{"id":11171,"date":"2025-02-26T15:44:40","date_gmt":"2025-02-26T18:44:40","guid":{"rendered":"https:\/\/redecomua.org.br\/?p=11171"},"modified":"2025-02-26T15:44:41","modified_gmt":"2025-02-26T18:44:41","slug":"solucoes-locais-em-territorios-tradicionais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/solucoes-locais-em-territorios-tradicionais\/","title":{"rendered":"Solu\u00e7\u00f5es locais em territ\u00f3rios tradicionais\u00a0"},"content":{"rendered":"<p><sub>Aldeia Rio Silveira &#8211; Foto: Fernanda Biasoli\/FunBEA<\/sub><br><br><em><strong>*  Texto de Fernanda Biasoli &#8211;  jornalista FunBEA<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Em uma das trilhas da Aldeia Guarani Mbya Rio Silveiras, no litoral norte de S\u00e3o Paulo, o <em>case <\/em>para guardar equipamentos fotogr\u00e1ficos servia como banco improvisado para Neidinha Suru\u00ed, ativista do meio ambiente e dos direitos humanos reconhecida internacionalmente por sua luta em defesa dos povos origin\u00e1rios e comunidades tradicionais, dar o seu depoimento sobre o territ\u00f3rio que estava conhecendo. \u201c<em>N\u00f3s estamos conectados no planeta. N\u00e3o h\u00e1 uma desconex\u00e3o entre a Amaz\u00f4nia e a Mata Atl\u00e2ntica, o Pantanal, o Pampa, o Cerrado e a Caatinga. N\u00e3o h\u00e1\u201d<\/em>, enfatizava.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nascida no Acre e criada em Rond\u00f4nia, Neidinha fez quest\u00e3o de refor\u00e7ar que n\u00e3o restringe sua luta a lugar nenhum. \u201cEu sou defensora de todos os territ\u00f3rios, n\u00e3o s\u00f3 da Amaz\u00f4nia\u201d, me corrigiu, quando a defini como uma ativista pelo territ\u00f3rio amaz\u00f4nico. A fundadora da Associa\u00e7\u00e3o de Defesa Etnoambiental Kanind\u00e9, sediada em Porto Velho, voou mais de tr\u00eas mil quil\u00f4metros entre a Amaz\u00f4nia e a regi\u00e3o do litoral norte paulista a convite do FunBEA &#8211; Fundo Brasileiro de Educa\u00e7\u00e3o Ambiental, com o objetivo de visitar quatro comunidades tradicionais no bioma&nbsp; da Mata Atl\u00e2ntica, e compartilhar a sua luta com lideran\u00e7as que tamb\u00e9m defendem a preserva\u00e7\u00e3o dos seus territ\u00f3rios e modos de vida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O roteiro teve in\u00edcio no Quilombo do Sert\u00e3o de Itamambuca, em Ubatuba, um territ\u00f3rio de 509 hectares reconhecidos pelo INCRA em janeiro deste ano. No local, todos foram recebidos no Centro Comunit\u00e1rio Luiza Maria Barbosa. No fundo da sala, uma pintura cobria toda a parede, o retrato de Maria Janu\u00e1rio, que d\u00e1 nome ao centro, bisav\u00f3 de Adriana Leite, lideran\u00e7a comunit\u00e1ria e atual presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Remanescentes do Quilombo do Sert\u00e3o de Itamambuca. A figura da matriarca na parede central do centro de conviv\u00eancia coletiva \u00e9 uma representa\u00e7\u00e3o da retomada e manuten\u00e7\u00e3o da cultura, modos de vida e tradi\u00e7\u00f5es ancestrais que o Quilombo do Sert\u00e3o de Itamambuca vive h\u00e1 25 anos.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignright size-full is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"1280\" src=\"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/QuilomboItamambuca_FOTOBiancaAlmeida.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-11172\" style=\"aspect-ratio:0.6666666666666666;object-fit:cover;width:543px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/QuilomboItamambuca_FOTOBiancaAlmeida.jpeg 960w, https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/wp-content\/smush-webp\/2025\/02\/QuilomboItamambuca_FOTOBiancaAlmeida-225x300.jpeg.webp 225w, https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/wp-content\/smush-webp\/2025\/02\/QuilomboItamambuca_FOTOBiancaAlmeida-768x1024.jpeg.webp 768w, https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/wp-content\/smush-webp\/2025\/02\/QuilomboItamambuca_FOTOBiancaAlmeida-9x12.jpeg.webp 