a e escuta dos grupos. O aprendizado \u00e9 m\u00fatuo, a gente aprende muito com a resili\u00eancia e a capacidade de articula\u00e7\u00e3o, as solu\u00e7\u00f5es e respostas a momentos de crise e desafios que as pr\u00f3prias organiza\u00e7\u00f5es e as mulheres cis, trans e pessoas de outras transidentidades articulam nos seus territ\u00f3rios.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E pra gente hoje tamb\u00e9m \u00e9 uma alegria ver que existe todo um ecossistema de fundos comunit\u00e1rios e independentes no Brasil, e o ELAS+ foi um dos primeiros. A gente se orgulha muito disso, de ter caminhado junto ao longo desses 25 anos, e ter podido ver surgir, florescer e se fortalecer todo um campo no Brasil de fundos independentes que hoje trabalham em conjunto para que a filantropia privada brasileira se comprometa com o apoio \u00e0 sociedade civil, a organiza\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias, grupos, coletivos e movimentos, especialmente de grupos historicamente minorizados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Atuando nas agendas de g\u00eanero, ra\u00e7a, transidentidades e meio ambiente, o que significa fazer filantropia com esse olhar interseccional? Pode compartilhar exemplos que traduzem essa abordagem?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Fazer filantropia dessa perspectiva interseccional \u00e9 reconhecer as interrela\u00e7\u00f5es entre as diferentes formas de desigualdade. Estar perto de grupos e organiza\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias faz a gente entender, cada vez mais, que n\u00e3o d\u00e1 pra trabalhar justi\u00e7a ambiental sem falar de justi\u00e7a social e de g\u00eanero. N\u00e3o d\u00e1 pra enfrentar a crise clim\u00e1tica sem enfrentar tamb\u00e9m o racismo, a viol\u00eancia de g\u00eanero, a LBTfobia, as desigualdades hist\u00f3ricas. N\u00e3o d\u00e1 pra separar uma coisa da outra. Os mesmos grupos ou comunidades que sofrem com viol\u00eancia racial, com ataques aos seus territ\u00f3rios, convivem com situa\u00e7\u00f5es de inseguran\u00e7a alimentar, falta de acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel, \u00e0 moradia digna, com as v\u00e1rias formas de viol\u00eancia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Dentro do ELAS+, acho que o maior exemplo que eu posso trazer \u00e9 o Mulheres em Movimento, que \u00e9 o nosso maior programa. Desde a primeira edi\u00e7\u00e3o, l\u00e1 em 2017, ele j\u00e1 nasceu com essa proposta de reunir uma diversidade de agendas e movimentos que, mesmo com as suas diferentes prioridades, objetivos e at\u00e9 metodologias, se encontram na luta por justi\u00e7a social, por maior participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, por ocupar espa\u00e7os de poder e tomada de decis\u00e3o, pelo direito a uma vida digna. E a gente enxerga como esses grupos atuam em m\u00faltiplas frentes e lidam cotidianamente com realidades complexas de desigualdade e resist\u00eancia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outro \u00f3timo exemplo \u00e9 o trabalho da pr\u00f3pria Rede Comu\u00e1, que promove uma alian\u00e7a entre fundos e organiza\u00e7\u00f5es que atuam com diferentes popula\u00e7\u00f5es, metodologias, agendas e focos. Em vez de fragmentar essas pautas, a Rede reconhece as conex\u00f5es profundas entre elas e estrutura suas estrat\u00e9gias de incid\u00eancia e apoio justamente para fortalecer essas lutas de maneira integrada e articulada. Fazer filantropia com esse olhar interseccional \u00e9, antes de tudo, reconhecer essas conex\u00f5es. \u00c9 entender que descentralizar recursos significa, tamb\u00e9m, buscar reparar as m\u00faltiplas injusti\u00e7as e permitir que os pr\u00f3prios grupos definam o que \u00e9 priorit\u00e1rio, o que \u00e9 mais importante em um determinado momento, de que forma querem atuar, respeitando os saberes acumulados naquele territ\u00f3rio e as demandas das pessoas que vivem ali.