{"id":10249,"date":"2024-10-29T12:20:57","date_gmt":"2024-10-29T15:20:57","guid":{"rendered":"https:\/\/redecomua.org.br\/?p=10249"},"modified":"2024-10-29T13:48:24","modified_gmt":"2024-10-29T16:48:24","slug":"cultivar-resiliencia-em-tempos-de-crise-climatica-saberes-e-licoes-que-vem-do-campo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wordpress-wyy8bhlsif5v8gukfr0yhxue.studio.tikovolpe.com.br\/en\/cultivar-resiliencia-em-tempos-de-crise-climatica-saberes-e-licoes-que-vem-do-campo\/","title":{"rendered":"Cultivar resili\u00eancia em tempos de crise clim\u00e1tica: saberes e li\u00e7\u00f5es que v\u00eam do campo"},"content":{"rendered":"<p><em>Foto: Divulga\u00e7\u00e3o Tab\u00f4a<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em>Por: Roberto Vilela e Simone Amorim<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Quando pensamos na agenda do clima no Brasil, a agricultura familiar ocupa uma posi\u00e7\u00e3o crucial. Mesmo estando entre os que menos contribuem para as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, agricultoras\/es familiares est\u00e3o entre as popula\u00e7\u00f5es mais impactadas pelos seus efeitos, uma vez que dependem diretamente do clima para manter seus modos de vida e sua subsist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>A condi\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade fica ainda mais grave quando aplicados recortes de g\u00eanero e situa\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica, por exemplo. O relat\u00f3rio <em>The unjust climate<\/em> (2024) indica que, anualmente, domic\u00edlios liderados por mulheres rurais perdem em m\u00e9dia 8% a mais de sua renda por conta do estresse t\u00e9rmico e 3% a mais devido a inunda\u00e7\u00f5es, quando comparados a domic\u00edlios chefiados por homens. O documento aponta ainda que fam\u00edlias rurais pobres contabilizam perdas 5% maiores, em compara\u00e7\u00e3o a fam\u00edlias em melhor condi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Lan\u00e7ando o olhar sobre o contexto brasileiro, em especial territ\u00f3rios rurais do Nordeste, a agricultura familiar tem enfrentado desafios multidimensionais, que envolvem o acesso a recursos financeiros, \u00e0 terra e a direitos humanos b\u00e1sicos. A nova condi\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica \u2013 e o indicativo de que as regi\u00f5es Norte e Nordeste do Brasil ter\u00e3o secas mais constantes, excessos de chuvas, por vezes, na mesma regi\u00e3o, ondas de calor extremas e uma maior variabilidade de precipita\u00e7\u00e3o ao longo de diferentes anos \u2013 aprofunda desigualdades estruturais historicamente constru\u00eddas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Longe de previs\u00f5es futuristas, as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas j\u00e1 fazem parte da vida das fam\u00edlias agricultoras, como ilustram depoimentos que coletamos durante as grava\u00e7\u00f5es da <em>webs\u00e9rie Caminhos de Resili\u00eancia<\/em>, produzida no \u00e2mbito do <em>Transformative Month of Philanthropy<\/em>, liderado pela Rede Comu\u00e1. Perguntadas\/os sobre como percebem a crise do clima no dia a dia, agricultoras\/es familiares compartilharam experi\u00eancias cada vez mais recorrentes e intensas sobre as altera\u00e7\u00f5es nos ciclos das culturas produtivas, com mudan\u00e7as no calend\u00e1rio de flora\u00e7\u00e3o e colheita, variabilidade dos per\u00edodos de chuva e de seca, dos rios e das temperaturas, assim como suas repercuss\u00f5es na seguran\u00e7a alimentar e renda familiar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, ao mesmo tempo em que sofrem de forma desproporcional tais impactos, essas pessoas s\u00e3o tamb\u00e9m guardi\u00e3s de conhecimentos que podem contribuir muito para processos de mitiga\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o ao novo contexto clim\u00e1tico. A agricultura familiar mostra, na pr\u00e1tica, que \u00e9 poss\u00edvel produzir protegendo a sociobiodiversidade, construindo sistemas alimentares saud\u00e1veis, capazes