9w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><sub>Centro Comunit\u00e1rio do Quilombo do Sert\u00e3o de Itamambuca. Foto: Bianca Almeida\/FunBEA<\/sub><\/em><br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cDesde 2000 estamos brigando pelo quilombo. O meu av\u00f4 confiava em um advogado que tinha aqui e pagava tudo certinho. Quando meu av\u00f4 faleceu, a fam\u00edlia foi buscar o documento da terra e esse documento n\u00e3o existia. A gente foi enganado\u201d, conta Fernando Leite, irm\u00e3o de Adriana e guia tur\u00edstico no quilombo. De l\u00e1 para c\u00e1, os moradores se organizaram e hoje est\u00e3o avan\u00e7ando com as documenta\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para a homologa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio. Outro ponto que est\u00e1 sendo trabalhado pela associa\u00e7\u00e3o \u00e9 a ocupa\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os de incid\u00eancia em pol\u00edticas p\u00fablicas, como os conselhos municipais, para garantir os seus direitos \u00e0 terra e \u00e0 prote\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O resgate da cultura quilombola, al\u00e9m de se materializar na pintura de Maria Janu\u00e1rio no Centro Comunit\u00e1rio, tamb\u00e9m se materializa na terra propriamente dita, aquela com <em>t <\/em>min\u00fasculo. Do outro lado do rio Itamambuca, que atravessa o quilombo, est\u00e1 a ro\u00e7a comunit\u00e1ria onde cultivam banana, mandioca, milho e feij\u00e3o. Uma churrasqueira improvisada, com algumas bananas grelhadas esquecidas, n\u00e3o deixa d\u00favidas de que o espa\u00e7o \u00e9 utilizado frequentemente pelos moradores. O alimento plantado e preparado ali alimenta mas, mais do que isso, mant\u00e9m vivas as tradi\u00e7\u00f5es e afetos dos corpos-territ\u00f3rios que existem no Sert\u00e3o de Itamambuca.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><br><strong>Territ\u00f3rios fortalecidos buscando solu\u00e7\u00f5es locais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Essa luta pela defesa e preserva\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio esteve presente nas falas ouvidas durante os tr\u00eas dias de visita de Neidinha Suru\u00ed que, al\u00e9m do Sert\u00e3o de Itamambuca, conheceu tamb\u00e9m o Quilombo da Ca\u00e7andoca, a Terra Ind\u00edgena Ywyty-Gua\u00e7u (Aldeia Renascer) e a Aldeia Guarani Mbya Rio Silveiras, todos localizados no litoral norte de S\u00e3o Paulo, territ\u00f3rio encravado na Mata Atl\u00e2ntica remanescente do estado e que abriga as importantes nascentes de abastecimento da regi\u00e3o sudeste brasileira. As quatro comunidades foram selecionadas pela \u201cChamada P\u00fablica FunBEA: pela Justi\u00e7a e Educa\u00e7\u00e3o Ambiental e Clim\u00e1tica\u201d, que tinha o objetivo de apoiar, de maneira direta (financeira) e indireta (formadora), coletivos, movimentos e organiza\u00e7\u00f5es socioambientais que atuam em prol da justi\u00e7a clim\u00e1tica na regi\u00e3o. O FunBEA acredita que, ao fortalecer esses atores e territ\u00f3rios, estar\u00e1, tamb\u00e9m, enfrentando a crise clim\u00e1tica a partir do fomento \u00e0s solu\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas locais (SCLs).<\/p>\n\n\n\n<p>According to <a href=\"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/\">Common Network<\/a>, a rede de fundos independentes descentralizadores de recursos da qual o FunBEA faz parte, <a href=\"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/comua-pelo-clima\/\">solu\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas locais<\/a> s\u00e3o<strong> \u201csolu\u00e7\u00f5es criadas por e para as comunidades, com base nas especificidades dos territ\u00f3rios e grupos envolvidos, voltadas para o fortalecimento da a\u00e7\u00e3o coletiva na defesa de direitos, e incluem uma variedade de abordagens\u201d<\/strong>. Essas abordagens dizem respeito a iniciativas de adapta\u00e7\u00e3o e mitiga\u00e7\u00e3o, conserva\u00e7\u00e3o e restaura\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o