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 essa filantropia que a gente defende e acredita: uma filantropia que n\u00e3o chega impondo o que \u00e9 importante ou como deve ser feito, mas que apoia, fortalece e caminha junto. N\u00e3o somos n\u00f3s que vamos dizer o que \u00e9 priorit\u00e1rio ou \u201ccomo fazer\u201d, s\u00e3o as pr\u00f3prias comunidades e organiza\u00e7\u00f5es que v\u00e3o definir isso com o nosso apoio e suporte.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/wp-content\/smush-webp\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-05-08-at-16.04.50-1-1024x768.jpeg.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-11338\" srcset=\"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/wp-content\/smush-webp\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-05-08-at-16.04.50-1-1024x768.jpeg.webp 1024w, https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/wp-content\/smush-webp\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-05-08-at-16.04.50-1-300x225.jpeg.webp 300w, https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/wp-content\/smush-webp\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-05-08-at-16.04.50-1-768x576.jpeg.webp 768w, https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/wp-content\/smush-webp\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-05-08-at-16.04.50-1-16x12.jpeg.webp 16w, https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-05-08-at-16.04.50-1.jpeg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Congresso GIFE 2025 &#8211; Foto: Rede Comu\u00e1 <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Como o ELAS+ tem integrado a agenda do clima \u00e0 sua atua\u00e7\u00e3o, especialmente em um momento em que o debate clim\u00e1tico ganha for\u00e7a no Brasil com a aproxima\u00e7\u00e3o da COP30? Que experi\u00eancias lideradas por mulheres t\u00eam mostrado que g\u00eanero-ra\u00e7a-transidentidades e justi\u00e7a clim\u00e1tica caminham juntas nos territ\u00f3rios?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ano passado a gente lan\u00e7ou uma pesquisa super importante: \u201cJusti\u00e7a Clim\u00e1tica e Ativismos Feministas\u201d, que ouviu 1.280 grupos e organiza\u00e7\u00f5es lideradas por mulheres cis, trans e pessoas de outras transidentidades. E identificamos que, ao mesmo tempo que est\u00e3o entre as popula\u00e7\u00f5es mais impactadas, esses grupos s\u00e3o parte fundamental na constru\u00e7\u00e3o de respostas e solu\u00e7\u00f5es aos eventos clim\u00e1ticos extremos. Elas v\u00eam desenvolvendo um trabalho que vai desde a prote\u00e7\u00e3o e defesa dos territ\u00f3rios at\u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de planos de conting\u00eancia, respostas comunit\u00e1rias como a constru\u00e7\u00e3o de redes de apoio e mutir\u00f5es de reconstru\u00e7\u00e3o, capacita\u00e7\u00f5es, campanhas de sensibiliza\u00e7\u00e3o e conscientiza\u00e7\u00e3o&#8230; uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es desenvolvidas a partir dos pr\u00f3prios territ\u00f3rios. E a gente tem conseguido produzir conhecimento sobre essas respostas e solu\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Foi a partir dessa escuta do campo, da pesquisa que fizemos, que a gente decidiu lan\u00e7ar o Edital ELAS Pela Terra este ano. A ideia \u00e9 intensificar ainda mais o nosso apoio a esses grupos liderados por mulheres cis, trans e outras transidades que atuam nessas pautas e que tem liderado solu\u00e7\u00f5es e respostas \u00e0 crise clim\u00e1tica &#8211; especialmente as mulheres ind\u00edgenas, quilombolas, ribeirinhas, extrativistas, moradoras de regi\u00f5es perif\u00e9ricas das grandes cidades\u2026 Isso \u00e9 muito importante se a gente levar em considera\u00e7\u00e3o que o financiamento para esses grupos ainda \u00e9 muito t\u00edmido &#8211; algumas estimativas falam em apenas 1% do total dos recursos para o financiamento clim\u00e1tico que vai para organiza\u00e7\u00f5es ou projetos que trabalham a justi\u00e7a clim\u00e1tica em intersec\u00e7\u00e3o com uma perspectiva de g\u00eanero. Ent\u00e3o h\u00e1 muito trabalho ainda para ser feito.