de promover a regenera\u00e7\u00e3o de ecossistemas locais e a resili\u00eancia comunit\u00e1ria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o experi\u00eancias como a da Rede de Agroecologia Povos da Mata, que re\u00fane cerca de 1.200 agricultores\/as agroecol\u00f3gicos e org\u00e2nicos no estado da Bahia, promovendo uma agricultura limpa, sem uso de agrot\u00f3xicos, ambientalmente respons\u00e1vel e socialmente justa. Iniciativas como o viveiro comunit\u00e1rio e agroecol\u00f3gico do Assentamento Dois Riach\u00f5es, em que mulheres e jovens atuam coletivamente produzindo mudas de \u00e1rvores nativas e frut\u00edferas que s\u00e3o usadas para restaurar \u00e1reas degradadas e tornar \u00e1reas produtivas mais biodiversas, gerando renda e fortalecendo a atua\u00e7\u00e3o coletiva.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Desde 2017, a Tab\u00f4a Fortalecimento Comunit\u00e1rio tem fomentado a agricultura familiar e sua transi\u00e7\u00e3o para a sustentabilidade, com a facilita\u00e7\u00e3o do acesso a recursos financeiros e conhecimentos, valorizando saberes e voca\u00e7\u00f5es locais. No campo, temos apoiado e cocriado com comunidades \u2013 especialmente assentamentos e projetos de assentamento de reforma agr\u00e1ria no sul da Bahia \u2013 solu\u00e7\u00f5es que cuidem das pessoas e do meio ambiente. Atuamos por meio de diferentes estrat\u00e9gias, trabalhadas de forma integrada, que envolvem desde microcr\u00e9dito produtivo, um dos gargalos da agricultura familiar, at\u00e9 assist\u00eancia t\u00e9cnica rural gratuita, forma\u00e7\u00f5es, fomento a redes de coopera\u00e7\u00e3o e doa\u00e7\u00f5es de recursos financeiros.<\/p>\n\n\n\n<p>O que essa caminhada tecida com as comunidades no ch\u00e3o de seus territ\u00f3rios tem revelado \u00e9 que solu\u00e7\u00f5es constru\u00eddas localmente pelas pessoas, inspiradas na observa\u00e7\u00e3o e conviv\u00eancia com a natureza, s\u00e3o importantes mecanismos de enfrentamento da emerg\u00eancia clim\u00e1tica, pois geram benef\u00edcios em diferentes dimens\u00f5es \u2013 sociais, econ\u00f4micas, culturais e ambientais. No entanto, \u00e9 preciso direcionar mais recursos \u2013 inclusive filantr\u00f3picos \u2013 para fortalecer tais experi\u00eancias, ampliando as capacidades adaptativas no campo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m na agenda do clima, a filantropia comunit\u00e1ria e de justi\u00e7a socioambiental tem um papel fundamental ao fortalecer iniciativas lideradas por minorias pol\u00edticas, como \u00e9 o caso de agricultoras\/es familiares, uma vez que os impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o ainda piores para quem j\u00e1 convive com constantes amea\u00e7as aos seus direitos.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso aprender com os saberes e as li\u00e7\u00f5es que v\u00eam do campo. O que a pr\u00e1tica nos mostra \u00e9 que qualquer esfor\u00e7o de enfrentamento \u00e0 crise clim\u00e1tica nos territ\u00f3rios deve assumir o protagonismo de grupos e comunidades que historicamente tem nos mostrado que outros caminhos s\u00e3o poss\u00edveis. Por isso mesmo, \u00e9 necess\u00e1rio fazer mais recursos chegarem, de forma simples, para fortalecer seus saberes, escalar suas experi\u00eancias e apoiar sua adapta\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Formado em Administra\u00e7\u00e3o de Empresas e mestre em Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica e Governo, Roberto Vilela \u00e9 diretor executivo da Tab\u00f4a Fortalecimento Comunit\u00e1rio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Gerente de Comunica\u00e7\u00e3o da Tab\u00f4a Fortalecimento Comunit\u00e1rio, Simone Amorim tem mestrado em Desenvolvimento Territorial e Gest\u00e3o Social e gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o Social.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando pensamos na agenda do clima no Brasil, a agricultura familiar ocupa uma posi\u00e7\u00e3o crucial. 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