e sensibiliza\u00e7\u00e3o, inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e fortalecimento comunit\u00e1rio. <em>\u201c\u00c9 preciso ter esse entendimento de que quando voc\u00ea apoia o fortalecimento de uma popula\u00e7\u00e3o, seja tradicional, seja perif\u00e9rica, voc\u00ea est\u00e1 fortalecendo a preserva\u00e7\u00e3o de um local. E voc\u00ea n\u00e3o preserva s\u00f3 a cultura e a identidade, voc\u00ea est\u00e1 preservando a vida e assim lutando contra as emerg\u00eancias clim\u00e1ticas\u201d<\/em>, explica Neidinha Suru\u00ed, que tamb\u00e9m integra o conselho deliberativo do FunBEA.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-d8080824f4046e94ba4070aa30a3dbdf\"><em>\u201cA nossa retomada \u00e9 um chamado da terra para ajudarmos no seu renascimento\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><br><strong>Territ\u00f3rios de retomada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Seguindo a viagem, fomos em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 T.I Ywyty-Gua\u00e7u (Aldeia Renascer), tamb\u00e9m localizada na cidade de Ubatuba. Assim como o Quilombo do Sert\u00e3o de Itamambuca, a aldeia ind\u00edgena existe a partir de um processo de retomada, manuten\u00e7\u00e3o e defesa do seu territ\u00f3rio h\u00e1 quase trinta anos. A Terra Ind\u00edgena \u00e9 um exemplo claro de desenvolvimento e execu\u00e7\u00e3o das solu\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas locais. Ali, s\u00e3o realizados projetos de restaura\u00e7\u00e3o a partir da produ\u00e7\u00e3o e plantio de mudas nativas da Mata Atl\u00e2ntica, al\u00e9m do monitoramento da fauna e da flora locais, com projetos pensados a partir da l\u00f3gica ind\u00edgena e baseados nos saberes tradicionais e ancestrais. A Aldeia Renascer tamb\u00e9m \u00e9 um atestado de como a ocupa\u00e7\u00e3o e demarca\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios tradicionais \u00e9 fundamental para a prote\u00e7\u00e3o ambiental. Mas para entender melhor, precisamos voltar (um pouco) no tempo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1548, durante viagem ao Brasil, um mercen\u00e1rio alem\u00e3o foi capturado por ind\u00edgenas Tupinamb\u00e1s e mantido prisioneiro durante nove meses. Quando finalmente solto, retornou ao seu pa\u00eds de origem e escreveu um relato sobre sua experi\u00eancia que o deixou mundialmente famoso. Esse alem\u00e3o se chamava Hans Staden e a parte curiosa \u00e9 que a sua captura e pris\u00e3o aconteceram na regi\u00e3o do litoral norte de S\u00e3o Paulo. Fazendo um grande salto temporal, na d\u00e9cada de 90, o cineasta brasileiro Luiz Alberto Pereira decidiu contar esta hist\u00f3ria e procurou um local para filmar o seu filme.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O lugar onde hoje \u00e9 a Aldeia Renascer foi escolhido como loca\u00e7\u00e3o para o filme e, para as grava\u00e7\u00f5es, foram constru\u00eddas diversas moradias ind\u00edgenas. Ao final do projeto, ind\u00edgenas tupi-guarani que habitavam outras regi\u00f5es do litoral paulista e estavam envolvidos com a produ\u00e7\u00e3o, perceberam que o local das grava\u00e7\u00f5es era uma terra que fora h\u00e1 muito ocupada por seus ancestrais. As evid\u00eancias dessa ocupa\u00e7\u00e3o estavam na presen\u00e7a de sambaquis (s\u00edtios arqueol\u00f3gicos formados por conchas, ossos de peixes e restos de animais) e de um cemit\u00e9rio ind\u00edgena. Iniciou-se, ent\u00e3o, um processo de retomada e ocupa\u00e7\u00e3o daquele territ\u00f3rio que sempre pertenceu aos povos origin\u00e1rios.