{"id":10517,"date":"2024-11-18T17:34:23","date_gmt":"2024-11-18T20:34:23","guid":{"rendered":"https:\/\/redecomua.org.br\/?p=10517"},"modified":"2024-11-18T17:34:26","modified_gmt":"2024-11-18T20:34:26","slug":"o-papel-crucial-das-mulheres-negras-na-luta-por-justica-social-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/o-papel-crucial-das-mulheres-negras-na-luta-por-justica-social-no-brasil\/","title":{"rendered":"O papel crucial das mulheres negras na luta por justi\u00e7a social no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><em>Foto: Frenchiebuddha \/ Adobe Stock<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em>Por: Luana Braga Batista*<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, a auto-organiza\u00e7\u00e3o das mulheres negras \u00e9 um raio de esperan\u00e7a e resili\u00eancia em meio a uma hist\u00f3ria de desigualdades sist\u00eamicas. Essas mulheres, muitas vezes marginalizadas e negligenciadas, est\u00e3o \u00e0 frente do trabalho de enfrentamento dos desafios urgentes da viol\u00eancia econ\u00f4mica, exclus\u00e3o social e inseguran\u00e7a alimentar nas suas comunidades. No entanto, apesar de suas contribui\u00e7\u00f5es vitais, elas continuam em grande parte \u00e0 margem dos recursos e das oportunidades necess\u00e1rias para promover uma mudan\u00e7a verdadeira.<\/p>\n\n\n\n<p>Grande parte dessa popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 concentrada nas periferias das cidades, em favelas e quilombolas, e em comunidades ribeirinhas e ind\u00edgenas. Um relat\u00f3rio da Rede Penssan divulgado recentemente destaca a triste realidade: mais de 33 milh\u00f5es de brasileiros enfrentam a inseguran\u00e7a alimentar, sendo que as fam\u00edlias negras s\u00e3o desproporcionalmente afetadas. Um em cada cinco lares chefiados por indiv\u00edduos negros luta para colocar comida na mesa. Essa interse\u00e7\u00e3o de ra\u00e7a e g\u00eanero amplia o impacto da discrimina\u00e7\u00e3o, obrigando muitas mulheres negras a lutarem n\u00e3o apenas pela sobreviv\u00eancia, mas pela dignidade e pelo acesso a direitos b\u00e1sicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesses territ\u00f3rios, a sociedade civil est\u00e1 construindo organiza\u00e7\u00f5es sociais, coletivos e redes \u2013 e o seu objetivo \u00e9 lutar por mais dignidade e acesso para a popula\u00e7\u00e3o negra. Apesar do trabalho comunit\u00e1rio fundamental realizado por esses grupos, eles sofrem com a falta de assist\u00eancia do Estado e s\u00e3o negligenciados pela filantropia. No entanto, para essas comunidades, as organiza\u00e7\u00f5es de base lideradas por essas mulheres negras s\u00e3o essenciais.<\/p>\n\n\n\n<p>A ajuda e o apoio fornecidos por elas podem atingir de 250 a 1.000 pessoas. Em muitos casos, as mulheres dependem grandemente de recursos pessoais para sustentar seu trabalho &#8211; quase 60% do financiamento vem de seus pr\u00f3prios bolsos. Isso se traduz em menos de R$ 5.000 (US$ 900) por ano, sendo que muitas contam com ainda menos. \u00c9 desanimador considerar que 89% das pessoas que est\u00e3o na linha de frente dessas organiza\u00e7\u00f5es s\u00e3o mulheres, sendo um n\u00famero consider\u00e1vel delas m\u00e3es, mas menos de vinte por cento recebem qualquer forma de remunera\u00e7\u00e3o pelo seu trabalho incans\u00e1vel, e ainda t\u00eam que dar conta de diversos empregos e responsabilidades, na luta para democratizar o acesso a direitos nas suas comunidades.<\/p>\n\n\n\n<p>O Fundo Agbara, o primeiro fundo de mulheres negras do Brasil, est\u00e1 trabalhando incansavelmente para mudar essa realidade. Mas ele precisa de mais recursos para ter maior impacto, o que inclui a produ\u00e7\u00e3o de dados em seu centro de pesquisa e o atendimento direto a essas mulheres, financiando seus projetos, garantindo sua autonomia e emancipa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem cuida das pessoas que cuidam dos outros? Devemos levar isso em considera\u00e7\u00e3o ao avaliarmos a sustentabilidade das a\u00e7\u00f5es por justi\u00e7a social lideradas por essas mulheres. O terceiro setor pode gerar milh\u00f5es de empregos, mas precisamos perguntar: quem est\u00e1 sendo empregado e remunerado por suas contribui\u00e7\u00f5es? Quase todas as mulheres negras em cargos volunt\u00e1rios suportam cargas de trabalho quatro a cinco vezes maiores que a m\u00e9dia, tudo isso enquanto administram as suas pr\u00f3prias fam\u00edlias e sustentam seus filhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem financia a manuten\u00e7\u00e3o da democracia? Olhando para o exemplo do Brasil, podemos afirmar com sinceridade que \u00e9 poss\u00edvel alcan\u00e7ar qualquer forma de justi\u00e7a social sem uma pol\u00edtica de igualdade de ra\u00e7a e g\u00eanero? A justi\u00e7a social s\u00f3 pode ser alcan\u00e7ada com recursos distribu\u00eddos diretamente \u00e0s comunidades de base, de forma justa.<\/p>\n\n\n\n<p>Para alcan\u00e7ar qualquer forma de justi\u00e7a social, \u00e9 preciso priorizar pol\u00edticas que promovam a igualdade de ra\u00e7a e g\u00eanero. Isso significa redistribuir recursos diretamente para as iniciativas de base que capacitam essas mulheres e suas comunidades. As suas vozes devem ser ouvidas e as suas solu\u00e7\u00f5es apoiadas.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Luana Braga Batista<\/strong>\u00a0\u00e9 Diretora de Pesquisa do Fundo Agbara, o primeiro fundo filantr\u00f3pico para mulheres negras no Brasil. \u00c9 tamb\u00e9m pesquisadora do Programa Saberes, da Rede Comu\u00e1, onde desenvolve a pesquisa <em>\u201cJusti\u00e7a social e filantropia: g\u00eanero, ra\u00e7a e direitos econ\u00f4micos\u201d.\u00a0<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Esse artigo foi <a href=\"https:\/\/www.alliancemagazine.org\/blog\/the-crucial-role-of-black-women-in-brazils-fight-for-social-justice\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">publicado originalmente na Alliance Magazine<\/a>.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Brasil, a auto-organiza\u00e7\u00e3o das mulheres negras \u00e9 um raio de esperan\u00e7a e resili\u00eancia em meio a uma hist\u00f3ria de desigualdades sist\u00eamicas. 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