<\/p>\n\n\n\n<p>O ELAS+ tamb\u00e9m tem integrado uma s\u00e9rie de alian\u00e7as e redes muito importantes nesse debate clim\u00e1tico. Um exemplo \u00e9 a GAGGA \u2014 a Alian\u00e7a Global por A\u00e7\u00f5es Verdes e de G\u00eanero \u2014 uma rede que conecta fundos e organiza\u00e7\u00f5es de cinco continentes, que a gente integra desde 2021. Aqui no Brasil, a gente tamb\u00e9m atua junto \u00e0 Alian\u00e7a Entre Fundos, com os nossos parceiros que fazem parte da Rede Comu\u00e1 &#8211; o Fundo Brasil e o Fundo Casa. Juntos a gente tem conseguido construir estrat\u00e9gias para incidir nessa agenda e tamb\u00e9m atuado de forma muito ativa para direcionar o financiamento clim\u00e1tico para as organiza\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias, para que esse financiamento seja realmente inclusivo, sustent\u00e1vel e, acima de tudo, justo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sabemos que as solu\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas est\u00e3o nos territ\u00f3rios, e que na maioria das vezes, s\u00e3o as&nbsp; mulheres cis e trans, especialmente negras, ind\u00edgenas e perif\u00e9ricas, que lideram essas respostas. O que significa para o ELAS+ apoiar essas lideran\u00e7as ?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Acho que isso est\u00e1 no nosso \u201cDNA\u201d, \u00e9 algo que faz parte da nossa miss\u00e3o desde o come\u00e7o. Se voc\u00ea olhar os nossos primeiros editais, o ELAS+ j\u00e1 apoiava grupos e organiza\u00e7\u00f5es liderados por mulheres ind\u00edgenas, quilombolas, mulheres que h\u00e1 mais de 20 anos defendem seus territ\u00f3rios, protegem suas comunidades e atuam na agenda ambiental. O que acontece \u00e9 que na \u00faltima d\u00e9cada houve um maior aprofundamento dessa agenda no debate p\u00fablico e uma maior conscientiza\u00e7\u00e3o por parte de alguns setores, al\u00e9m de um fortalecimento e letramento maior por parte da pr\u00f3pria sociedade civil e do ecossistema da filantropia, de conseguir articular e estar com maior seguran\u00e7a em determinados espa\u00e7os de decis\u00e3o, fazer mobiliza\u00e7\u00e3o, incid\u00eancia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para a gente, seguir fortalecendo as estrat\u00e9gias de apoio a essas lideran\u00e7as \u00e9 motivo de orgulho. Realmente entendemos que o aprendizado \u00e9 m\u00fatuo e estar ao lado delas nos Di\u00e1logos &#8211; que s\u00e3o encontros que fazem parte da nossa metodologia &#8211; s\u00e3o momentos incr\u00edveis, em que a gente consegue visualizar e aprender com elas sobre como lidar com os desafios, as estrat\u00e9gias de resili\u00eancia, fortalecimento e cuidado m\u00fatuo, de articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e comunit\u00e1ria. A gente enxerga na pr\u00e1tica a pot\u00eancia daquilo que j\u00e1 est\u00e1 sendo feito, e entende que pode ser feito muito mais se houver mais recursos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Em um campo ainda marcado pela concentra\u00e7\u00e3o de poder e recursos, alian\u00e7as como a Rede Comu\u00e1 prop\u00f5em outra l\u00f3gica: a da constru\u00e7\u00e3o coletiva, da escuta e da confian\u00e7a nos territ\u00f3rios. O que voc\u00ea identifica que emerge a partir desse tipo de atua\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os fundos t\u00eam cada um suas expertises e focos de atua\u00e7\u00e3o, e quando a gente atua juntos a gente consegue criar uma complementaridade das agendas, das expertises, metodologias que cada um tem desenvolvido. Al\u00e9m de refor\u00e7ar v\u00e1rias vozes trazendo a mesma mensagem: as solu\u00e7\u00f5es e as estrat\u00e9gias j\u00e1 est\u00e3o sendo desenvolvidas nos territ\u00f3rios, e com isso a gente cria maior legitimidade e repercuss\u00e3o no campo, a gente passa a ser mais ouvido.