<br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignleft size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" data-src=\"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/image.jpeg\" alt=\"O atributo alt desta imagem est\u00e1 vazio. O nome do arquivo \u00e9 AldeiaRenascer_FOTOBiancaAlmeida-1-768x1024.jpeg\" class=\"wp-image-11186 lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 768px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 768\/1024;width:497px;height:auto\" data-srcset=\"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/image.jpeg 768w, https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/wp-content\/smush-webp\/2025\/02\/image-225x300.jpeg.webp 225w, https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/wp-content\/smush-webp\/2025\/02\/image-9x12.jpeg.webp 9w\" data-sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><sub>Opy (Casa de Reza em tupi-guarani) da Aldeia Renascer. Foto: Bianca Almeida\/FunBEA<\/sub><\/em><br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A regi\u00e3o tamb\u00e9m estava devastada pela minera\u00e7\u00e3o e pelo desmatamento, sofrendo com perda de biodiversidade, polui\u00e7\u00e3o e assoreamento de rios. Durante os per\u00edodos mais cr\u00edticos da retomada, aconteceram conflitos entre os ind\u00edgenas e mineradores, que atearam fogo nas moradias constru\u00eddas para o filme e que serviam efetivamente como casas para a comunidade que se formava ali.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cA nossa retomada \u00e9 um chamado da terra para ajudarmos no seu renascimento\u201d<\/em>. \u00c9 assim que Thiago Aw\u00e1 Tup\u00e3 Mirim, lideran\u00e7a da T.I Ywyty-Gua\u00e7u, define o processo de ocupa\u00e7\u00e3o, resgate, restaura\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o que a comunidade ind\u00edgena realiza no territ\u00f3rio. Thiago contou a Neidinha que a explora\u00e7\u00e3o por parte da minera\u00e7\u00e3o deixou o territ\u00f3rio mais vulner\u00e1vel aos eventos clim\u00e1ticos extremos e, com isso, a parte central da Aldeia vem sofrendo com enchentes cada vez mais frequentes. Ali, est\u00e3o localizadas a escola e a <em>Opy<\/em> (Casa de Reza em tupi-guarani). Segundo Thiago, as enchentes que aconteciam de oito em oito anos, agora acontecem de seis em seis.&nbsp;<br><\/p>\n\n\n\n<p>Se as consequ\u00eancias de um problema global (a crise clim\u00e1tica) s\u00e3o locais, as solu\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m devem ser. \u201c<em>A gente sabe de que forma d\u00e1 para minimizar esse impacto<\/em>\u201d, afirma o l\u00edder ind\u00edgena. Por isso, desde 1998 o projeto de produ\u00e7\u00e3o e plantio de mudas nativas da Mata Atl\u00e2ntica vem restaurando o territ\u00f3rio da Aldeia Renascer, principalmente as partes mais afetadas&nbsp; pela minera\u00e7\u00e3o. As mudan\u00e7as de um territ\u00f3rio ocupado pelos povos origin\u00e1rios s\u00e3o percept\u00edveis a todos os olhos: no lugar do desmatamento e da polui\u00e7\u00e3o mineradora, agora circulam ali animais amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o, aves end\u00eamicas da Mata Atl\u00e2ntica, al\u00e9m da presen\u00e7a de uma flora cada vez mais diversa e fortalecida. \u201c<em>Estamos protegendo para nossa fauna tamb\u00e9m, o territ\u00f3rio n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 nosso, dos ind\u00edgenas, \u00e9 de todo o ecossistema, \u00e9 manter toda a biodiversidade<\/em>\u201d, explica Thiago.&nbsp; Durante conversa com o l\u00edder ind\u00edgena, Neidinha Suru\u00ed confessou que sempre teve medo da Amaz\u00f4nia virar uma Mata Atl\u00e2ntica em rela\u00e7\u00e3o ao desmatamento. Um medo mais do que leg\u00edtimo. Enquanto a primeira assiste a um ritmo constante de devasta\u00e7\u00e3o, o segundo bioma j\u00e1 lida com as consequ\u00eancias de ter perdido 87,6% do seu territ\u00f3rio original. \u201c<em>O juru\u00e1 (homem branco em tupi-guarani) dividiu os biomas, mas a floresta \u00e9 uma s\u00f3<\/em>\u201d, diz Thiago.<\/p>\n\n\n\n<p>O projeto de restaura\u00e7\u00e3o da Aldeia Renascer liderado pela comunidade ind\u00edgena&nbsp; torna o territ\u00f3rio mais resiliente \u00e0s enchentes, trabalha a conserva\u00e7\u00e3o e restaura\u00e7\u00e3o da fauna e flora local e contribui com o fortalecimento comunit\u00e1rio da aldeia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Ca\u00e7andoca: o para\u00edso quilombola que resiste!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" data-src=\"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/wp-content\/smush-webp\/2025\/02\/QuilomboCacandoca_FOTOBiancaAlmeida-1024x768.jpeg.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-11178 lazyload\" data-srcset=\"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/wp-content\/smush-webp\/2025\/02\/QuilomboCacandoca_FOTOBiancaAlmeida-1024x768.jpeg.webp 1024w, https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/wp-content\/smush-webp\/2025\/02\/QuilomboCacandoca_FOTOBiancaAlmeida-300x225.jpeg.webp 300w, https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/wp-content\/smush-webp\/2025\/02\/QuilomboCacandoca_FOTOBiancaAlmeida-768x576.jpeg.webp 768w, https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/wp-content\/smush-webp\/2025\/02\/QuilomboCacandoca_FOTOBiancaAlmeida-16x12.jpeg.webp 16w, https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/QuilomboCacandoca_FOTOBiancaAlmeida.jpeg 1280w\" data-sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 1024px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 1024\/768;\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><sub>Quilombo da Ca\u00e7andoca, em Ubatuba. Foto: Bianca Almeida\/FunBEA<\/sub><\/em><br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Uma paisagem cada vez mais rara no litoral norte de S\u00e3o Paulo comp\u00f5e o primeiro quilombo do Brasil a ser reconhecido em terras mar\u00edtimas. O Quilombo da Ca\u00e7andoca, em Ubatuba, \u00e9 um descanso aos olhos fatigados das mans\u00f5es, <em>resorts<\/em> It is <em>beach clubs<\/em> que povoam a regi\u00e3o. Algumas poucas barracas de madeira coloridas tingem o horizonte aberto e calmo da praia do quilombo. Na Ca\u00e7andoca, olhar o mar ainda \u00e9 um direito garantido a todos que existem ali, fruto da resist\u00eancia \u00e0 especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria de uma das cidades litor\u00e2neas mais famosas de S\u00e3o Paulo. Hoje, al\u00e9m de enfrentar a press\u00e3o contra o territ\u00f3rio, seus moradores tamb\u00e9m atuam para preservar os saberes que h\u00e1 muito s\u00e3o passados de gera\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>A gente coloca ela no \u00e1lcool e deixa uma semana mais ou menos, a\u00ed come\u00e7a a usar. Mas se voc\u00ea tiver um corte, n\u00e3o pode usar, em ferida aberta n\u00e3o pode. S\u00f3 em machucado. A\u00ed faz uma compressa e usa<\/em>\u201d. As instru\u00e7\u00f5es para o uso da erva-baleeira s\u00e3o de Dona Rosa, uma das moradoras mais antigas do Quilombo da Ca\u00e7andoca. Saberes como esse ser\u00e3o preservados com a Casa de Sa\u00fade Diferenciada, estrutura que est\u00e1 sendo constru\u00edda dentro do quilombo a partir de um apoio do FunBEA. Nela, os conhecimentos da medicina tradicional ser\u00e3o unidos \u00e0s sabedorias dos anci\u00f5es e anci\u00e3s da Ca\u00e7andoca, conhecidos como \u201cgri\u00f4s\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Se antes os moradores da Ca\u00e7andoca precisavam caminhar cerca de sete quil\u00f4metros at\u00e9 o posto de sa\u00fade mais pr\u00f3ximo, hoje, s\u00e3o os m\u00e9dicos que v\u00e3o at\u00e9 o quilombo. Mesmo com a estrutura ainda n\u00e3o finalizada, profissionais de diferentes \u00e1reas j\u00e1 est\u00e3o se fazendo presentes. De acordo com Rafaela Marcolino, presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Remanescentes da Comunidade do Quilombo da Ca\u00e7andoca, depois de sete anos a comunidade possui novamente um agente de sa\u00fade dentro do territ\u00f3rio, al\u00e9m de uma fisioterapeuta e um m\u00e9dico que realizam visitas quinzenais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cA gente n\u00e3o quer um postinho, a gente quer um Centro de <\/em><em>Sa\u00fade<\/em><em> porque \u00e9 onde a gente pode incluir nossos saberes\u201d<\/em>, explica Rafaela. A manuten\u00e7\u00e3o de conhecimentos ancestrais \u00e9 uma das maneiras de