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais do que nunca, \u00e9 tempo de atuar coletivamente, construir alian\u00e7as e atuar colaborativamente. Tem muito recurso mas ele n\u00e3o chega necessariamente onde tem que chegar. Essa atua\u00e7\u00e3o colaborativa e coletiva dos fundos comunit\u00e1rios e independentes \u00e9 uma forma de potencializar o acesso a esses recursos, de desbloquear fontes que s\u00e3o mais dif\u00edceis de acessar, ou at\u00e9 mesmo chegar a setores da filantropia que n\u00e3o est\u00e3o t\u00e3o abertos a apoiar essa forma de atua\u00e7\u00e3o, ou que n\u00e3o conhecem o trabalho que j\u00e1 est\u00e1 sendo desenvolvido nos territ\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por fim, olhando para os pr\u00f3ximos anos, quais s\u00e3o os sonhos, apostas e caminhos que o ELAS+ pretende seguir para continuar fortalecendo as lutas por direitos e reinventando o pr\u00f3prio campo da filantropia?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Olhando para os pr\u00f3ximos anos, o ELAS+ sonha com um cen\u00e1rio em que todas as organiza\u00e7\u00f5es que apoia tenham condi\u00e7\u00f5es plenas de desenvolver suas a\u00e7\u00f5es, se manter firmes e fortalecidas \u2014 n\u00e3o apenas existindo para resistir ou sobreviver, mas para transformar todo o conhecimento e a experi\u00eancia que acumulam em direitos concretos, em pol\u00edticas p\u00fablicas, em reconhecimento social. Queremos uma sociedade civil pulsante, com capacidade real de produzir avan\u00e7os em justi\u00e7a social, igualdade, equidade, e, principalmente, impulsionar a redistribui\u00e7\u00e3o de recursos e a descentraliza\u00e7\u00e3o do poder. Apostamos que a filantropia precisa, cada vez mais, colocar em pr\u00e1tica os aprendizados que temos acumulado coletivamente: confian\u00e7a, flexibilidade e protagonismo dos grupos e movimentos sociais. A filantropia n\u00e3o deve apenas ajudar na resist\u00eancia, mas ser parte ativa na constru\u00e7\u00e3o e fortalecimento de direitos, promovendo o bem comum e o bem viver.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, sabemos que esse caminho exige tamb\u00e9m que o ELAS+ siga se fortalecendo internamente. Depois de 25 anos de trajet\u00f3ria, tendo realizado tantos sonhos \u2014 como se consolidar enquanto fundo e ver todo um ecossistema florescer e tamb\u00e9m se consolidar \u2014, seguimos conscientes de que a sociedade \u00e9 din\u00e2mica, que nos provoca e nos move constantemente. Por isso, nosso compromisso \u00e9 manter a capacidade de transforma\u00e7\u00e3o como parte essencial da nossa identidade: seguir evoluindo para ser cada vez melhor, tanto para o p\u00fablico que apoiamos quanto para as pessoas que fazem parte da organiza\u00e7\u00e3o. \u00c9 esse duplo movimento \u2014 de fortalecimento interno e transforma\u00e7\u00e3o externa \u2014 que acreditamos ser essencial para continuar impulsionando as lutas por direitos e, ao mesmo tempo, reinventando o pr\u00f3prio campo da filantropia.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A diretora executiva do fundo, Savana Brito, compartilha os aprendizados da caminhada, os desafios da interseccionalidade e os caminhos para uma filantropia comprometida com justi\u00e7a social, de g\u00eanero e clim\u00e1tica<\/p>","protected":false},"author":6,"featured_media":11337,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[202,213,210,215],"class_list":["post-11336","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized","tag-entrevista","tag-filantropia-comunitaria","tag-financiamento","tag-fundo-elas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11336","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11336"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11336\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11337"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11336"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11336"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11336"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}