fortalecer a cultura quilombola e, quando aliada \u00e0 uma estrutura que se prop\u00f5e a cuidar da sa\u00fade f\u00edsica e espiritual de toda a comunidade, se torna uma ferramenta poderosa de adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, ou seja, uma solu\u00e7\u00e3o local. Ao passo em que a comunidade recebe apoio para investir no bem-estar dos seus, ela se prepara para viver em meio aos eventos clim\u00e1ticos extremos cada vez mais frequentes. Uma comunidade quilombola saud\u00e1vel, \u00e9 uma comunidade quilombola com disposi\u00e7\u00e3o para defender o seu territ\u00f3rio e preservar o horizonte intocado da Ca\u00e7andoca.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" data-src=\"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/wp-content\/smush-webp\/2025\/02\/QuilomboCacandoca_FOTOBiancaAlmeida-1-1024x768.jpeg.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-11179 lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 1024px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 1024\/768;width:822px;height:auto\" data-srcset=\"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/wp-content\/smush-webp\/2025\/02\/QuilomboCacandoca_FOTOBiancaAlmeida-1-1024x768.jpeg.webp 1024w, https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/wp-content\/smush-webp\/2025\/02\/QuilomboCacandoca_FOTOBiancaAlmeida-1-300x225.jpeg.webp 300w, https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/wp-content\/smush-webp\/2025\/02\/QuilomboCacandoca_FOTOBiancaAlmeida-1-768x576.jpeg.webp 768w, https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/wp-content\/smush-webp\/2025\/02\/QuilomboCacandoca_FOTOBiancaAlmeida-1-16x12.jpeg.webp 16w, https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/QuilomboCacandoca_FOTOBiancaAlmeida-1.jpeg 1280w\" data-sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><sub>Dona Rosa, uma das moradoras mais antigas do Quilombo da Ca\u00e7andoca. Foto: Bianca Almeida\/FunBEA<\/sub><\/em><br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><br><strong>Agrofloresta guarani<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um corpo saud\u00e1vel \u00e9 tamb\u00e9m aquele que tem acesso a uma alimenta\u00e7\u00e3o equilibrada e completa, o que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel a partir de uma dieta diversificada. Por isso, na Aldeia Guarani Mbya Rio Silveiras, \u00faltima parada do roteiro de visitas, Adolfo Tim\u00f3teo Wer\u00e1 mirim coordena um projeto de agrofloresta dentro do seu territ\u00f3rio, onde planta banana, jaca, lim\u00e3o, goiaba, mandioca, milho e outros alimentos. A aldeia engloba um territ\u00f3rio de 8.500 hectares entre as cidades de Bertioga e S\u00e3o Sebasti\u00e3o, onde moram 160 fam\u00edlias divididas em n\u00facleos familiares. Adolfo \u00e9 uma lideran\u00e7a em um desses n\u00facleos e foi um dos contemplados pela Chamada P\u00fablica FunBEA. A agrofloresta \u00e9 uma das iniciativas que est\u00e3o sendo desenvolvidas a partir do apoio recebido.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cN\u00f3s pensamos (na agrofloresta) por causa tamb\u00e9m das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e do aquecimento global. N\u00f3s precisamos de \u00e1gua, fonte de \u00e1gua e a floresta traz chuva. Precisamos do equil\u00edbrio da floresta para manter essa \u00e1rea como garantia de sobreviv\u00eancia, porque n\u00f3s somos um povo da floresta, dependemos das \u00e1rvores e da \u00e1gua, ent\u00e3o precisamos ter floresta em p\u00e9 e \u00e1rvore em p\u00e9\u201d<\/em>, explica Adolfo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cEu achei muito interessante quando o Cacique dizia \u2018a gente teve um pequeno apoio do FunBEA e com isso&nbsp; a gente ensinou as crian\u00e7as e os jovens a fazer artesanato, as mulheres a reproduzir as helic\u00f4nias, estamos introduzindo a meliponicultura e a gente est\u00e1 reflorestando\u2019. Ele estava descrevendo uma s\u00e9rie de coisas e o que ele dizia que era um pequeno aporte, me parecia muito grande\u201d<\/em>, relata&nbsp; Neidinha. \u201c<em>\u00c9 como o apoio chega e como ele se transforma em v\u00e1rias coisas que fortalecem a identidade e a cultura, mas principalmente a garantia de ter o territ\u00f3rio\u201d<\/em>, finaliza a ativista.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Neidinha, uma mulher que luta ativamente contra madeireiros e grileiros, veio conhecer aqueles que se defendem contra a press\u00e3o urbana e especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria de uma floresta que virou cidade quase em sua totalidade. <em>\u201cA gente sempre fala na Amaz\u00f4nia que estamos fazendo o fortalecimento da cultura. Aqui eu vi que tem muito uma quest\u00e3o de resgate da cultura, que \u00e9 diferente do fortalecimento. N\u00f3s fomos em aldeias que s\u00e3o de retomada e \u00e9 retomada de tudo mesmo. Ent\u00e3o, \u00e9 uma luta um pouco diferente da gente porque \u00e9 uma press\u00e3o muito mais do contexto urbano, do que da gente que \u00e9 uma press\u00e3o muito mais de dentro da floresta mesmo, de dizima\u00e7\u00e3o da floresta\u201d<\/em>, explica a ativista.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, se as amea\u00e7as s\u00e3o diferentes, as solu\u00e7\u00f5es s\u00e3o parecidas. Na Amaz\u00f4nia, terras ind\u00edgenas demarcadas protegem a floresta e a fauna da destrui\u00e7\u00e3o pelo desmatamento&nbsp; para pecu\u00e1ria e monocultura. Na Mata Atl\u00e2ntica, estudos apontam que territ\u00f3rios tradicionais demarcados tamb\u00e9m s\u00e3o essenciais para a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade. Segundo <a href=\"https:\/\/academic.oup.com\/pnasnexus\/article\/2\/1\/pgac287\/7005261\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pesquisa<\/a> publicada em 2023 na revista cient\u00edfica <em>PNAS Nexus<\/em>, a demarca\u00e7\u00e3o de Terras Ind\u00edgenas na Mata Atl\u00e2ntica reduz o desmatamento e aumenta o reflorestamento. De acordo com a pesquisa, houve um acr\u00e9scimo m\u00e9dio de 0,77% ao ano na cobertura florestal em 129 T.I analisadas que tiveram suas posses formalizadas, em compara\u00e7\u00e3o com terras sem posse ou com o processo incompleto. A pesquisa focou em ind\u00edgenas, mas todas as comunidades tradicionais, como cai\u00e7aras, quilombolas e ribeirinhos, s\u00e3o verdadeiros guardi\u00f5es de seus territ\u00f3rios.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cDurante essa caminhada que eu fiz por aqui, andando nos quilombos e nas terras ind\u00edgenas, eu vi o efeito que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas tem nos povos origin\u00e1rios e nas popula\u00e7\u00f5es tradicionais. Mas tamb\u00e9m vi como eles est\u00e3o achando sa\u00edda e como o FunBEA tem atuado para fortalecer a luta dos ind\u00edgenas e quilombolas nessa quest\u00e3o do clima.<\/em><strong><em> Quer ter prote\u00e7\u00e3o? Quer ter preserva\u00e7\u00e3o? Quer ter boa sa\u00fade, bem-estar, bem-viver? Demarca territ\u00f3rio\u201d<\/em><\/strong><strong>. <\/strong>Foi assim que Neidinha Suru\u00ed encerrou a entrevista.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neidinha Suru\u00ed faz visita em dois quilombos e duas aldeias ind\u00edgenas na Mata Atl\u00e2ntica, no litoral de SP. <\/p>","protected":false},"author":6,"featured_media":11180,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21,124,1],"tags":[],"class_list":["post-11171","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-funbea","category-filantropia-comunitaria","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11171","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11171"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11171\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11180"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11171"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11171"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11171"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}